Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ)Pedro Teixeira / Arquivo O Dia
Publicado 16/07/2026 20:08
Rio - O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) registrou 3,2 mil pedidos de medidas protetivas entre janeiro e 15 de julho de 2026. Em pouco mais de seis meses, o Maria da Penha Virtual recebeu quase o mesmo número de solicitações contabilizadas em todo o ano de 2025, quando foram registrados 3,6 mil pedidos de proteção para mulheres vítimas de violência doméstica.
Publicidade
LEIA MAIS: Justiça condena pai que matou filho de apenas 2 anos

De acordo com dados do Observatório Judicial da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, as vítimas com idade entre 21 e 40 anos concentram mais da metade das solicitações realizadas neste ano, representando 56,5% do total. O levantamento também traça o perfil dos agressores mapeados em 2026. Em 38,1% das ocorrências, eles foram classificados como violentos, em 35,7%, como controladores, e, em 26,3% dos casos, o comportamento predominante identificado foi o de ciúme excessivo.
Projeção e crescimento histórico
Com uma média de 459 solicitações mensais, a expectativa é que, mantido esse ritmo, o total de pedidos até o fim do ano ultrapasse em quase 50% o registrado de 2025. A série histórica demonstra a consolidação da plataforma ao longo do tempo, saltando de 1.579 pedidos em 2022 para 3.113 em 2023, 3.497 em 2024 e chegando ao patamar atual em 2026.

Funcionamento e canais de apoio
Criado em 2020 por estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Maria da Penha Virtual funciona por meio de um link de internet. Como não há exige download de um aplicativo, ajuda a preservar a segurança da vítima. Na plataforma, a mulher preenche um formulário com dados pessoais, informações do agressor e detalhes da violência sofrida. É possível anexar fotos ou áudios como provas e selecionar a medida protetiva mais adequada. Ao final, o sistema gera uma petição em PDF encaminhada diretamente ao juizado competente.
Além da ferramenta digital, o estado do Rio de Janeiro conta atualmente com 15 Delegacias de Atendimento à Mulher (Deams) e com a Deam Digital, por meio da qual é possível registrar denúncias pela internet. Juntos, os serviços atendem a população dos 92 municípios fluminenses.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral
Leia mais