Remédios apreendidos durante a operação foram encaminhados para Cidade da PolíciaReginaldo Pimenta/Agência O DIA
Publicado 21/07/2026 06:52 | Atualizado 21/07/2026 11:29
Rio - A Polícia Civil realiza, nesta terça-feira (21), a Operação Metástase contra uma organização criminosa interestadual especializada em roubos e distribuição de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Na ação, agentes cumprem cinco mandados de prisão e 97 de busca e apreensão contra integrantes e lideranças do grupo no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, e em endereços na Baixada Fluminense, São Paulo, Goiás e Pará, com o apoio das unidades policiais de cada estado. Até o momento, cinco suspeitos foram presos.
Publicidade
Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC), a quadrilha movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano e utilizava empresas de fachada para recolocar o material roubado no mercado.
Durante as buscas na Maré, houve registro de tiroteio e barricadas em chamas nas comunidades do Pinheiro, Salsa e Vila do João, no início da manhã.
LEIA MAIS: Operação mira venda ilegal de canetas emagrecedoras

Além dos mandados, a especializada também pediu o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, mais o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens e valores utilizados pelo bando para ocultar o patrimônio.
De acordo com o delegado André Prates, titular da DRFC, entre os presos estão três lideranças do esquema: Stefano Montovani Fernandes, Fernanda Rodrigues França e Umberto Xavier de Lima.

"Eles roubam caminhão e levam essa carga para dentro do Complexo da Maré, principalmente nas vilas do João e do Pinheiro. Fernanda e Umberto, presos hoje, têm a função de pagar os roubadores, armazenar os medicamentos roubados e distribuir. Eles usam transporte rodoviário, através de mulas, e por despacho aéreo, burlando as empresas aéreas com documentos falsos e criando empresas de fachadas", explicou.

Segundo Prates, o chefe do esquema é o empresário Stefano Montovani Fernandes, detido em São Paulo.

"O topo da pirâmide encontra-se em São Paulo, ele é o líder da organização, extremamente perigoso, reincidente, a família dele toda já foi presa pelo mesmo crime. Ele criou pelo menos 25 empresas fantasmas, aquelas que recebem a mercadoria roubada e a partir dali vendem para o mercado clandestino e também participam de processo licenciatório", relatou.

O delegado frisou a gravidade dos crimes, que colocam em risco a saúde pública. "As unidades públicas estão sendo enganadas e adquirindo medicamentos de origem criminosa sem saber e possivelmente ministrando esses medicamentos sem qualquer controle da sua cadeia de armazenamento e refrigeração, passando para pacientes que estão lutando contra o câncer. Identificamos hospitais oncológicos pediátricos que adquiriram esses medicamentos", acrescentou

Entenda o esquema

Investigações revelaram uma organização criminosa altamente sofisticada e violenta, especializada em roubos de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor de mercado, que seriam utilizados tanto na rede privada quanto na rede pública de saúde de todo o país, por meio de processos licitatórios na modalidade de tomada de preços.

Os agentes constataram a participação do grupo em pelo menos 20 crimes semelhantes nos últimos seis meses. As equipes identificaram ainda diferentes núcleos da quadrilha, cada um responsável por uma etapa da operação: grupo de roubadores; logístico-financeiro intermediário; logístico-financeiro final; e suporte territorial.
A apuração revelou que o esquema ia muito além do roubo das cargas transportadas. Após as ações criminosas, realizadas por homens fortemente armados, os medicamentos eram levados para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde ocorria o transbordo e a redistribuição da carga.
A facção atuava no suporte territorial, fornecendo apoio bélico e proteção aos roubadores. Em seguida, um segundo grupo era responsável pelo armazenamento, fracionamento e envio dos medicamentos roubados. Para esconder a origem dos produtos e enviá-los aos receptadores finais em diversos estados do país, os integrantes utilizavam empresas de fachada, transportadoras, entregadores e "laranjas".
As equipes também identificaram membros do bando responsáveis por aliciar funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas.

As investigações apontaram que cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre os estados do Rio, São Paulo, Goiás e Pará, integravam a engrenagem financeira da organização e eram utilizadas para receptar os medicamentos roubados em território fluminense.
Segundo os agentes, ao oferecer valores inferiores aos praticados pelo mercado regular, o grupo conseguia inserir produtos de origem criminosa na cadeia legítima de fornecimento. 

Além do Rio, os agentes atuam na capital paulista e nos municípios de Santo André e São Caetano do Sul, em São Paulo; em Goiânia, Goiás; e em Belém, no Pará.

A ação conta com o apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional (SSPIO), de agentes da Polícia Militar e da Rede Cargas, do Ministério da Justiça.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
Leia mais