Publicado 31/07/2026 16:04
Rio - As obras do Centro Cultural Rio-Áfricas, na Zona Portuária, foram iniciadas oficialmente na tarde desta sexta-feira (31). O novo equipamento reforça a Pequena África como um dos principais territórios de memória, identidade e resistência da cidade. A cerimônia marca uma nova etapa do projeto, lançado após a demolição do antigo prédio da Maternidade Pró-Matre, que ocupou o terreno por mais de 90 anos.
PublicidadeO início das obras foi marcado por uma cerimônia com a presença do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere. "O Centro Cultural Rio-Áfricas é um equipamento que significa muito na consolidação desse espaço, mais do que como a Pequena África, mas como uma bússola do desenvolvimento e da construção da identidade do que é o Rio de Janeiro, olhando para a frente, mas sempre enxergando a força e a relevância dos povos ancestrais, dos povos africanos que vieram para o Rio. É um dia muito especial para a cidade", afirmou o prefeito.
O Centro Cultural Rio-Áfricas será construído ao lado do Cais do Valongo, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial, e terá como missão valorizar a ancestralidade afro-diaspórica por meio de exposições, mostras, atividades educativas, formação artística e ações culturais abertas ao público.
O Centro Cultural Rio-Áfricas será construído ao lado do Cais do Valongo, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial, e terá como missão valorizar a ancestralidade afro-diaspórica por meio de exposições, mostras, atividades educativas, formação artística e ações culturais abertas ao público.
Durante a cerimônia, Cavaliere também ressaltou a importância histórica do Cais do Valongo e afirmou que a redescoberta do sítio arqueológico permitiu ao Rio e ao país revisitar uma parte fundamental de sua história. Segundo o prefeito, reconhecer esse passado é essencial para construir o futuro. "A redescoberta do Cais do Valongo permitiu que arqueólogos, lideranças políticas, acadêmicos, movimentos sociais e a própria sociedade pudessem apontar para o futuro qual é o destino desse país que a gente constrói todos os dias", afirmou.
O prefeito também destacou que o espaço simboliza a memória de milhões de africanos escravizados que chegaram ao Brasil. "A gente tem que lembrar para jamais esquecer esses milhões de povos que chegaram pelo Cais do Valongo e passaram a ser escravizados. Nunca se fez tanto aquilo que era proibido quanto se fez aqui no Cais do Valongo", disse, ao lembrar que, mesmo após a proibição do tráfico negreiro, a região continuou sendo usado para o desembarque ilegal de pessoas escravizadas.
Segundo o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, o equipamento terá cerca de 8 mil metros quadrados e reunirá espaços dedicados a exposições sobre a presença e a influência africana no Brasil. "Esse centro cultural vai ter 8 mil m² e vai receber espaços para exposições africanas no Brasil. Esse centro cultural se soma ao Museu de Arte do Rio, que hoje, com sete exposições, está na vanguarda da estética e da arte brasileira. Aqui será um importante espaço de mediação cultural e de formação patrimonial para todas as gerações e para as escolas", afirmou.
O projeto arquitetônico é assinado pelo arquiteto Marcus Vinicius Damon Martins de Souza Rodrigues, do Estúdio Módulo de Arquitetura e Urbanismo, vencedor do concurso promovido pela Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ). A proposta foi escolhida entre 36 projetos apresentados por arquitetos negros brasileiros e africanos de língua portuguesa.
Arquitetura inspirada na ancestralidade africana
Arquitetura inspirada na ancestralidade africana
Com um pátio arborizado, o Centro Cultural Rio-Áfricas foi concebido para dialogar com a história e a identidade da região. O paisagismo reúne espécies como espada-de-são-jorge, agapanto e capim-do-texas, em referência a simbolismos africanos e à Mata Atlântica. A fachada contará com tramas inspiradas em padrões africanos e painéis perfurados que filtram a luz natural.
Legado para a Zona Portuária
O Centro Cultural Rio-Áfricas integra o processo de transformação da Zona Portuária iniciado com o Porto Maravilha e se soma a outras iniciativas de valorização da Pequena África e do Cais do Valongo, desenvolvidas em parceria com instituições como Iphan, BNDES, IDG e a iniciativa privada.
Com o início das obras, a Prefeitura avança na criação de um espaço dedicado à preservação da memória, à difusão da cultura afro-brasileira e ao fortalecimento da Pequena África como referência histórica, cultural e turística do Rio de Janeiro.
Legado para a Zona Portuária
O Centro Cultural Rio-Áfricas integra o processo de transformação da Zona Portuária iniciado com o Porto Maravilha e se soma a outras iniciativas de valorização da Pequena África e do Cais do Valongo, desenvolvidas em parceria com instituições como Iphan, BNDES, IDG e a iniciativa privada.
Com o início das obras, a Prefeitura avança na criação de um espaço dedicado à preservação da memória, à difusão da cultura afro-brasileira e ao fortalecimento da Pequena África como referência histórica, cultural e turística do Rio de Janeiro.
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