Publicado 04/08/2026 13:27
Rio - Trabalhadores ambulantes protestam novamente contra o Tolerância Zero, nesta terça-feira (4), na Escadaria Selarón, Lapa, no Centro do Rio. O ato ocorre um dia após a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado anunciarem a terceira fase do programa, que ampliou a fiscalização para os arredores da orla da Zona Sul.
PublicidadeDe acordo com o Movimento Unido dos Camelôs (Muca), a iniciativa reivindica a abertura de diálogo com a prefeitura e a construção de políticas públicas que conciliem o ordenamento urbano com o direito ao trabalho. Além disso, os ambulantes afirmam que foram impedidos de exercer suas atividades desde o dia 6 de julho.
Os manifestantes estão concentrados nos pés da famosa escadaria, enquanto batem panelas e gritam palavras de ordem. Eles também seguraram cartazes com as frases "camelô é trabalhador", "somos patrimônio cultural imaterial do Rio", "garantia de retorno já", "sem artesãos a escadaria perde sua alma", "arte não é crime" e mais.
O DIA entrou em contato com a Prefeitura do Rio por meio do e-mail da assessoria de comunicação, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta. O espaço segue aberto para eventual manifestação.
Terceira fase
Nesta segunda-feira (3), foi anunciada a ampliação do Tolerância Zero, que visa o combate à exploração ilegal do espaço público pelo crime organizado na orla da Zona Sul. A terceira fase irá iniciar nesta quarta-feira (5) e será estendida para a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Avenida Rainha Elizabeth, em Copacabana; Rua Prudente de Moraes, Ipanema, e Avenida General San Martin, Leblon.
Etapas anteriores do programa
A primeira fase do Programa Tolerância Zero começou no dia 16 de julho, com a ocupação do calçadão da Zona Sul, impedindo que ambulantes irregulares se instalassem no local.
No primeiro dia, 88 ambulantes foram abordados, com a apreensão de cinco triciclos, 11 carrocinhas e três veículos que funcionavam como depósitos não autorizados, além de 108 bebidas e 136 alimentos sem comprovação de procedência ou nota fiscal. Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana foi checado o licenciamento de ambulantes, permitindo o trabalho contínuo daqueles que estão legalizados.
Na etapa seguinte, a prefeitura intensificou o combate aos espaços de armazenamento utilizados ilegalmente na região, focando em promover a desarticulação da cadeia logística criminosa responsável por abastecer e financiar o comércio ilegal na orla da região. Até agora, foram interditados cinco depósitos ilegais -três em Copacabana e dois no Leme -, com capacidade de gerar uma receita mensal de cerca de R$ 655 mil para o crime organizado.
O programa é baseado na ocupação territorial contínua, no patrulhamento ostensivo e na fiscalização integrada, com uso de tecnologias de monitoramento, como drones que comunicam aos ambulantes a atuação em uma área não autorizada.
Segundo a prefeitura, as ações serão planejadas por ciclos operacionais, com protocolos padronizados, indicadores de desempenho e avaliação contínua dos resultados. O objetivo é assegurar o uso regular dos espaços públicos, garantir a livre circulação de pedestres, preservar a mobilidade urbana e o patrimônio público, fortalecer o turismo e reduzir fatores que possam favorecer a prática de crime.
Protestos anteriores
Em 8 de julho, os ambulantes fizeram um protesto em frente à Prefeitura do Rio contra o decreto que criou o programa Tolerância Zero. A manifestação acabou após policiais militares dispersarem o público com spray de pimenta.
No dia 15 deste mesmo mês, os trabalhadores realizaram uma nova manifestação contra o Tolerância Zero em frente o Copacabana Palace, em Copacabana, na Zona Sul. Três dias depois, também mobilizaram um ato em Ipanema, na mesma região.
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