Menino que perdeu a visão do olho esquerdo devido estilhaços recebeu alta do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do RioUendell Vinícius / Jornal Voz das Comunidades
Publicado 14/08/2026 12:33 | Atualizado 14/08/2026 14:07
Rio - O menino de 6 anos, que perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingido por estilhaços em uma ação da Polícia Civil na região da Mangueira, na Zona Norte, na quarta (12), recebeu alta na noite desta quinta-feira (13). A criança estava no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro.
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Durante a internação, L. A. C. passou por uma cirurgia, mas perdeu a visão esquerda. O menino retornou para casa, na Favela do Metrô, onde recebe os cuidados da família. As informações são do jornal comunitário "Voz das Comunidades".
"Ele recebeu alta não do jeito que a gente esperava, mas com essa fatalidade na vista. Infelizmente ele perdeu a visão esquerda, pela situação que aconteceu. [...] E eu espero que daqui para frente não aconteça mais. Que os policiais respeitem as comunidades e os moradores. [...] Na Favela do Metrô tem muita criança dentro. E que possa dar tudo certo daqui para frente", disse a mãe do menino.
Na porta do hospital, familiares e outros moradores da comunidade seguraram cartazes com frases, como: "só queremos paz na favela, justiça"; "Vai dizer o quê? Uma criança de 6 anos trocou tiros?!"; e "sempre a mesma história, o Estado nunca tem culpa". A irmã do menino também cobrou providências das autoridades. "Isso não vai ficar assim. Vamos atrás de justiça."
Ao O DIA, nesta sexta-feira (14), a Polícia Civil comunicou que investigação está em andamento para apurar a autoria do disparo.
Operação
De acordo com a Civil, policiais da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) fizeram uma ação contra a comercialização ilegal de cabos e materiais metálico em um ferro-velho clandestino na Rua São Francisco Xavier. De acordo com investigações, o local era utilizado para receber e comercializar materiais furtados, sofrendo influência de traficantes do Morro da Mangueira.
A corporação informou que, durante a fiscalização, os agentes foram atacados por criminosos escondidos no alto da comunidade. A Civil afirmou que não houve revide por parte dos policiais.
Em nota, disseram que vão investigar as circunstâncias do caso. "A instituição ressalta que quem coloca a população em risco é o criminoso que ataca policiais e promove ações violentas em áreas residenciais".
Protesto
Devido ao ferimento, moradores da comunidade realizaram um protesto na Rua São Francisco Xavier, na quarta. Antes da confirmação do estilhaço, alguns afirmaram que o menino havia sido baleado e levaram cartazes citando o caso.
Durante a manifestação, eles atearam fogo em objetos dentro de lixeiras para usar como barricadas. Pneus também foram usados para bloquear a via.
Prisão
Os agentes prenderam a administradora do ferro-velho clandestino por receptação qualificada. As equipes também apreenderam diversos quilos de materiais metálicos, um computador, uma caixa registradora e dinheiro utilizado na compra dos materiais.
De acordo com a Civil, também foi constatada a queima de cabos para retirada da cobertura e dificultar a identificação da origem dos produtos.
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