Publicado 15/08/2026 10:13 | Atualizado 15/08/2026 11:38
Rio - A Igreja de São Francisco de Paula, no Centro, receberá de volta, nesta terça-feira (18), a imagem histórica de seu padroeiro. Após passar por restauração que durou cerca de um ano, a escultura retorna ao altar-mor durante a cerimônia de entronização presidida pelo cardeal-arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta.
Publicidade"A imagem ocupa posição de destaque no altar-mor e será novamente elevada ao seu lugar por meio de um antigo mecanismo existente na estrutura. A entronização marcará simbolicamente a conclusão do trabalho de conservação e o retorno da escultura restaurada ao espaço que tradicionalmente ocupa na igreja", afirma Daisy Gil Ketzer, assessora e membro da Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e de seu Interesse.
De acordo com informações do site Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, a peça histórica vai retornar às 17h30. A programação terá continuidade às 18h, com o Concerto Musical da Missa de São Francisco de Paula, composta por Henrique Alves de Mesquita em 1867. A apresentação dará vida a uma partitura inédita do maestro e compositor brasileiro do século XIX.
Uma imagem ligada à igreja
A antiguidade da escultura também chama a atenção para sua relação com a própria história da Igreja de São Francisco de Paula. "Embora não haja, até o momento, confirmação documental apresentada que permita afirmar categoricamente que se trata da primeira imagem do padroeiro utilizada no templo, sua datação aponta para a possibilidade de estar vinculada aos primeiros tempos da igreja. A pedra fundamental do templo foi lançada em 1759, e sua construção atravessou a segunda metade do século XVIII e início do século XIX", diz Daisy.
A antiguidade da escultura também chama a atenção para sua relação com a própria história da Igreja de São Francisco de Paula. "Embora não haja, até o momento, confirmação documental apresentada que permita afirmar categoricamente que se trata da primeira imagem do padroeiro utilizada no templo, sua datação aponta para a possibilidade de estar vinculada aos primeiros tempos da igreja. A pedra fundamental do templo foi lançada em 1759, e sua construção atravessou a segunda metade do século XVIII e início do século XIX", diz Daisy.
Restauração
Datada do século XVIII, a escultura teve características artísticas reveladas depois da retirada de uma repintura que escondia parte significativa das suas cores. A conservadora-restauradora Cláudia Nunes, fiscal do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio de Janeiro (Iphan), acompanhou o trabalho realizado na imagem.
Segundo ela, antes da intervenção, a escultura estava praticamente toda coberta por tinta preta. Um dos poucos elementos dourados visíveis era o medalhão no peito com a inscrição "Charitas", palavra latina que significa caridade e está relacionada à espiritualidade de São Francisco de Paula.
"A imagem é do século XVIII e estava toda coberta por uma pintura. Aparecia apenas o medalhão no peito, que tinha o douramento e a inscrição 'Charitas'. Ela também tinha uma rachadura em um dos braços", explica Cláudia.
Durante a restauração, foram identificados o que havia sob a camada de tinta. A descoberta revelou uma ornamentação muito mais rica do que aquela conhecida pelo público. "Os restauradores fizeram prospecções e descobriram que, embaixo dessa pintura preta que cobria a indumentária, havia todo um trabalho de policromia e douramento. Então, ela foi decapada e agora a gente a vê em todo o seu esplendor do século XVIII", destaca.
Os restaurantes realizaram o trabalho dentro da própria Igreja de São Francisco de Paula, onde instalaram um ateliê especialmente para a intervenção. Ao longo de aproximadamente um ano, os profissionais removeram a repintura, além de recuperarem as áreas de perda e tratarem os danos encontrados na escultura.
De acordo com Cláudia, retirar a camada acrescentada posteriormente sem atingir a pintura histórica exigiu especial cuidado. "Para remover toda essa repintura que havia por cima sem danificar a pintura original, é um trabalho muito delicado. Depois, é preciso integrar e fazer o douramento onde havia áreas de perda. O trabalho bem-feito é meticuloso e demorado", ressalta.
A pintura preta que recobria a imagem estava relacionada a uma intervenção realizada no início do século passado, quando se difundiu uma concepção estética segundo a qual o hábito do santo devia ser inteiramente escuro. Intervenções semelhantes foram realizadas em outras imagens religiosas.
"Era uma concepção da época, como se o hábito dele fosse preto. Só aquele medalhão no peito aparecia com o douramento. É muito comum a gente encontrar ainda hoje várias imagens assim. Foi uma moda", pontua Cláudia. Com a restauração, os desenhos e elementos dourados da vestimenta voltaram a ser percebidos, recuperando aspectos da riqueza artística da escultura setecentista.
"A imagem é do século XVIII e estava toda coberta por uma pintura. Aparecia apenas o medalhão no peito, que tinha o douramento e a inscrição 'Charitas'. Ela também tinha uma rachadura em um dos braços", explica Cláudia.
Durante a restauração, foram identificados o que havia sob a camada de tinta. A descoberta revelou uma ornamentação muito mais rica do que aquela conhecida pelo público. "Os restauradores fizeram prospecções e descobriram que, embaixo dessa pintura preta que cobria a indumentária, havia todo um trabalho de policromia e douramento. Então, ela foi decapada e agora a gente a vê em todo o seu esplendor do século XVIII", destaca.
Os restaurantes realizaram o trabalho dentro da própria Igreja de São Francisco de Paula, onde instalaram um ateliê especialmente para a intervenção. Ao longo de aproximadamente um ano, os profissionais removeram a repintura, além de recuperarem as áreas de perda e tratarem os danos encontrados na escultura.
De acordo com Cláudia, retirar a camada acrescentada posteriormente sem atingir a pintura histórica exigiu especial cuidado. "Para remover toda essa repintura que havia por cima sem danificar a pintura original, é um trabalho muito delicado. Depois, é preciso integrar e fazer o douramento onde havia áreas de perda. O trabalho bem-feito é meticuloso e demorado", ressalta.
A pintura preta que recobria a imagem estava relacionada a uma intervenção realizada no início do século passado, quando se difundiu uma concepção estética segundo a qual o hábito do santo devia ser inteiramente escuro. Intervenções semelhantes foram realizadas em outras imagens religiosas.
"Era uma concepção da época, como se o hábito dele fosse preto. Só aquele medalhão no peito aparecia com o douramento. É muito comum a gente encontrar ainda hoje várias imagens assim. Foi uma moda", pontua Cláudia. Com a restauração, os desenhos e elementos dourados da vestimenta voltaram a ser percebidos, recuperando aspectos da riqueza artística da escultura setecentista.
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