Publicado 17/08/2026 12:54
Rio - Uma das vítimas que sobreviveu ao acidente de ônibus em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, relatou que pediu diversas vezes para que o motorista diminuísse a velocidade do coletivo durante a viagem entre Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Copacabana, na Zona Sul da capital fluminense. Maria Luiza Pereira de Souza perdeu a filha Lavínia Eduarda Souza Dias, de 7 anos, e a irmã Priscila de Souza Brás, 33, na tragédia, na madrugada deste domingo (16). Ao todo, dez pessoas morreram no tombamento.
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"O motorista estava correndo muito, o ônibus estava tombando de um lado para o outro. Eu questionei com o guia. Ele disse que era normal por se tratar de um ônibus de dois andares. Estava balançando muito, correndo muito. Eu decidi não dormir, porque estava pressentindo alguma coisa", contou Maria Luiza, que recebeu alta do Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na manhã desta segunda-feira (17).
Além de Lavinia e Priscila, ela estava acompanhada da tia, cunhada, o filho de 10 anos e outras duas filhas, de 1 e 4, que ficaram feridos e precisaram de atendimento médico. A família estava indo ao Rio de Janeiro pela primeira vez, para as crianças conhecerem as praias.
Maria Luiza relembrou que as filhas estavam com medo e, por isso, reforçou o pedido por mais prudência ao motorista após uma parada no caminho.
“Eu acordei minha tia e disse que o ônibus estava perdendo o freio. Ela disse que não, mas eu disse que sim e pedi para ela segurar os meninos. Eu chamei a Priscila, ela disse para eu dormir. Eu peguei minha bebê e comecei a orar. Minhas filhas estavam com medo. Ele jogou para a direita, o ônibus quicou e ele perdeu o controle, caiu. Foi um desespero, minha irmã gritou para eu segurar a bebê, disse que estava segurando as meninas. Depois, não vi mais nada, só o desespero de todo mundo gritando, eu gritando. Eu gritei pela Lavínia porque, antes do acidente, ela falou: ‘Mãe, me ajuda, eu estou com medo’. Eu disse para ela não ficar com medo, abraçar a tia. Elas morreram abraçadas”, lamentou emocionada.
Maria Luiza ainda relatou que ficou ferida e com falta de ar, mas conseguiu sair do ônibus com o filho de 10. Ela ouviu a menina de 4 anos gritando por ajuda e pediu para o irmão da criança tentar retirá-la do automóvel.
“Ouvi minha filha autista, de 4 anos, falando: ‘Mãe, me ajuda, eu vou morrer, me ajuda’. Eu estava sem ar e pedi para o meu filho buscar a irmã. Ele disse que estava com muito medo, mas eu disse que não tinha jeito, precisava pegar a irmã porque o ônibus ia cair na ribanceira. Na hora que ele foi, o vizinho saiu com ela no colo”, explicou.
A tia de Maria Luiza sofreu um ferimento nas costas e continua internada, assim como a filha de 4 anos. Já a cunhada, o menino e a bebê receberam alta.
“Eu perdi minha filha por negligência do motorista. Pedimos tanto para ele não correr. Ele correu, eu perdi minha filha, minha irmã e dois amigos. Eu estava levando ela para conhecer a praia pela primeira vez e aconteceu a tragédia”, desabafou.
Procurada, a defesa da Estrela Guia Turismo afirmou que, neste momento, a empresa não fará manifestações sobre o caso. “Eventuais esclarecimentos e manifestações serão apresentados oportunamente nos autos dos processos dos quais a empresa venha a fazer parte”, comunicou.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) afirmou que o ônibus não tinha autorização para o transporte interestadual de passageiros. O órgão classificou a viagem como "clandestina".
O coletivo levava 49 pessoas, incluindo o motorista. O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes informou que recebeu 13 feridos no acidente, sendo que oito já receberam alta. Duas crianças, duas mulheres e um homem continuam internados na unidade. A direção pontuou que, no momento, não informará a identidade dos pacientes e nem o quadro de saúde com o intuito de preservar as vítimas e seus parentes.
Outras onze pessoas foram encaminhadas ao Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, e seis receberam alta. Outras cinco permanecem sob os cuidados médicos. Procurada, a unidade comunicou que também não divulgará informações individuais sobre os casos. “Novas atualizações poderão ser fornecidas oportunamente, conforme evolução do atendimento”, concluiu.
A 105ª DP (Petrópolis) investiga o caso. De acordo com a Polícia Civil, os corpos de nove vítimas fatais foram encaminhados ao Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC) de Petrópolis, onde passam por exames periciais. O corpo da décima vítima foi levado ao PRPTC de Nova Iguaçu. O motorista recebeu atendimento em uma unidade de saúde.
"O motorista estava correndo muito, o ônibus estava tombando de um lado para o outro. Eu questionei com o guia. Ele disse que era normal por se tratar de um ônibus de dois andares. Estava balançando muito, correndo muito. Eu decidi não dormir, porque estava pressentindo alguma coisa", contou Maria Luiza, que recebeu alta do Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na manhã desta segunda-feira (17).
Além de Lavinia e Priscila, ela estava acompanhada da tia, cunhada, o filho de 10 anos e outras duas filhas, de 1 e 4, que ficaram feridos e precisaram de atendimento médico. A família estava indo ao Rio de Janeiro pela primeira vez, para as crianças conhecerem as praias.
Maria Luiza relembrou que as filhas estavam com medo e, por isso, reforçou o pedido por mais prudência ao motorista após uma parada no caminho.
“Eu acordei minha tia e disse que o ônibus estava perdendo o freio. Ela disse que não, mas eu disse que sim e pedi para ela segurar os meninos. Eu chamei a Priscila, ela disse para eu dormir. Eu peguei minha bebê e comecei a orar. Minhas filhas estavam com medo. Ele jogou para a direita, o ônibus quicou e ele perdeu o controle, caiu. Foi um desespero, minha irmã gritou para eu segurar a bebê, disse que estava segurando as meninas. Depois, não vi mais nada, só o desespero de todo mundo gritando, eu gritando. Eu gritei pela Lavínia porque, antes do acidente, ela falou: ‘Mãe, me ajuda, eu estou com medo’. Eu disse para ela não ficar com medo, abraçar a tia. Elas morreram abraçadas”, lamentou emocionada.
Maria Luiza ainda relatou que ficou ferida e com falta de ar, mas conseguiu sair do ônibus com o filho de 10. Ela ouviu a menina de 4 anos gritando por ajuda e pediu para o irmão da criança tentar retirá-la do automóvel.
“Ouvi minha filha autista, de 4 anos, falando: ‘Mãe, me ajuda, eu vou morrer, me ajuda’. Eu estava sem ar e pedi para o meu filho buscar a irmã. Ele disse que estava com muito medo, mas eu disse que não tinha jeito, precisava pegar a irmã porque o ônibus ia cair na ribanceira. Na hora que ele foi, o vizinho saiu com ela no colo”, explicou.
A tia de Maria Luiza sofreu um ferimento nas costas e continua internada, assim como a filha de 4 anos. Já a cunhada, o menino e a bebê receberam alta.
“Eu perdi minha filha por negligência do motorista. Pedimos tanto para ele não correr. Ele correu, eu perdi minha filha, minha irmã e dois amigos. Eu estava levando ela para conhecer a praia pela primeira vez e aconteceu a tragédia”, desabafou.
Procurada, a defesa da Estrela Guia Turismo afirmou que, neste momento, a empresa não fará manifestações sobre o caso. “Eventuais esclarecimentos e manifestações serão apresentados oportunamente nos autos dos processos dos quais a empresa venha a fazer parte”, comunicou.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) afirmou que o ônibus não tinha autorização para o transporte interestadual de passageiros. O órgão classificou a viagem como "clandestina".
O coletivo levava 49 pessoas, incluindo o motorista. O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes informou que recebeu 13 feridos no acidente, sendo que oito já receberam alta. Duas crianças, duas mulheres e um homem continuam internados na unidade. A direção pontuou que, no momento, não informará a identidade dos pacientes e nem o quadro de saúde com o intuito de preservar as vítimas e seus parentes.
Outras onze pessoas foram encaminhadas ao Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, e seis receberam alta. Outras cinco permanecem sob os cuidados médicos. Procurada, a unidade comunicou que também não divulgará informações individuais sobre os casos. “Novas atualizações poderão ser fornecidas oportunamente, conforme evolução do atendimento”, concluiu.
A 105ª DP (Petrópolis) investiga o caso. De acordo com a Polícia Civil, os corpos de nove vítimas fatais foram encaminhados ao Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC) de Petrópolis, onde passam por exames periciais. O corpo da décima vítima foi levado ao PRPTC de Nova Iguaçu. O motorista recebeu atendimento em uma unidade de saúde.
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