Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos, um dos entregadores que agrediu o ciclista Cláudio RafaelReginaldo Pimenta/Agência O Dia
Publicado 22/08/2026 14:49 | Atualizado 22/08/2026 15:21
Rio - O entregador Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos, admitiu, em depoimento à Polícia Civil, ter participado das agressões contra o ciclista Cláudio Rafael Landeiro. Em declaração prestada à 12ª DP (Copacabana), nesta sexta-feira (21), logo após a sua prisão, ele afirmou que segurou Cláudio para impedir sua fuga, ajudou a derrubá-lo e desferiu quatro chutes em suas costas.
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Ao mesmo tempo, Felipe atribuiu ao segurança Davi Santos Machado a responsabilidade pela escalada da violência que terminou na morte de Cláudio. Segundo ele, o segurança teria indicado o ciclista como autor de um suposto furto de bicicleta e iniciado as agressões com um taco de madeira.

De acordo com o depoimento, Felipe trabalhava fazendo entregas por aplicativo na noite de 11 de agosto. Ele aguardava uma nova corrida na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, quando outro entregador informou que um segurança estaria perseguindo um suposto ladrão de bicicletas na Rua Barata Ribeiro.

Felipe contou que seguiu para o local acompanhado de outro entregador. Ao chegarem, encontraram o segurança caminhando com um pedaço de madeira nas mãos.

Segundo sua versão, o homem apontou a direção tomada pelo suposto ladrão e disse: "O cara estava roubando bicicleta. Foi na direção da Princesa Isabel".

Vídeo gravado por Felipe

O entregador afirmou que ele e o outro motociclista seguiram até a Rua Felipe de Oliveira, onde encontraram Cláudio caminhando pela calçada.

Ainda segundo o depoimento, os dois passaram a questionar a vítima sobre a bicicleta, mas não receberam resposta. Felipe disse ter percebido que o homem aparentava nervosismo e acreditou que ele já havia sido agredido anteriormente.

Pouco depois, Felipe gravou um vídeo mostrando Cláudio sentado na entrada de um prédio. Nas imagens, segundo relatou à polícia, ele aparece chamando a atenção de outros entregadores, enquanto o colega diz que se trata de um ladrão. Instantes depois, o segurança surge no local e confirma que aquele seria o homem que procurava. Foi a partir desse momento, segundo Felipe, que as agressões começaram.

'Parecia estar endemoniado'

O entregador afirmou que, quando Cláudio tentou fugir, ele o segurou para impedir que escapasse. Em seguida, ajudou a derrubá-lo e desferiu quatro chutes na região das costas.

Felipe também admitiu ter revistado os bolsos da vítima após as agressões e encontrado apenas uma carteira contendo papéis. Segundo ele, o objeto foi descartado posteriormente.

Em seu relato, o entregador afirmou que decidiu deixar o local ao perceber a intensidade da violência empregada pelo segurança.

"Fiquei com medo de que o segurança acabasse matando a vítima", declarou.

Segundo Felipe, Davi golpeava Cláudio repetidamente com um taco de madeira, principalmente na cabeça.

O entregador afirmou ainda que chegou a cogitar ajudar o ciclista, mas não interveio por receio da reação do segurança, que, segundo suas palavras, parecia estar "endemoniado".

Versão reforça linha investigativa

O depoimento de Felipe reforça a principal linha de investigação da Polícia Civil, que aponta Davi Santos Machado como a pessoa que mobilizou os entregadores e conduziu a perseguição contra Cláudio.

Na sexta-feira, o delegado Ângelo Lages afirmou que os entregadores não chegaram ao local por acaso e foram acionados pelo segurança após ele afirmar que havia um "ladrão de bicicleta" na região. Segundo a polícia, a suspeita de furto nunca foi comprovada.

Os investigadores também apuram a participação individual de cada envolvido e buscam identificar outras pessoas que aparecem nas imagens registradas por câmeras de segurança.
Embora admita participação direta nas agressões, Felipe sustenta que não teve intenção de matar Cláudio e afirma que foi induzido a erro pelo segurança.

Segundo ele, a certeza de que estava diante de um ladrão foi determinante para sua atuação. O entregador declarou ainda que acreditava que os quatro chutes desferidos contra as costas da vítima não seriam capazes de provocar lesões graves.
Ontem (21) foi preso também o último suspeito de participar das agressões, Aílton José da Silva. Porém, segundo a polícia, ficou em silêncio durante o depoimento. 

Relembre o caso

Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, foi abordado na madrugada de 11 de agosto após ser suspeito de ter furtado uma bicicleta na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana.

Segundo a investigação, ele foi perseguido até a Rua Felipe de Oliveira, onde sofreu uma sequência de agressões com socos, chutes e golpes de madeira.

A Polícia Civil afirma que a vítima recebeu ao menos 57 pauladas. Cláudio foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas morreu em decorrência de traumatismo craniano e hemorragia interna.

Os quatro investigados pelo crime já foram presos e respondem por homicídio triplamente qualificado. A investigação continua para esclarecer a participação de cada envolvido e identificar outros possíveis autores das agressões.
A reportagem de O DIA entrou em contato com as defesas de Felipe e Ailton e aguarda retorno. O espaço segue aberto. 
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