Delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), investiga caso de espancamento em CopacabanaCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
"O que já conseguimos descobrir é que o Davi contactou esses entregadores pessoalmente. Eles estavam passando pela Avenida quando ele [Davi] disse que havia um ladrão de bicicleta. Os entregadores foram para o local e chegaram primeiro à Rua Felipe de Oliveira. Logo depois, o Davi correu para lá. Foi naquele ponto que a vítima acabou assassinada" disse o delegado.
Felipe é apontado como um dos entregadores que aparecem nas imagens agredindo Cláudio. Com a prisão, três dos quatro investigados já estão sob custódia. O único foragido é Ailton José da Silva, de 24 anos.
Além dos motoboys, a polícia investiga a atuação dos seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, que já estão presos. Segundo Ângelo Lages, o depoimento de Jorge trouxe novos elementos para a investigação.
O preso afirmou que foi acionado por Davi após a suspeita de que a bicicleta utilizada por Cláudio seria roubada. Segundo sua versão, ele retirou a bicicleta do local e a guardou em seu local de trabalho enquanto aguardava a chegada do suposto proprietário. Depois, teria retornado à cena e presenciado as agressões.
"Não há imagens do Jorge agredindo diretamente a vítima. Mas temos registros posteriores que mostram ele deixando o local ao lado do Davi, ambos carregando porretes. Isso está sendo analisado dentro do contexto da investigação", explicou o delegado.
Segurança clandestina sob investigação
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é a possível existência de uma rede informal de seguranças atuando nas ruas de Copacabana. Segundo a polícia, imagens mostram Davi entrando em um estabelecimento comercial na Rua Barata Ribeiro e saindo com o pedaço de madeira usado nas agressões.
"A segurança privada só pode ser exercida dentro dos limites do estabelecimento. Em via pública, esse tipo de atuação é clandestina. Já identificamos comerciantes que contratavam esse serviço e eles serão ouvidos para esclarecer o grau de envolvimento que tinham com essa atividade" disse Ângelo Lages.
O delegado confirmou ainda que comerciantes da região deverão prestar depoimento para explicar a relação com os seguranças investigados. Segundo Lages, Davi admitiu em depoimento que entrou em um estabelecimento para buscar um porrete que foi usado no espancamento. "Queremos saber até que ponto esses comerciantes incentivavam ou tinham conhecimento dessa atuação. Isso também será apurado" afirmou.
Mais suspeitos podem ser identificados
A Polícia Civil também trabalha para identificar outras pessoas que aparecem nas imagens da agressão. Entre elas está um homem que, segundo a investigação, aparece dando um chute na cabeça de Cláudio quando ele já estava caído e sem condições de reagir.
"Nada ficará sem apuração. Existem outras pessoas que aparecem nas imagens e todas terão a participação analisada. Temos 30 dias para concluir essa etapa da investigação e aprofundar essas circunstâncias". destacou o delegado.
Outra linha de investigação busca esclarecer se houve omissão de testemunhas. Imagens mostram diversas pessoas passando pelo local enquanto Cláudio era espancado.
A polícia pretende identificar quem acionou o Corpo de Bombeiros e verificar se alguém deixou de prestar socorro à vítima.
Relembre o caso
Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, saiu de casa, em Botafogo, na noite de 11 de agosto para um passeio de bicicleta. O veículo pertencia a uma de suas irmãs.
Ao passar pela Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, ele foi abordado pelo segurança Davi Santos Machado, que suspeitou que a bicicleta fosse produto de roubo. Segundo familiares, Cláudio tinha transtornos mentais e não conseguiu explicar que a bicicleta era da própria família. A partir dali, a situação escalou rapidamente.
Segundo a investigação, Davi acionou Jorge Luiz Ricardo Dias e abordou dois entregadores que passavam pela região. Cláudio acabou sendo levado até a Rua Felipe de Oliveira, onde sofreu uma sequência brutal de agressões. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi cercada, imobilizada e atacada com pedaços de madeira, socos e chutes. A análise da polícia aponta que Cláudio recebeu ao menos 57 pauladas. Mesmo depois de cair desacordado, continuou sendo agredido.
O ciclista foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas morreu em consequência de traumatismo craniano e hemorragia interna.
Os investigados responderão por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. A Polícia Civil continua em busca de Ailton José da Silva, apontado como o quarto participante do espancamento.





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