PM anuncia ocupação por tempo indeterminado no Complexo de IsraelReprodução/RJTV2
Publicado 22/08/2026 20:18
Rio - A Polícia Militar retirou quase 10 toneladas de barricadas durante as ações realizadas neste sábado (22) no Complexo de Israel, na Zona Norte. As equipes do Comando de Operações Especiais (COE) removeram seis estruturas instaladas para dificultar o acesso das forças de segurança, desobstruíram duas vias, fecharam três valas e demoliram uma estrutura usada para impedir a circulação dos policiais.
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A operação ocorre um dia depois de a corporação anunciar a ocupação da região por tempo indeterminado. A medida foi adotada após a ação realizada na sexta-feira (21), que mobilizou cerca de 200 policiais nas comunidades Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas e foi marcada por intenso tiroteio, apreensão de explosivos e recuperação de veículos roubados.

Segundo a PM, somente na sexta-feira foram retiradas aproximadamente sete toneladas de barricadas e recuperados nove veículos roubados. Os policiais também encontraram artefatos explosivos instalados em barricadas, veículos com seteiras, uma estufa para cultivo de maconha e drogas.

Já neste sábado, equipes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) localizaram materiais que seriam utilizados na produção de lança-perfume. Policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC), com auxílio dos cães Nila e Ira, também encontraram material entorpecente. A ocorrência foi encaminhada para a 22ª DP (Penha).

Ocupação por tempo indeterminado

A permanência das forças especiais na região foi anunciada pela PM após o confronto de sexta-feira. Na ocasião, criminosos atiraram contra os policiais, e a Avenida Brasil precisou ser interditada temporariamente na altura de Cordovil. O bloqueio provocou congestionamentos e reflexos no trânsito até a região da Ceasa, em Irajá.

Durante a operação, um motorista de ônibus foi baleado no ombro quando chegava para trabalhar na garagem da Viação Caprichosa, em Parada de Lucas. Ele foi socorrido e levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, em estado estável. Um homem também morreu durante um confronto com os policiais. Segundo a PM, com ele foram apreendidos um fuzil e uma pistola.

De acordo com a corporação, a ocupação tem como objetivos ampliar a segurança na região, conter disputas territoriais entre grupos criminosos, combater o roubo de veículos, garantir o direito de ir e vir dos moradores e reforçar a presença do Estado. O término da operação ainda não tem data definida e será avaliado pelo Comando da Corporação.
Rotina de crimes e violência 
A região vive uma intensa onda de violência, com confrontos frequentes entre suspeitos do Terceiro Comando Puro (TCP) e do Comando Vermelho (CV). O Complexo de Israel é formado por cinco comunidades: Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas e Pica-pau. O chefe da região é Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão.
Conhecido por sua intolerância contra praticantes de religiões de matriz africana, ele costuma expulsar moradores de suas áreas de influência simplesmente por exercer a religião, determinando a invasão e depredação de centros religiosos dedicados à citada devoção.
A religiosidade de Peixão é tamanha que ele se auto-intitula como Arão, o profeta de Deus, irmão de Moisés. O nome foi assumido também pela sua quadrilha que se autodenomina 'Tropa do Arão'. O próprio nome, Complexo de Israel, seria uma referência à terra prometida.
Outro exemplo está nos símbolos usados para marcar seus territórios: a bandeira de Israel e a Estrela de Davi. Esses símbolos geralmente estão colocados em pontos altos das comunidades, como na Cidade Alta, onde foi instalada uma Estrela de Davi que pode ser vista há mais de 2,5km de distância. Peixão é um dos suspeitos mais procurados do Brasil e também é investigado por terrorismo. 
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