Publicado 30/09/2026 11:47
Familiares de Tifany Vitória Resende de Oliveira, 17 anos, denunciam episódios de violência obstétrica na Maternidade Municipal Leila Diniz, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Ao DIA, a mãe da adolescente, Priscilla Resende, 32 anos, contou que a filha sofreu uma laceração após o parto e recebeu entre 78 e 80 pontos na região lesionada. Posteriormente, após retornar à unidade por complicações, a jovem precisou utilizar uma bolsa de colostomia.
PublicidadeSegundo a mãe, Tifany foi internada no dia 31 de agosto e deu à luz no dia seguinte. Inicialmente, ela recebeu alta em 3 de setembro, mas ao retornar para atendimento no último dia 23, permaneceu sob cuidados médicos. No momento, o estado de saúde dela é estável.
"Ela teve um parto normal, forçaram o parto dela, a criança era grande demais. A promessa foi, no dia 31, que seria cesariana porque ela estava com diabetes gestacional. Quando entraram com ela, depois da internação, começaram a induzir o parto, colocaram comprimidos. Enfim, ela foi ganhar neném no dia 1º, depois de 22 horas de trabalho de parto, e houve uma laceração. Correram com ela para o centro cirúrgico porque ela teve uma hemorragia. Aí, a doutora me passou que ela ganhou de 78 a 80 pontos, que futuramente precisaria fazer fisioterapia pélvica e que a laceração dela era de nível 3”, explicou.
Na ocasião, Priscilla relata que a médica teria informado que, apesar dos pontos, a filha poderia ter uma vida normal após o período de recuperação. Depois do procedimento cirúrgico, Tifany foi encaminhada ao quarto, conseguiu amamentar o recém-nascido e permaneceu aparentemente estável, recebendo alta no dia 3.
"Ela foi para casa sentindo uma dor de pós-parto normal, como toda mulher. No dia 6 de setembro, foi a primeira vez que ela evacuou, mas a vagina estava muito inchada e a gente não estava conseguindo ver a gravidade do caso. Na hora de evacuar, ela sentiu muita dor. Na nossa cabeça, o ponto tinha arrebentado, mas foi de mal a pior. Ela começou a sentir muitas dores e voltamos com ela no dia 8 de setembro à maternidade. A médica examinou, passou um spray, falou que era normal e mandou ela de volta para casa", acrescentou.
Após retornar para casa, a adolescente continuou sentindo fortes dores e apresentou secreção na região. A família chegou a procurar uma Clínica da Família no dia 11 de setembro. Segundo Priscilla, a situação se agravou nos dias seguintes.
"Lá explicaram que a situação estava bem grave. A médica passou cinco dias de antibiótico e mandou retornar ao hospital se não melhorasse. Ela tomou, só foi piorando e evacuando sem sentir. Eu voltei com ela no dia 14 à clínica. Pediram para segurar o antibiótico até quarta-feira, mas nada adiantava. Então, voltei com ela para a maternidade no dia 18. Pegaram ela com uma secreção muito grave, muito forte. Estava saindo dela como se ela estivesse menstruada, saía muito pus e as fezes estavam saindo pela vagina. Estava uma coisa horrenda", afirmou a mãe.
Priscilla também relata que, durante o período em que buscava atendimento para a filha, ouviu de uma médica que uma adolescente de 17 anos não deveria estar tendo filhos. Segundo ela, a internação só ocorreu após insistência da família, que temia que a jovem recebesse uma nova alta para continuar o tratamento em casa.
"Internaram ela com a promessa de sete dias de antibiótico e anti-inflamatório para fazer o reparo, porque eles não costuraram na parte de fora, mas a gente não sabia o tamanho da gravidade. A laceração foi até o reto dela e eles não costuraram. Ficavam falando que isso era normal, que era impressão minha. Não examinaram ela, não deram assistência profunda. Iam dar alta para ela porque a maternidade estava muito cheia e falaram que não ia precisar fazer reparo porque era estética. Minha filha evacuou na frente da médica, sem sentir, no dia 23.”
A adolescente permanece internada na maternidade desde então. Segundo Priscilla, somente após esse episódio a família teria sido informada sobre a gravidade da lesão e a necessidade de uma colostomia.
"Só no dia 23 que viram a gravidade. Hoje, minha filha se encontra com uma bolsa de colostomia na barriga. Não tem previsão de quando vai tirar, não sabe se vai voltar ao normal. Eles prometem uma cirurgia de reparo e não vão cumprir. O cirurgião falou que pode ficar até seis meses. Como que uma menina de 17 anos, uma adolescente, entra em uma maternidade para ganhar um filho e sai com uma bolsa de colostomia?", questionou.
"Ela teve um parto normal, forçaram o parto dela, a criança era grande demais. A promessa foi, no dia 31, que seria cesariana porque ela estava com diabetes gestacional. Quando entraram com ela, depois da internação, começaram a induzir o parto, colocaram comprimidos. Enfim, ela foi ganhar neném no dia 1º, depois de 22 horas de trabalho de parto, e houve uma laceração. Correram com ela para o centro cirúrgico porque ela teve uma hemorragia. Aí, a doutora me passou que ela ganhou de 78 a 80 pontos, que futuramente precisaria fazer fisioterapia pélvica e que a laceração dela era de nível 3”, explicou.
Na ocasião, Priscilla relata que a médica teria informado que, apesar dos pontos, a filha poderia ter uma vida normal após o período de recuperação. Depois do procedimento cirúrgico, Tifany foi encaminhada ao quarto, conseguiu amamentar o recém-nascido e permaneceu aparentemente estável, recebendo alta no dia 3.
"Ela foi para casa sentindo uma dor de pós-parto normal, como toda mulher. No dia 6 de setembro, foi a primeira vez que ela evacuou, mas a vagina estava muito inchada e a gente não estava conseguindo ver a gravidade do caso. Na hora de evacuar, ela sentiu muita dor. Na nossa cabeça, o ponto tinha arrebentado, mas foi de mal a pior. Ela começou a sentir muitas dores e voltamos com ela no dia 8 de setembro à maternidade. A médica examinou, passou um spray, falou que era normal e mandou ela de volta para casa", acrescentou.
Após retornar para casa, a adolescente continuou sentindo fortes dores e apresentou secreção na região. A família chegou a procurar uma Clínica da Família no dia 11 de setembro. Segundo Priscilla, a situação se agravou nos dias seguintes.
"Lá explicaram que a situação estava bem grave. A médica passou cinco dias de antibiótico e mandou retornar ao hospital se não melhorasse. Ela tomou, só foi piorando e evacuando sem sentir. Eu voltei com ela no dia 14 à clínica. Pediram para segurar o antibiótico até quarta-feira, mas nada adiantava. Então, voltei com ela para a maternidade no dia 18. Pegaram ela com uma secreção muito grave, muito forte. Estava saindo dela como se ela estivesse menstruada, saía muito pus e as fezes estavam saindo pela vagina. Estava uma coisa horrenda", afirmou a mãe.
Priscilla também relata que, durante o período em que buscava atendimento para a filha, ouviu de uma médica que uma adolescente de 17 anos não deveria estar tendo filhos. Segundo ela, a internação só ocorreu após insistência da família, que temia que a jovem recebesse uma nova alta para continuar o tratamento em casa.
"Internaram ela com a promessa de sete dias de antibiótico e anti-inflamatório para fazer o reparo, porque eles não costuraram na parte de fora, mas a gente não sabia o tamanho da gravidade. A laceração foi até o reto dela e eles não costuraram. Ficavam falando que isso era normal, que era impressão minha. Não examinaram ela, não deram assistência profunda. Iam dar alta para ela porque a maternidade estava muito cheia e falaram que não ia precisar fazer reparo porque era estética. Minha filha evacuou na frente da médica, sem sentir, no dia 23.”
A adolescente permanece internada na maternidade desde então. Segundo Priscilla, somente após esse episódio a família teria sido informada sobre a gravidade da lesão e a necessidade de uma colostomia.
"Só no dia 23 que viram a gravidade. Hoje, minha filha se encontra com uma bolsa de colostomia na barriga. Não tem previsão de quando vai tirar, não sabe se vai voltar ao normal. Eles prometem uma cirurgia de reparo e não vão cumprir. O cirurgião falou que pode ficar até seis meses. Como que uma menina de 17 anos, uma adolescente, entra em uma maternidade para ganhar um filho e sai com uma bolsa de colostomia?", questionou.
Por fim, a mãe reforça que a lei tem que ser cumprida. Ela registrou o caso na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá no último sábado (26) após orientação de um advogado.
"Eu estou pensando mais na saúde da minha filha, quero que ela melhore, mas vou pedir todo apoio psicológico e físico para ela, todo reparo possível. Ela meio que está colocando a culpa no neném, não quer amamentar, sabe? Ela está começando a amamentar agora porque eu estou conversando muito com ela. Demorou muito para uma psicóloga vir conversar com ela. Então, eu vou correr atrás de todo reparo possível e de todos os direitos da minha filha", destacou.
Priscilla ainda reforçou que a filha teve uma gravidez tranquila e que não esperava passar por tanto sofrimento.
"Mesmo descobrindo a diabetes no início da gravidez, ela teve uma gestação tranquila, ficou só na dieta e não precisou de insulina. Ela ficou super bem durante toda a gravidez, estudou, fez pré-natal... Ela é uma garota nova, saudável, alegre, brincalhona e vaidosa. E, assim, ela deu entrada na Maternidade Leila Diniz no dia 31, por volta de 13h, e hoje se encontra com uma bolsa de colostomia na barriga. Só chora e não quer dar de mamar para a criança. Ela operou na sexta-feira passada, hoje já é quarta, e só agora apareceu um psicólogo para ela. Eles estavam fazendo pouco caso. A verdade é essa", finalizou.
"Mesmo descobrindo a diabetes no início da gravidez, ela teve uma gestação tranquila, ficou só na dieta e não precisou de insulina. Ela ficou super bem durante toda a gravidez, estudou, fez pré-natal... Ela é uma garota nova, saudável, alegre, brincalhona e vaidosa. E, assim, ela deu entrada na Maternidade Leila Diniz no dia 31, por volta de 13h, e hoje se encontra com uma bolsa de colostomia na barriga. Só chora e não quer dar de mamar para a criança. Ela operou na sexta-feira passada, hoje já é quarta, e só agora apareceu um psicólogo para ela. Eles estavam fazendo pouco caso. A verdade é essa", finalizou.
Procurada, a Polícia Civil informou que a ocorrência foi encaminhada para a 16ª DP (Barra da Tijuca), que dá prosseguimento à investigação. Diligências estão em andamento para apurar os fatos.
O que diz o hospital?
Segundo a direção da Maternidade Leila Diniz, não havia indicação de cesariana e o parto normal ocorreu sem intercorrências imediatas. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a paciente retornou ao hospital 17 dias depois com sinais de uma complicação que, infelizmente, podem ocorrer.
"O caso foi discutido pela equipe assistencial da maternidade, com parecer da Cirurgia Geral do Hospital Municipal Lourenço Jorge, e a paciente está estável e recebendo todo o cuidado para o quadro. Ela passou por cirurgia e foi feita uma colostomia, necessária para prevenir infecção no local e favorecer a cicatrização. O bebê está saudável e segue ao seu lado na unidade", explicou.
Ainda em comunicado, a direção lamentou o ocorrido e reforçou que a mãe da paciente foi acolhida pela coordenação médica e recebeu os esclarecimentos sobre a complicação, sobre o tratamento que está sendo feito e sobre o acompanhamento após a alta hospitalar.
"O caso foi discutido pela equipe assistencial da maternidade, com parecer da Cirurgia Geral do Hospital Municipal Lourenço Jorge, e a paciente está estável e recebendo todo o cuidado para o quadro. Ela passou por cirurgia e foi feita uma colostomia, necessária para prevenir infecção no local e favorecer a cicatrização. O bebê está saudável e segue ao seu lado na unidade", explicou.
Ainda em comunicado, a direção lamentou o ocorrido e reforçou que a mãe da paciente foi acolhida pela coordenação médica e recebeu os esclarecimentos sobre a complicação, sobre o tratamento que está sendo feito e sobre o acompanhamento após a alta hospitalar.
"A direção segue à disposição da paciente e sua família para quaisquer outras informações e assistência necessária", ressaltou.
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.