Enaldo Barreto acredita que o Festival do Abacaxi geree uma injeção de capital no comércio, na rede hoteleira e na gastronomia Foto Ascom/Divulgação
Publicado 08/08/2026 11:56
São Francisco/Região – A região Norte Fluminense ocupa o 1º lugar isolado na produção de abacaxi do estado do Rio de Janeiro e também lidera expressivamente o cultivo histórico e recente de maracujá. O protagonismo destaca o estado entre os maiores produtores do Brasil, aparecendo São Francisco de Itabapoana como o 2º maior município abacaxicultor em nível nacional.
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Motivando a busca pelo selo de Indicação Geográfica (IG) do abacaxi do Norte Fluminense, além de São Francisco, São João da Barra, Campos dos Goytacazes e Quissamã formam um dos maiores cinturões contínuos da fruta no país. As participações dos respectivos governos, com programas específicos de apoio e incentivo, têm sido consideradas fundamentais.
O Norte Fluminense chega a responder historicamente por mais de 70% de todo o maracujá colhido no estado. A região apresenta níveis de produtividade por hectare superiores à média de vários estados produtores, impulsionada por pesquisas locais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e por projetos de fomento como o Programa Frutificar, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (Seappa).
A marca de São Francisco de Itabapoana – com cerca de 47 mil habitantes e área territorial de 1.118,037 quilômetros quadrados – na fruticultura reflete-se no sucesso do Festival do Maracujá, realizado pela Secretaria Municipal de Agricultura há 38 anos, e do 1º Festival do Abacaxi e da Farinha, organizado pela MB Eventos com apoio da prefeitura.
A posição de São Francisco no ranking nacional e estadual, como referência agrícola absoluta dessas duas culturas no estado do Rio de Janeiro, pesou na escolha do município para a realização do evento, de 21 a 23 de agosto, na Praça dos Três Poderes, localizada no centro da cidade, que ganha a oportunidade de ampliar sua projeção nacional unindo gastronomia, turismo e negócios.
MOMENTO CRUCIAL – Na opinião do secretário de Agricultura, Enaldo Vieira Barreto, o Festival do Abacaxi celebra a identidade econômica da região e coroa um momento histórico de valorização para os produtores locais. Ele reforça que o município é o maior produtor de abacaxi do estado e o segundo de todo o Brasil, além de ser reconhecido pela excelência da sua farinha de mandioca.
Barreto realça que a cidade vive um momento crucial com o avanço para a obtenção do selo de IG, tanto para a farinha quanto para o abacaxi. Ele acredita que o evento tem o potencial de consolidar a identidade agrícola sanfranciscana focada nas duas culturas e até de abrir mercados internacionais, coroando um plano histórico de ambas.
Economicamente, o secretário aponta três pilares principais que o festival pode representar para o município: valorização dos produtores, facilitando para que eles fechem negócios sem a necessidade de intermediários; inovação técnica, coincidindo com a introdução da variedade BRS Imperial; e injeção de capital no comércio, na rede hoteleira e na gastronomia.
Em dezembro de 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou São Francisco como um importante produtor de abacaxi e mandioca no contexto regional, com as produções recebendo reconhecimento de Indicação Geográfica (IG). A produção anual de abacaxi estimada era de 70 milhões de pés. O município aparecia como capital do agronegócio do estado do Rio.
ENTREVISTA / ENALDO VIEIRA BARRETO
O que a posição de São Francisco no ranking de produção agrícola representa para a economia do município e a geração de empregos?
Enaldo BarretoComo líder absoluto do estado do Rio de Janeiro (gerando cerca de 85% a 90% da colheita fluminense) e segundo maior produtor de abacaxi do Brasil (com mais de 107 mil toneladas), essa posição de destaque transforma a abacaxicultura no verdadeiro motor econômico e social do município.
Quanto aos impactos na economia, o abacaxi responde por quase 60% de toda a produção agrícola municipal, superando com folga outras culturas tradicionais da região, como a cana-de-açúcar, a mandioca e o maracujá.
Graças ao topo do ranking, entidades de peso como a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Rio) financiam pesquisas locais, introduzindo novas mudas resistentes (como a variedade BRS Imperial) e técnicas para profissionalizar o campo.
O município está conquistando o selo de Indicação Geográfica (IG) para o seu abacaxi junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Na prática, isso transforma a posição de liderança em um selo de qualidade que aumenta as margens de lucro dos agricultores e abre portas para a exportação.
O dinheiro das safras é imediatamente injetado nos setores locais de comércio e serviços, que dependem diretamente do poder de compra das famílias rurais. A liderança nacional não é sustentada por megacorporações, mas sim por centenas de pequenos e médios produtores familiares assentados e comunidades tradicionais. Isso distribui a renda diretamente na base da sociedade.
O cultivo e a colheita do abacaxi demandam muita mão de obra manual intensa. Isso gera milhares de postos de trabalho indiretos e sazonais para trabalhadores agrícolas locais e de municípios vizinhos. O setor movimenta vagas indiretas vitais, como transporte de carga (caminhoneiros), venda de insumos agrícolas, fabricação de caixas e embalagens, e manutenção de maquinário.
Como está funcionando a entrega das novas mudas de abacaxi BRS Imperial em parceria com a Emater-Rio?
EBA primeira etapa de entregas foi praticamente concluída. Contudo, devido às condições climáticas adversas atuais, estamos aguardando o retorno das chuvas para que a distribuição seja finalizada. O município de São Francisco de Itabapoana, novamente, enfrenta um período de longa estiagem. É lamentável o veto presidencial ao projeto que configuraria o clima semiárido para a região norte e noroeste fluminense.
Qual é a meta de plantio dessa nova variedade, que é mais resistente à fusariose no município?
EBA meta segue o planejamento de substituição gradual e apoio técnico contínuo aos produtores para garantir a adaptação segura da cultivar às áreas afetadas pela doença.
Os produtores tradicionais da variedade Pérola estão recebendo suporte para migrar ou testar esse novo cultivo?
EBOs produtores que receberam as mudas estão recebendo suporte e assistência técnica da Emater.
Em que pé está o processo da Denominação de Origem/Indicação Geográfica do abacaxi do Norte Fluminense?
EBO processo de Indicação Geográfica encontra-se atualmente no INPI, pois foram pedidas novas informações técnicas da cultura, as quais já foram encaminhadas ao órgão para que o processo seja finalizado.
Como a prefeitura ajuda a escoar a produção local para grandes centros de fora do estado?
EBAtualmente, são carregados cerca de 8 a 10 mil caminhões de abacaxi por safra, e é inviável a prefeitura prestar apoio logístico direto nesse sentido. Porém, indiretamente, a prefeitura faz a manutenção de cerca de 2.000 quilômetros de estradas vicinais por onde a produção é escoada.
Existe um estudo para implementarmos, em parceria com a Associação dos Produtores de Abacaxi, um programa de empréstimo de corretivos e fertilizantes para produtores familiares de até 1 hectare, em que o insumo seria devolvido após a colheita dos frutos. A secretaria hoje conta com uma funcionária responsável que faz a coleta de solo para os produtores e está em tratativas com o Instituto Federal Fluminense (IFF) para a implementação do programa Solo Vivo, que fará a análise a custo zero para agricultores familiares.
Existe algum plano para ajudar o produtor a lidar com o alto custo dos insumos agrícolas?
EB – Sim, hoje há os programas do governo federal Pronaf e Pronampe, que atendem os produtores, e o programa estadual Agrofundo. Na ajuda à comercialização, existem programas de apoio institucional e de garantia de preços.
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