Niterói: Eduardo estava desarmado e fugia a pé quando foi atingido por dois disparos efetuados pelo policialReprodução/Internet
Publicado 25/08/2026 09:21
São Gonçalo - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, nesta segunda-feira (24), o policial militar Vinicius Vieira Moraes pela morte do vidraceiro e motorista de aplicativo Eduardo de Castro Ornellas, de 26 anos, durante uma perseguição em São Gonçalo. A denúncia foi recebida pela 4ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo.

Segundo o MPRJ, Eduardo estava desarmado e fugia a pé quando foi atingido por dois disparos efetuados pelo policial. O segundo tiro atingiu a região do pescoço e provocou a morte do jovem. O caso aconteceu na Rua Monsenhor Benedito Marinho, no bairro Pacheco, na tarde de 31 de maio deste ano. Ainda de acordo com a denúncia, durante a perseguição, o policial teria gritado “vai morrer” mais de uma vez antes de realizar os disparos.

Para o Ministério Público, imagens de câmeras de segurança, perícias e depoimentos reunidos durante a investigação indicam que Eduardo foi atingido pelas costas e não tinha condições de se defender. Imagens de uma câmera de segurança mostram momentos de correria, gritos e disparos registrados segundos antes da morte de Eduardo.

Segundo o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ), Eduardo estava em uma motocicleta com a namorada na garupa quando os dois foram alvo de uma tentativa de abordagem policial.

O jovem teria acelerado, perdido o controle da motocicleta e caído. Em seguida, passou a fugir a pé. A namorada permaneceu no local ferida, enquanto Vinicius e outros policiais seguiram na perseguição. De acordo com a família, Eduardo estava a cerca de 300 metros da casa da mãe quando recebeu a ordem de parada. O tio da vítima, Dihm Peterson, afirmou que o sobrinho teria ficado nervoso porque o documento da motocicleta estava atrasado e o veículo era utilizado para trabalhar.

Após a queda, Eduardo teria visto a namorada ferida e fugido correndo. Ela recebeu atendimento médico e teve alta, mas o jovem não resistiu aos ferimentos.

Família contesta versão da abordagem
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Familiares afirmam que Eduardo nunca teve envolvimento com crimes. Segundo o tio, ele trabalhava como vidraceiro e fazia corridas como motorista de aplicativo nas horas vagas. Dihm também relatou que o policial responsável pelos disparos teria admitido ao pai de Eduardo que confundiu um celular na cintura do jovem com uma arma. “A desculpa do policial para o pai, com o corpo do filho ao lado, foi que confundiu o celular na cintura com uma arma. Disse: ‘eu matei porque ele colocou a mão na cintura, depois fui ver que era um celular’”, relatou o tio ao Enfoco na ocasião.

Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar, o Comando da Corporação determinou, à época dos fatos, o afastamento imediato do policial envolvido. A Corregedoria-Geral da Corporação também instaurou um procedimento para analisar as circunstâncias da ocorrência envolvendo equipes do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom).

A PM informou ainda que o agente responde a um procedimento administrativo disciplinar (PAD), que avalia a possibilidade de permanência dele nos quadros da corporação. A corporação afirmou que não compactua com desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes e que os envolvidos são punidos quando os fatos são devidamente constatados.

PM responderá por homicídio qualificado
De acordo com o Ministério Público, Vinicius responderá por homicídio qualificado pelo recurso que teria dificultado a defesa da vítima e pelo emprego de arma de fogo de uso restrito. A pedido do GAESP/MPRJ, o policial também foi afastado cautelarmente das atividades operacionais armadas.

A reportagem buscou contato com a defesa do citado, através de pesquisas na internet e redes sociais, porém não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações. 
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