As agremiações tradicionais encantam o público com o luxo de suas fantasias, enredos ancestrais e desfiles brilhantes Foto Gomes/Arquivo
Publicado 06/09/2026 10:00
São João da Barra - Enquanto as grandes metrópoles apostam em megablocos e na comercialização do espaço público, o município de São João da Barra, no Norte Fluminense, trilha um caminho de sucesso preservando a essência da festa popular. Conhecido como o "Carnaval da Família", o evento atrai turistas de diversas regiões do país em busca de uma folia que une segurança, organização impecável e uma riqueza cultural única.
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O grande diferencial que emociona moradores e visitantes acontece na Avenida do Samba – a Joaquim Thomaz de Aquino Filho. É ali que ganha vida a histórica rivalidade pacífica entre o Congos e o Chinês, agremiações tradicionais que encantam o público com o luxo de suas fantasias, enredos ancestrais e os tradicionais fogos de bengala.
Através da Secretaria de Cultura, o governo municipal contribui para os desfiles façam a diferença na avenida. Prova disso é a liberação de quase R$ 1 milhão para dividir entre as principais agremiações. Já foram antecipados 50%, para que as escolas tenham maior tempo na execução dos trabalhos.
A grandiosidade cultural é tamanha que o carnaval sanjoanense já rompeu fronteiras, virando alvo recente de reportagens de emissoras internacionais de televisão. Além do espetáculo na passarela, a cidade pulsa com quase 20 blocos de rua na sede e nos distritos litorâneos, como Atafona, Grussaí e Açu.
IRREVERÊNCIA - Realçam a tradição as marcantes marchas-ranchos, comandadas por patrimônios locais como o Bloco dos Indianos. A descentralização da festa promovida pelo governo municipal garante que a economia local - da rede hoteleira ao pequeno comerciante - permaneça aquecida durante todo o período.
O carnaval de São João da Barra possui um forte histórico de irreverência moldado pelos "blocos de sujo" e por bonecas gigantes tradicionais, elementos fundamentais para a identidade da "Melhor Folia" do interior fluminense. O Rei Momo governa de fato a cidade durante os festejos, incentivado por tradicionais concursos públicos organizados pela prefeitura.
Os blocos de sujo representam a manifestação mais espontânea, democrática e antiga do carnaval sanjoanense. Nascidos da liberdade da cultura de rua, eles reúnem foliões sem a exigência de abadás ou fantasias luxuosas. O foco é a subversão bem-humorada. Historicamente, a principal marca desses blocos é a troca de papéis (homens vestidos de mulheres e vice-versa), além de fantasias improvisadas.
LENDAS VIVAS - Os grupos arrastam multidões pelas ruas do centro histórico e nos distritos litorâneos atrás dos trios elétricos e bandinhas de sopro, servindo como o termômetro da alegria popular no município. A abertura oficial do carnaval sanjoanense acontece tradicionalmente com a entrega simbólica da "Chave da Cidade" ao Rei Momo pela prefeita Carla Caputi.
As bonecas gigantes e blocos caricatos são lendas vivas da folia local, unindo sátira política, social e irreverência litorânea. A Boneca do Valdir é um dos patrimônios afetivos mais importantes de Grussaí. Após passar períodos históricos sem desfilar, seu retorno é sempre celebrado como o resgate da pura cultura de rua e da resistência carnavalesca.
Tradicionalmente, a boneca – criada em 1980 por iniciativa do médico Valdir Simões - arrasta uma multidão na Avenida Liberdade. O Bloco do Borracha Fraca é outro gigante da folia que arrasta milhares de foliões. Conhecido pelo uso de fantasias altamente criativas, marchinhas bem-humoradas e forte energia, faz história no circuito de praia do município. A expectativa criada pelo “Carnaval da Família” tem tudo a ver com a folia sadia.
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