Publicado 12/10/2026 14:47
O avanço implacável do mar em São João da Barra (RJ) “engole” cerca de oito metros do litoral por ano há mais de cinco décadas, gera prejuízos incalculáveis e faz o governo municipal correr contra o relógio em busca de solução. Um monitoramento de alta precisão já foi iniciado e centrais climatizadas foram criadas para integrar a comunidade aos estudos costeiros.
PublicidadeO cenário no litoral sanjoanense é de emergência crônica. Há mais de cinco décadas, o avanço do mar muda a geografia da região de Atafona, tomando mais de 500 imóveis e avançando por sete quarteirões. A Praia do Açu enfrenta dilema semelhante, com muros de proteção reduzidos a poucos centímetros devido à força das ressacas.
Visando conter o fenômeno e criar bases científicas sólidas para futuras obras de engenharia, o governo municipal, em cooperação técnica com o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) e por meio da execução da empresa SEACaruso, deu início na última semana aos levantamentos de campo do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea).
O investimento é de R$ 5,6 milhões, com a mobilização técnica já tendo começado oficialmente com a aprovação do plano de trabalho e o envio de uma equipe multidisciplinar com profissionais de 29 áreas diferentes para a orla. Os pesquisadores fazem as medições de correntes e dos níveis de água no Rio Paraíba do Sul, além do monitoramento sistemático de ondas, correntes marítimas e transporte de sedimentos no oceano.
O investimento é de R$ 5,6 milhões, com a mobilização técnica já tendo começado oficialmente com a aprovação do plano de trabalho e o envio de uma equipe multidisciplinar com profissionais de 29 áreas diferentes para a orla. Os pesquisadores fazem as medições de correntes e dos níveis de água no Rio Paraíba do Sul, além do monitoramento sistemático de ondas, correntes marítimas e transporte de sedimentos no oceano.
Também foi adotada uma estratégia inovadora de transparência e engajamento social com a instalação física da Central da Erosão Atafona e da Central da Erosão Açu. As unidades estão estruturadas em contêineres climatizados, funcionando de terça a sábado, servindo como pontos de acolhimento onde moradores e pescadores podem tirar dúvidas.
Próximos passos
Nas centrais é possível ainda acompanhar o cronograma das pesquisas por meio de QR Codes e contribuir ativamente com relatos históricos sobre os impactos do mar. O objetivo central do Evtea, previsto para durar 18 meses, é alimentar modelos matemáticos computacionais avançados, que vão simular a dinâmica costeira local e testar, de forma virtual, a eficácia de diferentes intervenções de engenharia.
De acordo com a Secretaria de Comunicação (Secom), as soluções em análise vão desde abordagens flexíveis e ecológicas, como a recuperação de dunas e o engordamento artificial das praias (alimentação artificial de areia), até estruturas rígidas de proteção (como os campos de espigões originalmente cogitados pelo INPH em anos anteriores).
O diferencial do novo estudo será avaliar o impacto socioeconômico e ambiental de cada alternativa para garantir que remediar um trecho não empurre a erosão para praias vizinhas. Com os equipamentos de medição oceanográfica já operando na água, o próximo passo imediato na agenda pública é o início do levantamento social.
A partir desta semana, as equipes técnicas começam a entrevistar pelo menos 211 moradores locais (175 em Atafona e 36 no Açu) para mapear detalhadamente como a degradação da costa afeta a pesca artesanal, a navegação, o turismo e o comércio regional. Com a conclusão do estudo, São João da Barra terá o embasamento legal exigido pelos órgãos reguladores ambientais para pleitear recursos junto ao governo federal.
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.