Publicado 30/07/2026 15:35
Volta Redonda - A Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos (SMDH) de Volta Redonda promoveu, nessa quarta-feira (29), o evento “Celebrando Mulheres Negras”, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, e de Tereza de Benguela”, ambos comemorados no dia 25 de julho. O evento aconteceu na sede da secretaria, no bairro Nossa Senhora das Graças, com roda de conversa, atividades culturais, de beleza, apresentação de capoeira com as alunas da Mestre Marciana, com a participação de crianças, adolescentes e a Melhor Idade.
PublicidadeA programação da Roda de Conversa com a Mãe Célia, do Centro Nossa Senhora da Guia, abriu o evento, seguindo com Almir Gonçalves Fernandes do Quilombo São José da Serra, a trancista Luana Domicio dos Santos (autora do Projeto Além das Tranças, que já é realizado em escolas municipais e terreiros de outros municípios).
Depois foi a vez de roda de capoeira com as alunas da Mestre Marciana (Márcia Regina dos Santos) com integrantes do Programa Curumim, da Casa da Criança e Adolescente, além do Instituto Dagaz, envolvendo aulas com as crianças, jovens e o grupo de convivência da terceira idade. Marciana trabalha também na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel), com aulas de capoeira.
A subsecretária da SMDH, Juliana Rodrigues, agradeceu a presença de todos presentes, falou da importância da valorização das mulheres negras na sociedade com a realização de políticas públicas, e citou o seu “compromisso pessoal de abrir oportunidades também para que outras mulheres negras possam ter êxito profissional nas suas carreiras e alcançar os seus objetivos pretendidos de reconhecimento e melhor qualidade de vida”.
Kátia Teobaldo, assessora técnica do Departamento de Políticas para Mulheres da SMDH, lembrou que “o ato comemorativo diz respeito a políticas públicas que representam dignidade, respeito e proteção para todas as mulheres negras, que merecem o apoio, a igualdade e o reconhecimento por toda a sociedade”.
Valorização das mulheres negras
Mãe Célia destacou a responsabilidade na abertura da Roda de Conversa, citou outras mulheres negras que lutaram contra o preconceito, o racismo, a intolerância – como Tereza e Dandara – e buscaram a valorização diante da sociedade brasileira.
“Antes não tinham espaços como temos hoje para falar das nossas lutas. Se o homem é o braço forte, a mulher é a fortaleza e a ternura. Somos guerreiras e vamos sempre à luta. Almejamos uma sociedade mais igualitária, mais justa, mais humana. A desigualdade é que faz acontecer toda essa violência contra a mulher. Numa sociedade patriarcal sempre foi o homem que decidiu tudo. Precisamos mudar isto com mais mulheres nos poderes municipal, estadual e federal. A mulher é o pilar da transformação da sociedade, uma dando força à outra, independente de religião ou etnia. A mulher faz a diferença para ajudar a construir uma sociedade melhor”, comparou.
Mãe Célia agradeceu a oportunidade pelo convite feito a ela para colocar a sua experiência, destacando que grandes mudanças começam com pequenas ações, pequenas ideias. “Maravilhoso estar aqui, graças aos movimentos feitos pela dona Glória (Gloria Borges Amorim, secretária municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos). Importante juntar as mulheres todas para falar das mulheres negras, enaltecer e reconhecer o poder da mulher. É acolhedora essa troca, onde cada uma fala das suas experiências, todas do grupo se enriquecem com essas contribuições e experiências”, afirmou.
Mestre Mineiro – nome do capoeirista Everson Francisco da Silva – esteve presente com as alunas capoeiristas Liz Oncinha, Marcinha Oliveira e Isabela Aparecida, todas da academia Candência de Bamba, do bairro Limoeiro, que promove aulas para crianças de 5 aos 11 anos, meninos e meninas.
“Grande iniciativa para a valorização das mulheres negras. Estou aqui para aprender bastante e participar da capoeira”, disse.
Almir Gonçalves, do Quilombo São José da Serra, agradeceu o convite feito pela SMDH, abordou o aprendizado nos quilombos para a formação da sociedade brasileira, onde os mais velhos ensinavam os mais jovens, e lembrou que a luta de reconhecimento começou nos anos 90.
“Antes, o povo negro andava de cabeça baixo, sem auto estima. Hoje andam de cabeça erguida, porque sabem o valor que conquistaram. É preciso reconhecer o valor da mulher negra, latino-americana e caribenha. A discriminação que a mulher sofre ainda é grande”, afirmou.
A trancista Luana Domicio, que também participou de uma roda de conversa, respondeu algumas perguntas e comemorou que o trabalho de trancista foi reconhecido por lei como profissão pelo Ministério do Trabalho. Ela é autora do projeto Além das Tranças, executado em Barra do Pirai e Barra Mansa, tendo formado mais de 70 meninas.
“As mulheres têm que lutar umas pelas outras. Estive recentemente na marcha das mulheres negras no Rio de Janeiro. Antigamente não tinha papel e nem canetas nos quilombos. As tranças eram usadas como mapas para as crianças não se perderem nas matas. Agora é profissão por lei. Nós somos mulheres, independentemente da cor da pele. Não importa se tem uma pedra no caminho. A mulher nunca deve desistir”, concluiu Luana.
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