Inquérito Policial que investiga a morte do menino de um ano e cinco meses na UPA Infantil sob suspeita de negligência deve ser concluído nesta semana.Divulgação/PMAR

Angra dos Reis -´A morte do menino Murilo Castilho de Souza, na quarta-feira,3, na Unidade de Pronto Atendimento, UPA, Ágda Maria, no bairro Japuíba, em Angra dos Reis/RJ, está sendo investigada pela 166ª DP. Familiares desolados ainda buscam explicação para o fato. A mãe da criança, Giliane Castilho Reis, afirma que houve negligência no atendimento médico.
As investigações avançaram, porém, o laudo da necrópsia não foi conclusivo segundo a polícia civil, que já solicitou ao CREMERJ um ofício sobre o procedimento adotado pelo profissional de  saúde no atendimento ao menino Murilo de um ano e cinco meses. A delegacia também começa a ouvir os enfermeiros que estavam de plantão nos dias em que o menino deu entrada na unidade de saúde.
Ainda de acordo com informações um laudo mais detalhado  será elaborado pelo laboratório do Instituto de criminalística , Carlos Éboli, no Rio, para onde foram encaminhadas mostras de sangue e vísceras que foram retiradas da vítima. O resultado fica pronto em 30 dias. A Polícia espera que seja detectado algo que possa esclarecer o que causou a morte de Murilo e o que poderia ter sido feito para evitar esse resultado catastrófico.
Atitude da Prefeitura diante do ocorrido
A médica que atendeu por último a criança, foi afastada das funções e aberta uma sindicância, pela prefeitura para apurar os fatos. Toda equipe de plantão no dia do ocorrido passará pela investigação. Em nota e nas redes sociais, a secretaria de Saúde lamentou o ocorrido e garante apuração dos fatos e punição se for constatada negligência médica. ( Leia nota na íntegra)


Nota de Esclarecimento
"A Secretaria Municipal de Saúde de Angra dos Reis informa que está apurando os fatos que levaram ao falecimento do paciente Murillo Castilho de Souza, de 1 ano e cinco meses, na UPA Pediátrica. Caso seja constatada alguma falha no atendimento, os responsáveis serão punidos. Murillo deu entrada, sem vida, na UPA, na tarde de quarta-feira, dia 3.
O menino foi atendido na noite de segunda-feira, dia 1, com suspeita de amigdalite. Foi medicado e liberado com prescrição médica para uso de antibiótico por 7 dias.
Na terça-feira, dia 2, Murilo foi novamente atendido, medicado e liberado.
Na madrugada de quarta-feira, o paciente deu entrada novamente na UPA Pediátrica. A médica que o atendeu relatou que a mãe foi informada de que o menino precisava ficar internado. Segundo a médica, a mãe decidiu levar Murilo para casa sem ter alta.
Nesta sexta-feira, a secretária de Saúde, em rede social informou que a médica de plantão que atendeu a criança foi afastada das funções até que se apurem e esclareçam os fatos. Toda a equipe de plantão será ouvida na apuração dos fatos".

O caso Murilo investigado pela 166ª DP.

Segundo a mãe Giliane em relato à 166ª DP ela contou que chegou do serviço encontrou o filho com febre de 39,8º C, na mesma hora levou a criança à UPA Infantil. ( confira o depoimento e sofrimento da mãe em relembrar toda a história).

“Levei o meu filho pela primeira vez à UPA na segunda-feira (1°), como a febre estava muito alta, levaram o Murilo imediatamente para o consultório médico. Lá, o pediatra que estava de plantão olhou a garganta dele, viu que estava infeccionada, passou alguns antibióticos e me liberou com ele. Disse que era para eu dar o remédio por sete, dez dias. E aí, eu vim embora com ele". Dei o remédio a febre abaixou, ele dormiu e acordou no dia seguinte bem, brincando e se alimentando — o que, até então, não estava acontecendo”.
A mãe continua relatando -
“Na noite de terça, Murilo voltou a ter febre alta e foi levado para a UPA novamente. Ele passou pela classificação de risco e recebeu uma injeção de dipirona nas nádegas enquanto aguardava para ser atendido pela médica. Fomos atendidos pela doutora, que passou a benzetacil para ele. Eu questionei: 'Mas a benzetacil é muito forte. Meu filho é novinho'. Aí, ela disse: 'Ou você passa ou você fica aqui internada com ele alguns dias'. Eu disse: 'Tá bom. Prefiro a benzetacil, porque vai ser só uma dorzinha forte e vai passar, né?' Aí, ela disse: 'é". Nesse momento meu filho chorava muito. A equipe médica, pediu que eu esperasse 20 minutos para que a injeção fizesse efeito. Aguardei e, em seguida, fui embora com o menino.
"Quando a gente chegou em casa, eu e minha mãe colocamos ele no sofá para a gente comer alguma coisa. Quando a minha mãe foi olhar para ele para dar pão, notamos que o Murilo já não se mexia mais. O Murilo só olhava de lado com o olho e não parava de chorar, a madrugada inteira e não estava se mexendo. Ele chegou a dormir um pouco, mas acordou "chorando e gritando muito". continua
"Era uma coisa desesperadora. Eu, imediatamente, liguei para minha mãe e pedi para ela ir para minha casa, porque eu não estava sabendo lidar com aquilo". Achamos melhor voltar com ele pra UPA ( pela terceira vez).Ainda durante a madrugada de quarta-feira (3), a médica de plantão "disse que era normal ele não ser mexer, porque ele tinha tomado uma injeção forte. Murilo foi medicado com ibuprofeno e dipirona. A médica pediu ainda para que ele ficasse de repouso até o início da manhã daquele dia. Ele chorava o tempo todo, tentava dormir e não conseguia. E aí, foi passando a hora, deu 7h10/7h15, eu fiquei com vontade de ir ao banheiro. Como ele estava acordado chorando, eu levei ele comigo. Eu cheguei no banheiro, fechei a porta e disse: 'Murilo, fica em pé só pra mamãe fazer xixi e eu já te pego no colo'. Quando eu coloquei ele no chão, meu filho bambeou e caiu de cara no chão. Ele já não tinha mais os movimentos do corpo. Eu comecei a entrar em desespero e fui pra sala de medicação perguntando se era normal. Eles pediram pra eu voltar na sala da médica, a mesma que deu a benzetacil pra ele. Entrei na sala e perguntei: 'Tem mais alguma medicação pra ser feita? Meu filho não está andando'. Ela disse: 'Não. Se eu for passar pra ele será só uma dipirona", informando que eu poderia voltar com o meu filho pra casa. Eu fui embora com ele” – continua a mãe
“Durante a tarde, por volta de 14h, ele não reagia. Murilo estava muito mole". Voltamos novamente à UPA.
"Peguei o Murilo, o vesti e desci com ele para o ponto. Quando eu cheguei no ponto, já estava vindo um ônibus. Eu, imediatamente, entrei no ônibus e sentei com o Murilo. Eu moro no Areal, chegando na altura da Nova Angra, eu olhei pra cara do meu filho, o meu filho suspirou, abriu a boca e faleceu. Morreu nos meus braços". Entrei em desespero. O motorista foi direto para a UPA, não parando em ponto nenhum. Uma senhora pegou o Murilo imediatamente do meu colo, descemos na UPA correndo, chegamos com o Murilo na UPA, só que ele já não estava mais respirando. Eles tentaram reanimar, meu filho voltou, mas não resistiu. O médico que tentou reanimar o menino, voltou me deu a notícia que ele não tinha resistido” - concluiu.
Giliane disse ainda no depoimento que não teve apoio de ninguém da equipe médica, só do médico quando retornou pra dizer que a criança tinha falecido.
O inquérito aberto pela 166ª DP/Angra tem nova data para ser concluído , deve ocorrer em 30 dias.
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