Por lucas.cardoso
Publicado 13/01/2017 17:27 | Atualizado 13/01/2017 17:45

Brasília - Ao pedir autorização à Justiça para vasculhar dois imóveis do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo/Michel Temer), a Procuradoria da República, no Distrito Federal, afirma que o peemedebista fez parte de uma organização criminosa. Geddel é investigado por corrupção passiva na Operação Cui Bono, deflagrada nesta sexta-feira, que apura um esquema de fraudes na liberação de créditos junto à Caixa Econômica Federal que teria ocorrido pelo menos entre 2011 e 2013.

Geddel%2C homem forte de Michel Temer%2C tinha o apoio de Renan Calheiros e Rodrigo MaiaValter Campanato / Agência Brasil

Geddel, então vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Marcos Roberto Vasconcelos, então vice-presidente de Gestão de Ativos do banco, José Marques da Cruz, servidor de carreira da Caixa, o empresário Marcos Antonio Molina dos Santos, dirigentes de empresas dos ramos de frigoríficos, de concessionárias de administração de rodovias, de empreendimentos imobiliários e um operador do mercado financeiro teriam participado do esquema.

"A fundamentação apresentada pela autoridade policial é bastante consistente, sendo os fatos narrados na representação indicativos de que os investigados Geddel Quadros Vieira Lima, Marcos Roberto Vasconcelos, José Henrique Marques da Cruz e Marcos Antonio Molina dos Santos faziam parte de uma verdadeira organização criminosa", destaca o Ministério Público Federal.

Segundo a Procuradoria, "todos os elementos até aqui apresentados demonstram uma sistemática ilícita para obtenção de recursos junto à Caixa Econômica Federal contando com a participação ativa do atual Secretário de Governo, Geddel Quadros Vieira Lima, quando este ainda era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, bem como de Eduardo Cunha, e ainda do então Vice-Presidente de Fundos de Governo e Loterias, Fabio Ferreira Cleto, além do operador Lucio Bolonha Funaro".

"Os indícios apontam para a corrupção passiva de Geddel Vieira Quadros Lima, posto que, valendo-se seu cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, agia internamente, de forma orquestrada, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas para os outros membros da quadrilha que integrava, composta, ainda, por Eduardo Consentino, Fabio Ferreira Cleto e Lucio Bolonha Funaro, para que, com isso pudessem obter vantagens indevidas junto às empresas beneficiárias dos créditos liberados pela instituição financeira, como a BR Vias, Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários S.A, Marfig S.A, J&F Investimentos S.A, Grupo Bertin JBS S.A, entre outras", aponta o Ministério Público Federal.

Agentes da Polícia Federal vasculharam um imóvel de Geddel no condomínio Pedra do Valle, na rua Plínio Moscoso, no Jardim Apipema, em Salvador. Outro grupo de policiais vasculhou a residência do peemedebista em Interlagos, também na capital baiana.

Aliado muito próximo do presidente Michel Temer, Geddel entregou o cargo e foi exonerado da Secretaria de Governo em 25 de novembro, em meio ao escândalo protagonizado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que o acusou de pressioná-lo para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) autorizasse a construção de um residencial de alto padrão em uma área nobre tombada em Salvador.

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