Família de Queiroz também falta à convocação do MP

Instituição reage ameaçando quebrar sigilos bancários dos investigados

Por O Dia

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz: o primeiro foi convidado a depor amanhã. o segundo fez cirurgia dia 1º
Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz: o primeiro foi convidado a depor amanhã. o segundo fez cirurgia dia 1º -

Rio - Repetindo o que já havia sido feito pelo marido, Fabrício Queiroz, a mulher do ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro, Márcia Oliveira Aguiar, assim como as duas filhas dele, Nathalia e Evelyn de Melo Queiroz, todas ex-funcionárias do gabinete do parlamentar, faltaram a depoimento marcado na sede do Ministério Público do Rio de Janeiro nesta terça-feira. Dessa vez, no entanto, o MPRJ respondeu de forma mais dura.

"O MPRJ tem informações que permitem o prosseguimento das investigações, com a realização de outras diligências de natureza sigilosa", advertiu o órgão em nota, citando entre as possíveis medidas a quebra do sigilo fiscal e bancário dos investigados.

Para amanhã, está marcada a audiência de Flávio Bolsonaro, senador eleito e filho do presidente Jair Bolsonaro. "Por força de prerrogativa parlamentar, (o deputado) pode indicar nova data para seu depoimento. O MPRJ esclarece que a oitiva dos investigados representa uma oportunidade para que possam apresentar suas versões dos fatos", disse a nota do MP.

CIRURGIA DE QUEIROZ

A defesa da família de Queiroz justificou a falta aos depoimentos dizendo que Márcia e as filhas "mudaram-se temporariamente para cidade de São Paulo, onde devem permanecer por tempo indeterminado ".

Queiroz, por meio de seus advogados, informou ontem ao MP que estava internado desde o dia 30 de dezembro no Hospital Albert Einstein, na capital paulista. No mês passado, ele faltou a duas convocações para depor no MP e alega motivos de saúde. No último dia 1º, Queiroz, portador de câncer no cólon, se submeteu a uma cirurgia. Ele teve alta ontem à tarde.

A investigação do MP tem origem em um relatório do Coaf que mostra o recebimento, por Queiroz, de depósitos regulares de outros assessores de Flavio em sua conta bancária, muitas vezes em datas próximas ao dia de pagamento dos funcionários da Alerj. As movimentações somaram um montante de R$ 1,2 milhão. Em entrevista ao SBT, Queiroz justificou a movimentação dizendo que era "um cara de negócios". "Eu faço dinheiro", disse e citou a compra e venda de carros usados. O assessor repassou R$ 24 mil à hoje primeira-dama Michele Bolsonaro. O presidente afirmou que o dinheiro era pagamento de uma dívida.

Uma das linhas de investigação do MPRJ é saber se Queiroz recebia parte dos salários dos funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro. E, se o fazia, se esses valores seriam repassados para o próprio deputado.

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