Perguntado sobre Flávio, Bolsonaro diz que repórter tem 'cara de homossexual terrível'

Presidente ainda criticou Witzel e sugeriu que uma filha do juiz Flávio Itabaiana, do Tribunal de Justiça do Rio, é funcionária fantasma no governo do estado

Por O Dia

Presidente falou com jornalistas na manhã desta sexta-feira na entrada do Palácio da Alvorada, em Brasília
Presidente falou com jornalistas na manhã desta sexta-feira na entrada do Palácio da Alvorada, em Brasília -
Brasília - O presidente Jair Bolsonaro fez provocações sobre a sexualidade de repórteres na saída do Palácio do Alvorada, em Brasília, na manhã desta sexta-feira ao ser questionado sobre as investigações que miram o senador Flávio Bolsonaro, a quem o presidente comparou ao atacante Neymar. Bolsonaro ainda criticou Witzel e sugeriu que uma filha do juiz Flávio Itabaiana, do Tribunal de Justiça do Rio, é funcionária fantasma no governo do estado.
Bolsonaro afirmou que desde o ano passado investigam seu filho e "não acham nada". "Você tem uma cara de homossexual terrível, mas nem por isso eu te acuso por ser homossexual", disparou. "Se bem que não é crime ser homossexual", emendou respondendo à pergunta de uma repórter.
O presidente também falou sobre sexualidade para se desvencilhar de outro repórter, que perguntou se Bolsonaro pretende mudar a embaixada em Jerusalém para Israel. "Você pretende se casar comigo um dia? Não seja preconceituoso. Você não gosta de loiro de olhos azuis? Vou te processar por homofobia", respondeu o presidente.
Ao comentar as investigações do Ministério Público do Rio, Bolsonaro atacou o governador do Rio, Wilson Witzel. "Já foram em cima do MP ver se vão investigar o Witzel (governador do Rio, Wilson Witzel)? Vocês repararam que, na véspera desse novo caso Flávio, a Polícia Federal mostrou operação na Paraíba onde um dos delatores pegou R$ 115 mil de Caixa 2 para campanha, bem como a loteria da Paraíba faz negócio com a Loterj, do RJ", acrescentou Bolsonaro.

O presidente ainda lembrou do depoimento do porteiro do seu condomínio sobre o caso da morte da vereadora Marielle Franco. "A Polícia Civil dele (Witzel) armou o porteiro do meu condomínio, que os dois suspeitos de matar a Marielle, ligaram na minha casa na quarta-feira. Vocês já foram perguntar ao governador Witzel?"

Sobre as buscas feitas na operação do Ministério Público do Rio que mirou o senador Flávio Bolsonaro, o presidente disse que houve busca e apreensão em casas de pessoas que não tinham nada a ver com o fato. Bolsonaro disse ainda, sobre a franquia da loja de chocolate do filho: "As franquias são controladas. Ninguém lava dinheiro em franquia." 
Bolsonaro defendeu que Flávio recebe mais dinheiro em sua franquia de loja de chocolate porque é mais importante. "O que acontece, quem leva mais cliente para lá, ele leva um montão de gente importante, ganha mais. É mesma coisa chegar para o, deixa eu ver, o Neymar e (perguntar) 'por que está ganhando mais do que outros jogadores?'. Porque ele é o mais importante. Não é comunismo", comparou.

O presidente ainda comentou a acusação feita pelo MP do Rio sobre o fato de Flávio ter feito depósitos, parcelados, de R$ 2 mil no caixa eletrônico. "Depósito de R$ 2 mil é o limite para ser colocado via caixa eletrônico."

Questionado se considera o filho inocente, Bolsonaro respondeu: "Não sou juiz." O presidente acrescentou que conhece Fabrício Queiroz desde 1985. "Se ele cometeu algum deslize, ele que responda". 

A investigação do MP do Rio mira suposto esquema de "rachadinha" no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, quando ele era deputado estadual.

Confira a entrevista sobre o caso Flávio Bolsonaro a partir dos 12 minutos:
"É difícil ser patrão no Brasil", diz Bolsonaro
Ainda na coletiva, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que patrões no Brasil precisam ser um "herói" ou ter "poderes sobrenaturais" para escapar de fiscalizações tributárias. De acordo com Bolsonaro, o Brasil tem tantos impostos que um fiscal consegue encontrar uma maneira de multar qualquer estabelecimento.

O comentário foi feito enquanto falava sobre a proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, de estabelecer um imposto sobre transações digitais. Segundo Bolsonaro, essa ideia ainda não foi repassada a ele.

"Se ele está estudando, não chegou para mim ainda. Ele quer, na verdade, substituir impostos. Ele quer simplificar essa teia, esse cipoal de impostos, é difícil ser patrão no Brasil. Qualquer fiscal que chega na sua empresa vai achar uma maneira de te multar. Para você ser patrão hoje em dia, você tem que ser um herói ou ter poderes sobrenaturais para fugir das fiscalizações".

Na véspera, ao comentar sobre a reforma tributária, Bolsonaro disse que "todas as cartas estão na mesa", mas ressaltou que um imposto nos moldes da antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeiras (CPMF) está "demonizado".

Guedes nega que um imposto sobre transações financeiras digitais possa ser classificado como uma nova CPMF, que vigorou entre 1998 e 2007. Entretanto, especialistas afirmam que, na prática, a ideia da medida é a mesma.
*Com Estadão Conteúdo e IG
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