Gutto Xibatada era conhecido por fazer apresentações durante o Círio de NazaréReprodução / Instagram

O estado do Pará já teve duas mortes por complicações causadas pelo vírus Monkeypox (Mpox), a varíola dos macacos, em 2025. Uma delas foi o cantor de forró Gutto Xibatada, que morreu aos 39 anos na última terça-feira (25). Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde de Belém, ele recebeu o diagnóstico da infecção no mês de março e teve alta hospitalar. No entanto, voltou ao hospital após uma piora relacionada à "evolução de comorbidades pré-existentes".

Gutto Xibatada, nome artístico de Augusto Demétrio Neto, era conhecido pela "Varanda Xibatada", evento em que reunia amigos e convidados para uma apresentação enquanto assistiam à procissão do Círio de Nazaré.

A irmã de Gutto usou as redes sociais do cantor para falar sobre o caso e fez um desabafo ao explicar a situação. "Estou cansada de tanta mentira que estão postando por aí. Meu irmão contraiu um vírus chamado Mpox", disse.

"A primeira vez que ele foi pro pronto-socorro, a médica deu encaminhamento em casa. Devido a ele ter esse histórico de, há muito tempo, ser asmático, esse vírus foi se manifestando em diversos lugares. Atacou os pulmões. Meu irmão ficou sem fala, sem visão, sem toque [tato]. No último dia ele passou a madrugada inteira ruim, obstruiu o nariz inteiro, a boca. Meu irmão sofreu muito."

Em seguida, ela relatou que a piora de Gutto aconteceu entre os dias 21 e 22. "Ele teve um agravamento muito forte. Eu liguei para o Samu que o levou de ambulância para o pronto-socorro", afirmou. "No mesmo dia que deu entrada no hospital, às 17h, veio a óbito. Foi muito rápido, uma situação muito delicada. E meu irmão não queria em nenhum momento se expor", concluiu.

Mpox no Pará

Em 2025, até o dia 23 de abril, foram confirmados 19 casos do Mpox, sendo 14 em Belém, três em Ananindeua, um em Marituba e um caso importado de outro estado, além de duas mortes de pacientes com comorbidades, incluindo Gutto.

Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (28), o secretário adjunto de Gestão de Políticas de Saúde do estado, Sipriano Ferraz, e o secretário Municipal de Saúde de Belém, Romulo Nina, afirmaram que o estado não apresenta, oficialmente, surto de varíola dos macacos. No entanto, eles reforçaram a necessidade de medidas de prevenção e tratamento.

"É oportuno tranquilizar a população de que não há surto de Mpox tanto em Belém e em todo o Pará de forma oficial. O mesmo eu digo que há epidemia ou pandemia a respeito. Afirmo também que os serviços de saúde já possuem recomendações da Sespa para o monitoramento e acompanhamento da doença, para ajudar a população preventivamente", disse Sipriano.

Sobre a doença

Causada pelo vírus Monkeypox, a doença, também chamada de varíola dos macacos, se espalha entre pessoas e, ocasionalmente, do ambiente, por meio de objetos e superfícies que foram tocados por um paciente infectado.

A Mpox pode causar uma série de sinais e sintomas. Embora alguns infectados apresentem sintomas menos graves, outros podem desenvolver quadros mais sérios e necessitar de atendimento em unidades de saúde.

O sintoma mais comum é a erupção na pele, semelhante a bolhas ou feridas, que pode durar de duas a quatro semanas e ser seguido de febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, apatia e gânglios inchados. A erupção cutânea pode afetar o rosto, as palmas das mãos, as solas dos pés, a virilha, as regiões genitais e/ou anal.

As lesões também são encontradas na boca, na garganta, no ânus, no reto, na vagina ou nos olhos. O número de feridas pode variar de uma a milhares. Embora qualquer pessoa possa ser infectada pelo vírus, pessoas com o sistema imunológico comprometido, grávidas e crianças são considerados os grupos mais vulneráveis.

Para se prevenir contra a varíola dos macacos, a recomendação é a de evitar o contato com pessoas confirmadas com a doença ou suspeitas de infecção pelo vírus, além de estar atento para o compartilhamento de objetos pessoais, como toalhas, lençóis e escovas de dentes, lavar as mãos regularmente e higienizar os itens de uso diário. Autoridades também destacam a importância do uso de preservativos e máscaras, além do isolamento social, para os pacientes.

Nota da Secretaria de Saúde de Belém sobre Gutto Xibatada

"A Secretaria Municipal de Saúde de Belém informa que um paciente com diagnóstico confirmado de Mpox (monkeypox) foi atendido, no mês de março, no Hospital Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, onde recebeu assistência médica especializada e foi mantido em isolamento. Após melhora clínica, o paciente recebeu alta hospitalar com orientações e encaminhamento para o seguimento do tratamento em unidade de referência.

Posteriormente, em 22 de abril, o paciente foi readmitido no Pronto-Socorro Municipal com agravamento do estado de saúde, relacionado à evolução de comorbidades pré-existentes e infecções oportunistas. A médica infectologista, responsável pelo atendimento determinou o imediato encaminhamento do paciente para um leito de isolamento no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do HPSM da 14 de Março. Novamente foram adotadas todas as medidas clínicas e de isolamento recomendadas, porém, apesar da assistência prestada, o paciente morreu 8 horas após dar entrada no HPSM da 14 de março. As causas da morte seguem sob investigação da Vigilância Epidemiológica de Belém.

A Sesma informa, ainda, que acompanhou todas as pessoas indicadas pelo paciente como tendo tido contato com ele. Esses contatos foram monitorados durante o período estabelecido pelos protocolos de saúde e, ao final do prazo, foram liberados, uma vez que não apresentaram sintomas.

A Sesma reforça que todas as condutas adotadas seguiram os protocolos técnicos do Ministério da Saúde, com o compromisso de garantir o cuidado integral, a ética e a dignidade no atendimento."


*Com informações do Estadão Conteúdo