Personalidades do cenário político lamentaram a morte do maior fotógrafo brasileiro e considerado um dos mais importantes do mundo, Sebastião Salgado. O profissional faleceu nesta sexta-feira (13), em Paris, aos 81 anos.
O mineiro foi mestre na arte de retratar a alma humana e do planeta em preto e branco. Suas lentes captaram momentos históricos e gente simples, as maiores belezas da natureza e sua degradação.
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias pela morte do fotógrafo.
"Salgado foi responsável por registrar, com sensibilidade e profundidade, as desigualdades sociais, as questões ambientais e a beleza da diversidade humana em todas as partes do mundo", disse em nota.
"Seu legado vai muito além da arte — é um testemunho histórico e social que seguirá inspirando gerações. Neste momento de luto, o Legislativo carioca presta homenagem a esse grande brasileiro, cuja obra e compromisso com a humanidade jamais serãoesquecidos", acrescentou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um minuto de silêncio no Palácio do Planalto em homenagem ao fotógrafo. O chefe do Executivo prestou o tributo ao lado do presidente da Angola, João Lourenço, que está em visita ao país e se reuniu com o petista.
"A gente ficou sabendo de uma notícia muito triste. Eu até queria em uma homenagem pedir um minuto de silêncio, pela morte do companheiro Sebastião Salgado, certamente, se não o maior, um dos maiores e melhores fotógrafos que o mundo já produziu, que morreu hoje", afirmou.
Lula ainda presenteou João Lourenço com uma fotografia de Sebastião Salgado. "Portanto, você vai receber a fotografia de um fotógrafo muito, mais muito, muito especial que o planeta Terra produziu", disse o petista.
Após a homenagem no Palácio do Planalto, Lula fez uma postagem no X (antigo Twitter) e disse que a obra do fotógrafo "continuará sendo um clamor pela solidariedade" e um "lembrete de que somos todos iguais em nossa diversidade".
"Seu inconformismo com o fato de o mundo ser tão desigual e seu talento obstinado em retratar a realidade dos oprimidos serviu, sempre, como um alerta para a consciência de toda a humanidade. Salgado não usava apenas seus olhos e sua máquina para retratar as pessoas: usava também a plenitude de sua alma e de seu coração", escreveu Lula.
Me sinto profundamente triste com o falecimento de Sebastião Salgado, ocorrido na manhã desta sexta-feira.
Seu inconformismo com o fato de o mundo ser tão desigual e seu talento obstinado em retratar a realidade dos oprimidos serviu, sempre, como um alerta para a consciência de… pic.twitter.com/4vjQQ0Tx4u
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou ter perdido um amigo: "Eu perdi um amigo. O Brasil perdeu um dos maiores expoentes da fotografia mundial. A morte de Sebastião Salgado deixa uma lacuna irreparável no jornalismo brasileiro. Descanse em paz, companheiro".
Eu perdi um amigo. O Brasil perdeu um dos maiores expoentes da fotografia mundial. A morte de Sebastião Salgado deixa uma lacuna irreparável no jornalismo brasileiro. Descanse em paz, companheiro. @ricardostuckertpic.twitter.com/wfXgawR4vY
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que, com suas lentes, Salgado "nos revelou as belezas e injustiças do mundo, congeladas em seus registros fotográficos" .
"Uma celebração da vida e da natureza e um chamado à ação consciente, em prol de um mundo inclusivo e sustentável. Neste momento de dor, transmito meus sentimentos e orações aos familiares e amigos desse grande brasileiro, cujo trabalho seguirá nos inspirando", escreveu.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou ter recebido a notícia da morte do fotógrafo com "imensa tristeza" e se solidarizou com familiares.
"Sua lente capturou a alma do mundo, com olhar humano, poético e profundamente transformador", afirmou Margareth.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, também lamentou a morte de Sebastião Salgado. Ele destacou que nas paredes da Corte há diversas fotografias do profissional expostas.
"Ele era um dos patrimônios culturais brasileiros, embora estivesse vivendo na França. Há poucas semanas, ele me telefonou por uma questão que o preocupava. Ele é um homem que tinha um olhar voltado para a proteção ambiental, para a proteção das comunidades indígenas, para outras causas importantes da humanidade", afirmou Barroso.
O magistrado ressaltou os projetos de recuperação de vegetação nativa e ecológicos "extremamente importantes" que foram lançados pelo fotógrafo e acrescentou que a morte de Sebastião Salgado "é uma imensa perda para a humanidade".
Cármen Lúcia, que também é ministra do STF, disse que a morte do fotojornalista é uma "enorme perda para o Brasil e para a humanidade".
"Sebastião era Salgado apenas no sobrenome: um ser humano a mostrar uma doçura total, mesmo nas denúncias fotografadas das indignidades e feridas do mundo", ressaltou a ministra.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que Sebastião Salgado "colocou sua lente a serviço da humanidade ao retratar as contradições do mundo".
"Sebastião deixa um legado na arte que nos incentiva sempre a refletir sobre os caminhos e decisões que tomamos. Meus sentimentos a sua esposa, Lélia, e toda a família", escreveu.
O Ministério das Relações Exteriores também divulgou um comunicado de pesar pelo falecimento de Sebastião Salgado e afirmou que o trabalho do fotógrafo "foi decisivo para ampliar a conscientização internacional sobre a necessidade de proteger tanto os direitos humanos quanto o meio ambiente, especialmente na defesa da Amazônia e de seus povos".
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, destacou que Salgado fez da fotografia um instrumento poderoso de "denúncia contra a desigualdade", além de ter mostrado "a força dos mais fracos na luta coletiva pela vida e pela transformação".
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou a origem mineira do fotógrafo e disse que ele revelou "duras realidades das desigualdades sociais" ao mundo e contribuiu na luta contra injustiças sociais "de maneira inestimável".
O ministro dos Transportes, Renan Filho, contou que recebeu um livro de Salgado ano passado com os registros fotográficos da Amazônia feitos pelo mineiro. "Hoje, o Brasil se despede de um homem que nunca apontou a câmera à toa", escreveu.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o fotógrafo eternizou a "dignidade dos povos invisíveis e injustiçados", além de ter capturado a "força da natureza" com precisão.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.