Dona Jacira, mãe de Fióti e Emicida Reprodução / Instagram
"É com profunda tristeza que informamos o falecimento de Jacira Roque Oliveira, a Dona Jacira, aos 60 anos de idade. Mãe, avó, escritora, compositora, poeta, artesã e formada em desenvolvimento humano, como gostava de ser reconhecida. Dona Jacira foi uma mulher detentora de tecnologias ancestrais de sobrevivência e resistência que construíram um legado enorme para as artes e para a cultura afrobrasileira. Esse legado será levado adiante por sua família e todas as pessoas que tiveram suas vidas impactadas e transformadas por sua presença de cuidado, amor, luz e fé neste plano. A família agradece por todo amor e carinho e pede que respeitem a sua privacidade nesse momento tão difícil", diz a nota enviada ao Dia pela equipe de Fióti.
Com trajetória marcada pela superação e engajamento social, Dona Jacira teve a história atravessada por episódios de violência na infância, casamento precoce, a morte do marido e dificuldades financeiras. A partir da maturidade, passou a se dedicar à arte, à literatura e à promoção de atividades comunitárias. Escreveu o livro "Café" em 2018, aplicou seus bordados em peças da coleção Herança, da marca Lab Fantasma, criada pelos filhos, confeccionou bonecas com retalhos reaproveitados e lançou um podcast.
No início deste ano, a família ganhou atenção da imprensa após o rompimento profissional entre os irmãos Emicida e Fióti. Na ocasião, Dona Jacira se posicionou publicamente em defesa de Fióti, em meio a um processo que envolve cerca de R$ 6 milhões e tramita na 2ª Vara Empresarial de São Paulo.
"As hienas nos rondam, querem nossa queda. Mas não conseguirão. Fióti, sua dor é nossa dor. Quando a injustiça se instala, com todo respeito ao jurídico, as mediações de conflitos e estratégias para restabelecer a ordem é muito importante. Porém eu, Dona Jacira, digo que a maldição lançada em forma de calúnia deve ser retirada. Pela boca que a lançou. Antes que seja tarde", escreveu nas redes sociais.
A matriarca também publicou uma carta aberta, em tom crítico e espiritualizado, sobre os impactos da disputa familiar: "Todavia, a mesma palavra usada de má-fé pode destruir um império. Envenenar a água boa, os caminhos e o coração. Só quem vive, come, dorme, acorda e luta com um homem bom pode reconhecê-lo como tal. A palavra maldita calou fundo no coração da minha família. E no coração dos nossos homens bons. [...] Pode passar mil anos, gerações, se erguer e cair, mas a dívida amanhecerá e anoitecerá com seu devedor. Até que este pague. Até que este desfaça a maldição. Até que ele restabeleça a verdade em presença de quem ele adoeceu com falsa palavra. Até lá todos nos estaremos ritualizando pela cura. Que a harmonia se restabeleça."
Em abril deste ano, os irmãos solicitaram à Justiça a suspensão do processo, indicando sinais de reaproximação.
Dona Jacira deixa quatro filhos e quatro netos: Estela e Teresa, filhas de Emicida; e Bento e Luna, filhos de Fióti.

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