Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) evitou comentar sobre a prisão da ex-aliadaReprodução/redes sociais

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) evitou comentar sobre a prisão da ex-aliada, a deputada Carla Zambelli (PL-SP), na Itália, após ser incluída na lista vermelha da Interpol.
Ao chegar na sede do Partido Liberal na manhã desta quarta-feira (30), o ex-chefe do Executivo pareceu pensar cuidadosamente nas palavras ao ser abordado por jornalistas.
"Tem censura no Brasil ou não?", indagou Bolsonaro antes de entrar no prédio acompanhado de seguranças.
A frase reforça a narrativa de que é alvo de perseguição política e de "censura judicial". Atualmente, o ex-presidente cumpre medidas cautelares impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Porém, de acordo com o magistrado, ele "não está proibido de conceder entrevistas".
Além da tornozeleira, Bolsonaro está proibido de deixar a comarca do Distrito Federal, deve ficar em recolhimento domiciliar entre as 19h e às 6h, e integralmente nos finais de semana. Ele também não pode acessar as redes sociais ou se comunicar com seu filho Eduardo ou embaixadores e diplomatas de outros países, nem com outros réus e investigados pelo STF.
Prisão de Zambelli
A prisão, que foi confirmada pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça, foi resultado de uma ação conjunta entre a PF e a polícia italiana, que contou com apoio da adidância brasileira no país europeu.

Zambelli foi levada para uma delegacia italiana, onde permanecerá à disposição da Justiça local. As autoridades têm um prazo de até 48 horas para decidir se ela será extraditada para o Brasil, colocada em prisão domiciliar ou liberada.

"A cooperação internacional foi fundamental para a prisão. Agora, cabe à autoridade judiciária italiana definir os próximos passos: se vai soltar, extraditar ou determinar prisão domiciliar", afirmou o diretor geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Na rede X, o deputado italiano Angelo Bonelli declarou que foi ele que denunciou um endereço em Roma no qual Zambelli estaria hospedada. "Carla Zambelli está em um apartamento em Roma. Dei o endereço à polícia, e a polícia já está identificando Zambelli", publicou.   
Condenação e fuga do país
Em 14 de maio, a deputada foi condenada a dez anos de prisão e à perda do mandato pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por falsidade ideológica.
Segundo a denúncia, ela teria orientado o hacker Walter Delgatti Neto a inserir documentos falsos na plataforma, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

Após a decisão, Zambelli deixou o país pela fronteira com a Argentina e seguiu para a Itália, onde possui cidadania. Em junho, seu nome foi incluído na lista de procurados da Interpol, e a condenação foi mantida pela 1ª Turma do Supremo.
Além da condenação, a deputada é alvo de dois inquéritos sigilosos no STF. O primeiro, conhecido como "inquérito das fake news", apura a disseminação de informações falsas e ataques a ministros do tribunal. O segundo, chamado "inquérito das milícias digitais", investiga supostas articulações golpistas após o resultado das eleições de 2022.