Presidente LulaDivulgação/PT
"O Brasil hoje não é tão dependente quanto já foi dos Estados Unidos. O Brasil tem uma relação comercial muito ampla, no mundo inteiro. A gente está muito mais tranquilo do ponto de vista econômico, mas obviamente não vou deixar de compreender a importância de relação diplomática com os Estados Unidos", disse Lula, durante discurso no 17º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores, em Brasília. "Mas quero saber daqui para frente o que é que eu faço. E eles têm que saber que temos o que negociar Temos tamanho, temos postura, temos interesses econômicos e políticos para negociar", afirmou.
E acrescentou: "As propostas estão na mesa. Já foram apresentadas."
Ele disse que o Brasil quer negociar "em igualdade de condições" com os Estados Unidos e que o Brasil "não é uma republiqueta". "Tentar colocar assunto político para nos taxar economicamente é inaceitável", pontuou Lula, acusando o presidente norte-americano, Donald Trump, de buscar a destruição do multilateralismo.
"Ele quer a volta da negociação país por país. País pequeno negociar com os EUA é como um trabalhador de uma fábrica de 80 mil trabalhadores negociar sozinho com o patrão. O acordo é leonino, não vai ganhar nada", disse.
Moedas alternativas ao dólar
O presidente recusou-se a abrir mão da busca pelo uso de moedas alternativas ao dólar no comércio internacional - política que tem sido criticada por Trump.
"Não vou abrir mão de achar que a gente precisa procurar construir uma moeda alternativa para que possa negociar com outros países. Não preciso ficar subordinado ao dólar. E eu não estou falando isso agora. Em 2004, fizemos isso com a Argentina", afirmou Lula. "Eu não estou disposto a brigar com ninguém. Este país é de paz. Quem quiser confusão conosco, pode saber que não queremos brigar. Agora, não pensem que nós temos medo", disse o presidente.
Lula disse, ainda, que é muito pouco para um partido de esquerda, que deveria ter como meta buscar o socialismo, mas que como dirigente sindical aprendeu a não fazer bravatas e a prometer apenas o que pode fazer.
O chefe do Executivo afirmou, porém, que não pode falar fino com os Estados Unidos e grosso com a Bolívia. "A gente fala em igualdade de condições com os dois. Essa é que é a lógica da política."
Ele comentou ainda que tem feito reuniões com países e organizações multilaterais, e que foram abertos 398 novos mercados para produtos brasileiros. "Nossa volta à Presidência desse País foi como se a gente tivesse aberto um portão grande, onde todo mundo quer conversar com o Brasil."
Segundo ele, "a velhice é um dom de Deus" e que viver mais não significa estar velho fisicamente e mentalmente.
Lula afirmou, ainda, que se sente com 30 ou 28 anos.
"Pode ter certeza que sou um cara otimista. Estou muito motivado, muito, mas muito motivado", disse ele.
"Os nossos senadores, nós temos quase todos em reeleição; eles a oposição bolsonarista, não, eles já têm 25 senadores. Se eles elegem 17, eles vão para 41, e vão fazer a maioria no Senado", disse o presidente, durante o 17º Encontro Nacional da sigla.
O ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) vem destacando a importância de ganhar uma maioria no Senado. É a Casa Alta que pode aprovar, por exemplo, o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes.
Lula disse que, no PT, é comum que os dirigentes imponham suas candidaturas ao partido, mesmo sem chance de vitória.
"É importante que o partido tenha a possibilidade de articular se o candidato é nosso ou se não é, se a gente vai fazer aliança ou não vai, quais são as possibilidades de ganhar", disse Lula.
O presidente acrescentou que, hoje, um deputado tem mais poder sozinho do que o próprio partido, pelo volume de emendas que recebe e a possibilidade de negociar com vereadores e prefeitos.
E cobrou a união do partido, dizendo que as tendências do PT muitas vezes são fruto de disputas pessoais, e não políticas.
Um registro que mostra Lula e Fidelito foi publicado pelo prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá (PT), que afirmou ser um dos responsáveis pelo "encontro simbólico", durante o encerramento do 17º Encontro Nacional do PT. "O Congresso também foi marcado por um encontro simbólico que ajudei a construir: o abraço entre Lula e Fidelito, neto de Fidel. Um gesto de afeto e história, que agora se transforma em futuro. Fidelito vai desenvolver pesquisas em medicina nuclear em Maricá. Seguimos firmes, com ousadia, projeto e pé no povo!", escreveu.
O evento reuniu lideranças petistas, como a ex-presidente do PT e atual ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o novo presidente do partido, Edinho Silva.
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