O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que fez a requisição de um visto diplomático aos Estados UnidosReprodução / Youtube

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que, além de ter um visto normal, de cidadão brasileiro, ele fez a requisição de um visto diplomático aos Estados Unidos para participar de uma reunião do grupo das 20 maiores economias do globo (G20), que ocorrerá naquele país.

"Meu visto diplomático precisa ser renovado. E eu preciso dele porque estarei representando o governo brasileiro. Eu fiz o pedido dele para uma reunião de trabalho internacional. Estou tranquilo (em obtê-lo)." Ele fez as afirmações durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band, exibido na noite deste domingo, 31.

O embate político entre o governo de Donald Trump e o Brasil relacionado aos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro acabou causando a revogação de vistos de algumas autoridades brasileiras.
Haddad: lei de reciprocidade prevê criação de comissão, que dirá o que convém ao Brasil fazer
Haddad explicou que a Lei da Reciprocidade prevê a instalação de uma comissão que observará o que convém ao Brasil fazer em relação a casos de comércio internacional, como, por exemplo, o tarifaço dos Estados Unidos e a abertura de uma investigação sobre as atividades domésticas no setor. 

Ele ressaltou que a lei foi aprovada no Congresso pela situação e a oposição. "O próprio partido do (ex-presidente, Jair) Bolsonaro, o do governador de São Paulo (Tarcísio Freitas), votou a favor da lei de reciprocidade. Ela tem que ser cumprida porque o presidente exigiu", frisou.

O ministro voltou a dizer que não houve, da parte dos Estados Unidos, nenhuma manifestação de vontade de negociação.

"Acredito que, depois das revelações da queda do sigilo, os Estados Unidos não vão fingir que não viram. Uma embaixada tem que informar ao chefe de Estado o que está acontecendo aqui. A embaixada, o secretário de Estado, vai ter que informar a Casa Branca o que está acontecendo aqui. E eu penso que aquela troca de mensagens, entre os filhos, o pai, de maneira como eles retratam a situação, eu penso que aquilo já deve ter chegado ao governo dos Estados Unidos, ao alto comando do governo", disse Haddad, sobre conversas divulgadas entre membros da família Bolsonaro, inclusive do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os EUA, com o pai.
"Se eu conheço bem ali, o Estado vai começar a operar no sentido de distensionar. Está muito grave o que está acontecendo. Inclusive, tem frases do Eduardo Bolsonaro que indicam uma tentativa de manipulação para as autoridades americanas por meio de desinformação. Então, ali tem indícios de que o governo dos Estados Unidos não está bem informado sobre o que está acontecendo aqui", continuou, acrescentando que o Brasil não tem alternativas como a Lei e a entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC) porque não cederá a chantagens.