O jornalista ítalo-brasileiro Demetrio Carta, mais conhecido como Mino Carta, referência na imprensa brasileira, morreu aos 91 anos nesta terça-feira (2). A informação é da revista 'Carta Capital', veículo fundado por Carta em 1994. Ele enfrentava problemas de saúde há um ano e estava internado na UTI do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, havia duas semanas.
Mino Carta também foi fundador do Jornal da Tarde, do Grupo Estado. Além disso, foi diretor das revistas Quatro Rodas, Veja e IstoÉ e editor de Esportes do 'Estadão'.
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Nasceu em Gênova, na Itália, no dia 6 de setembro de 1933. A família de Carta chegou em São Paulo em agosto de 1946.
Mino Carta faz parte da terceira geração de jornalistas da família. Era filho e neto de jornalistas. Seu avô materno, Luigi Becherucci, foi diretor do jornal genovês Caffaro. Já o pai de Mino Carta, Giannino, foi preso em 1944 por se opor ao regime de Benito Mussolini e veio ao Brasil após a Segunda Guerra.
Em 1956, depois de abandonar o curso de Direito no Largo São Francisco, Mino retornou com a família para a Itália, onde passou a trabalhar na La Gazzetta del Popolo, de Turim. Também atuou como correspondente dos brasileiros Diário de Notícias e Mundo Ilustrado.
De volta ao Brasil, Mino aceitou, aos 27 anos, o convite de Victor Civita para dirigir uma nova revista da então nascente editora Abril, a Quatro Rodas, especializada no mundo automobilístico. Sob seu comando, despontaram ícones do jornalismo brasileiro, como o repórter José Hamilton Ribeiro.
Na Quatro Rodas, ele descobriu seu talento para criar e comandar algumas das publicações mais influentes do jornalismo brasileiro. Ele esteve no lançamento das revistas Veja, em 1968, IstoÉ, em 1976 e CartaCapital, em 1994. Também esteve à frente da equipe fundadora do Jornal da Tarde, em 1966, reconhecido pela qualidade de suas reportagens e inspiração para gerações de jornalistas.
Com outro ícone da imprensa, o jornalista Cláudio Abramo, fundou o Jornal da República, que acabou fechado por questões financeiras. Além de viver nas redações dos jornais e revistas, o jornalista também tem um pé nas artes, com publicação de livros de ficção e exposição de pinturas.
Mino não chegou a concluir curso superior, mas foi agraciado com o título de doutor honoris causa pela Faculdade Cásper Líbero. Em novembro de 2006, recebeu o prêmio de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque no Ano da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE).
Mino foi casado com Maria Angélica Pressoto, que morreu em 1996. Um de seus filhos, o também jornalista Gianni Carta, morreu em 2019, vítima de câncer. Mino deixa a filha, Manuela Carta.
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