Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do presidente da Indonésia, Prabowo SubiantoRicardo Stuckert / Agência Brasil
"Vou completar 80 anos, mas pode ter certeza que estou com a mesma energia que tinha com 30 anos de idade. Pode ter certeza, vou disputar um quarto mandato no Brasil. Estou dizendo isso porque nós ainda vamos nos encontrar muitas vezes. Esse meu mandato só termina em 2026, no final do ano, mas eu estou preparado para disputar outras eleições", disse Lula, durante declaração conjunta à imprensa ao lado de Subianto, no Palácio Merdeka.
O encontro entre os dois presidentes ocorreu em tom descontraído Subianto, que fez 74 anos na semana passada, convidou Lula, que completa 80 anos na segunda-feira (27), para uma festa de aniversário conjunta na noite desta quinta-feira.
A recepção em Jacarta deu início à visita de Estado de Lula à Indonésia, que segue até a sexta-feira (24).
O evento contou com a participação de ministros e representantes do setor privado do Brasil e da Indonésia. Foram firmados acordos nas áreas de energia, mineração, agricultura, ciência, tecnologia, estatística e comércio.
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, assinou um memorando com vistas à ampliação do fluxo comercial e dos investimentos recíprocos com o representante da Câmara de Comércio e Indústria da Indonésia (Kadin).
Já o empresário Wesley Batista, da JBS, firmou um acordo voltado à exportação de proteína animal brasileira para o mercado indonésio. Após a cerimônia, Lula e Subianto voltaram a se reunir no Palácio Merdeka.
O líder indonésio lembrou a visita ao Brasil que fez em julho e destacou que os encontros com Lula têm sido "intensos e produtivos".
"Brasil e Indonésia são forças econômicas em crescimento e têm papel importante na construção de uma nova ordem internacional mais equilibrada", afirmou Subianto, que previu um crescimento de 25% no comércio entre os dois países em 2026.
O líder indonésio também elogiou o papel do Brasil no Mercosul e nas iniciativas de proteção às florestas tropicais.
"Brasil e Indonésia não querem uma nova Guerra Fria. Queremos comércio livre, multilateralismo, democracia comercial e não protecionismo", afirmou Lula.
O presidente também defendeu que os dois países, que somam quase 500 milhões de habitantes, elevem o nível do intercâmbio comercial, atualmente em torno de US$ 6 bilhões anuais. "É pouco para o Brasil e é pouco para a Indonésia", disse.
Com os acordos assinados nesta quinta-feira em áreas como estatística, agricultura, energia, ciência, tecnologia e promoção comercial, Lula apontou para "uma cooperação mais profunda e diversificada" entre as duas nações.
Na esfera internacional, o brasileiro agradeceu o apoio da Indonésia à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém (PA), em novembro, e defendeu a criação de mecanismos de financiamento para a preservação das florestas tropicais.
O presidente reafirmou ainda o apoio à entrada da Indonésia no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e saudou a atuação conjunta no Brics e no G20.
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