Promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto MedinaReproudção/ internet

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), a Polícia Civil e a Polícia Militar (PM) realizaram uma operação na manhã desta sexta-feira (25) contra suspeitos de planejarem o assassinato do promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, responsável por unidades prisionais da região de Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Segundo as autoridades, a ordem para a execução do plano partiu do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao todos, os agentes cumpriram 25 mandados de busca domiciliar distribuídos nas cidades de Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1).
Segundo as investigações, o grupo criminoso pretendia promover atentados contra alvos previamente escolhidos. Para isso, a quadrilha mapeava as rotinas das possíveis vítimas e de seus familiares, fazendo levantamentos detalhados da rotina das possíveis vítimas.
"Os criminosos já haviam identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades, num plano meticuloso e audacioso que demonstrava o grau de periculosidade e ousadia da organização. A célula operava sob rígido esquema de compartimentação, no qual cada integrante desempenhava uma função específica, sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção da trama", detalhou o MPSP.
Ainda segundo as investigações, os criminosos monitoraram a mulher de Medina, que teve o carro fotografado. No celular de um dos criminosos, os policiais encontraram prints e áudios que mostram ele negociando fuzis, "além de coletar prints de mapas de georreferenciamento indicando localizações precisas em Presidente Prudente, inclusive, da sede do Ministério Público de Presidente Prudente".
Em nota, a Procuradoria-Geral de Justiça expressou "seu irrestrito apoio" ao promotor e coordenador de presídios.
"Graças à atuação integrada do Ministério Público, da Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal, o tentame não se consumou. A população pode ficar tranquila. As instituições continuarão desempenhando o seu papel constitucional: defender a sociedade e combater os que vivem à margem da lei! Diferentemente do que possam suspeitar os autores do plano frustrado, esse acontecimento não intimidará nenhum dos valorosos membros do MPSP, que têm como marca a coragem e a altivez. Pelo contrário. Atuaremos com mais energia ainda. Como afirmei em outra ocasião, não recuaremos sequer um centímetro. Repito: sequer um centímetro!", escreveu.
Quem são o promotor e o diretor de presídios
Medina e Gakiya são velhos alvos do PCC. Ambos já tiveram seus nomes envolvidos em outros planos da facção. Eles eram apontados pelos criminosos como "cadáveres excelentes", ou seja, vítimas notórias do crime organizado.

Gakiya é um dos principais responsáveis por investigar a facção no País. Ele é membro do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) do Ministério Público Estadual e atua contra o PCC há mais de 20 anos.

Medina é coordenador das penitenciárias da região oeste de São Paulo, onde está detida a maioria das lideranças do PCC no estado.
*Com informações do Estadão Conteúdo