Paulo Frateschi foi assassinado nesta quinta-feira (6)Reprodução

O corpo do ex-deputado Paulo Frateschi foi velado na manhã desta sexta-feira (7), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na Zona Sul da capital paulista. A cerimônia foi aberta ao público às 8h e encerrada às 14h, quando houve um cortejo até o Cemitério Memorial Parque Jaraguá. O sepultamento ocorreu por volta das 15h30.

Amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Frateschi tinha 75 anos e morreu após ser esfaqueado pelo próprio filho, Francisco Frateschi, na manhã de quinta-feira (6). O ex-parlamentar teve uma vida também marcada por tragédias e havia perdido outros dois filhos em acidentes de carro em 2002 e 2003. Ele deixa a esposa Yolanda Maux Vianna, filhas, netos e irmãos.
Presença de figuras políticas no velório
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, compareceu ao velório do ex-deputado. Haddad cancelou a agenda que cumpriria em Belém (PA) e embarcou pela manhã para a capital paulista. 

"Era uma figura excepcional, um amigo, sem sombra de dúvida, uma das pessoas mais queridas do PT", disse o ministro em conversa com a imprensa. "Talvez tenha sido uma das pessoas que mais passou por provações. Não conheço ninguém que tenha precisado se refazer e superar tantos acontecimentos trágicos."

Emocionado, Haddad afirmou ter conhecido Frateschi há cerca de quatro décadas e lembrou sua atuação na organização de movimentos populares, como a campanha das Diretas Já.

Destacou ainda a disposição do ex-deputado para o debate público e o engajamento em causas políticas e sociais.

O ministro relatou que, desde que assumiu a Fazenda, passou a vir menos a São Paulo e mantinha apenas contatos indiretos com Frateschi, mas continuava informado sobre sua militância.

Pela agenda oficial, Haddad acompanharia Lula em ao menos três compromissos no último dia da Cúpula do Clima, encontro que antecede a abertura oficial da COP30. O ministro chegou por volta de 13 horas na Alesp e foi embora por volta de 14 horas.

O velório reuniu nomes históricos do Partido dos Trabalhadores, entre eles o presidente do partido, Edinho Silva, os deputados estaduais Eduardo Suplicy e Rui Falcão, o ex-ministro José Dirceu e os ex-deputados Fernando Morais e José Genoino. Também esteve presente o deputado federal Ivan Valente (PSOL).

Quem era Paulo Fratschi
Professor por formação, Frateschi foi preso e torturado na ditadura militar, em 1969. Foi vereador e deputado estadual em São Paulo, entre 1983 e 1987, presidiu o diretório paulista do partido e participou da organização das caravanas do presidente Lula, em uma série de viagens pelo País, em 2018.

Em uma entrevista, em 2022, ao podcast Casa Rosa, no Youtube, Frateschi contou que, após deixar a Secretaria Municipal de Relações Governamentais durante o governo de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, em 2014, passou a atuar mais próximo a Lula.
"Eu fui secretário do Haddad. Depois disso, quando veio 14 (2014) terminou ali aquela fase. Eu fui trabalhar mais próximo ao Lula, preparando as caravanas. Eu fiz junto com ele no Instituto (Lula) aqueles apoios todos para manter viva a figura dele", conta. Em 2010, ele ocupou um cargo na Executiva Nacional do partido, como Secretário de Organização, até 2014.

Quando Lula deixou a prisão, em 2019, o presidente chegou a passar alguns dias na casa de Frateschi em Paraty, no Rio de Janeiro. Em uma das viagens da caravana petista com o presidente, ex-deputado levou uma pedrada na orelha esquerda ao tentar proteger o presidente em São Miguel do Oeste (SC).

Ex-parlamentar e um dos nomes responsáveis pela fundação e consolidação do PT, Frateschi foi secretário de Relações Governamentais na gestão da então prefeita Marta Suplicy, entre 2001 e 2004, e ocupou cargos de direção partidária no partido.

Em nota, o PT comunicou e lamentou a morte do ex-presidente do diretório paulista do partido. "Durante toda a sua trajetória, nosso companheiro demonstrou coragem, integridade e compromisso com o PT e pela busca de um país mais justo. Paulo Frateschi deixa um legado, marcado pela luta pela justiça e pela inclusão. Ele permanecerá vivo em nossos corações e nas ações que ele ajudou a inspirar", diz o PT.