Flávio Bolsonaro disse que pretende vencer a eleição "usando o cérebro e não o fígado"Jefferson Rudy/Agência Senado
Ainda assim, o "zero um" de Bolsonaro salientou que a relação com Tarcísio é boa e que o encontrará nesta quinta-feira, 12. Flávio afirmou ser admirador do governador de São Paulo, dizendo considerar que ele faz um governo de destaque e o descrevendo como alguém "genial". Declarou ainda ter convicção de que o aliado deve se engajar integralmente em seu projeto político.
"Em função da visão política que ele tem e as pesquisas hoje estão mostrando isso, eu acho que foi uma decisão acertada, porque eu, de verdade, me sinto muito preparado", disse Flávio em painel do evento CEO Conference Brasil 2026, do BTG Pactual. "Acho que nesses dois meses, até as pesquisas que eu tenho as minhas ressalvas mostram um crescimento rápido, consistente e irreversível."
O senador afirmou ainda que, ao observar as pesquisas mais recentes, fica claro que um "candidato de centro-direita que não fosse Tarcísio" teria dificuldades para vencer a eleição ao governo de São Paulo. Ele também rebateu tentativas de setores da imprensa de criar "animosidade ou atritos" entre os dois, ressaltando que sempre manteve uma relação direta e transparente com o governador, a quem se referiu como "amigo".
Flávio também disse que, ao chegar ao Brasil, nesta quarta-feira, fez questão de passar na prisão para abraçar o pai. Afirmou ainda que sua trajetória de 23 anos na vida pública é marcada pelo "diálogo e não pelo confronto".
Ao comentar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), avaliou que não houve "autocontenção" da Corte e que, diante disso, caberia a outro Poder intervir no processo de seu pai, que o condenou a 27 anos e três meses de prisão. Por fim, declarou que pretende vencer eleições com racionalidade, "usando o cérebro e não o fígado".
"Todo mundo está vendo que há uma clara opção, por parte da grande maioria do eleitorado, que coloca Flávio Bolsonaro e o candidato 'das trevas' com pisos muito altos", disse. "Mas, tenho certeza de que essa possível terceira via, não estando, não passando para o segundo turno, não vai caminhar com o Lula também."
Flávio afirmou ter convicção de que os partidos do Centrão, com os quais mantém diálogo, não estarão alinhados ao PT nas eleições. Disse ainda que tem conversado com diversas legendas e ressaltou adotar uma postura reservada sobre as articulações políticas.
Segundo ele, a expectativa é de que os partidos acabem se somando ao projeto de oposição a Lula, citando conversas positivas com dirigentes partidários, como o presidente do PP, Ciro Nogueira; o líder do União Brasil, Antônio Rueda; o dirigente do PSD, Gilberto Kassab; a líder do Podemos, Renata Abreu; e Marco Pereira, do Republicanos, que já o recebeu uma vez, apesar de "conversarem menos".
"Todo mundo estava apostando que o Tarcísio seria o candidato indicado pelo presidente Bolsonaro", continuou. "Ele aparecia nas pesquisas com números melhores do que os do Flávio Bolsonaro Só que se passaram esses dois meses e várias pesquisas já mostram isso com relação a mim."
Flávio avaliou que o processo segue dentro do esperado e dentro dos prazos, afirmando que ainda é cedo para cobrar decisões definitivas desses partidos. Segundo ele, o principal marco será o dia 5 de abril, prazo de desincompatibilização de chefes do Poder Executivo, quando o cenário ficará mais claro e permitirá uma leitura mais realista das opções disponíveis.
O senador disse que, até lá, os partidos ainda estão avaliando se uma coligação nacional com o PL fortalece ou prejudica suas estratégias locais nos Estados. Afirmou respeitar as legendas que apresentam candidaturas próprias e ressaltou que segue trabalhando para ampliar o número de partidos aliados ao que classificou como uma "caminhada da vitória".
Nesse sentido, Flávio afirmou que não conversou com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sobre ocupar o cargo de candidato a vice-presidente, e também disse não ter sugerido que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fosse candidato ao governo do Estado. No entanto, reconheceu que o parlamentar participará da definição do nome bolsonarista ao governo mineiro.
O senador disse, no entanto, que criará mecanismos para a redução da dependência aos programas, para que as pessoas "caminhem com as próprias pernas". O senador não deu detalhes sobre o tema.
Cortes de gastos
Flávio afirmou que um "time" prepara as propostas de cortes, mas tampouco deu detalhes sobre os colaboradores. "É um castelo de cartas, você não pode tirar uma carga. Para reduzir o imposto aqui, tem que saber qual vai ser o impacto disso em determinado segmento. Tem um time que está me ajudando a fazer, botar essa proposta no papel. Só que o mais importante que a gente tem que voltar a ter no Brasil é previsibilidade", continuou.
Críticas ao governo do PT
Flávio criticou as medidas econômicas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que o arcabouço é "baseado no aumento de arrecadação". "Vou trabalhar muito para acomodar os gastos públicos dentro do Orçamento, e essa previsibilidade tem que ser algo duradouro, não dá para fazer uma conta para a próxima eleição", declarou.
O senador disse ainda que Lula "rouba os pobres" e faz "assistencialismo barato" e citou os prejuízos nas estatais. "Lula está dando com uma mão e tirando com a outra. O Lula promete que vai dar café da manhã, almoço e jantar desde 2002. Nas eleições seguintes, ele promete de novo", falou.
Segurança Pública
Tal como o pai, Flávio prometeu ser "radical" na área de segurança pública e defendeu a recuperação de territórios hoje comandados pelo crime organizado. Segundo ele, o primeiro território a ser recuperado será o dos presídios.
"No Brasil a gente tem que começar a resgatar os territórios que hoje são dominados por organizações narcomilicianas, narcoterroristas", falou.
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