'Não tem nada a ver com o filme', disse FlávioReprodução / GloboNews
"Não tem nada a ver com o filme", disse o senador, ao ser questionado sobre a operação policial.
Flávio Bolsonaro participa de evento do Projeto PRISMA-RJ - Projeto de Integração, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Mobilidade no Rio de Janeiro -, iniciativa que reúne estudos técnicos voltados à futura implantação da Linha 3 do Metrô. Executado pelo Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), o projeto prevê a conexão entre Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, integrada à cidade do Rio de Janeiro e aos demais sistemas metropolitanos de transporte.
A operação Wi-Fi Livre investiga uma possível relação entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB. A investigação apura fraudes em licitação da prefeitura no valor de R$ 108 milhões. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital verifica eventuais irregularidades na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede wi-fi pública em comunidades do município, no contexto do programa WiFi Livre SP.
A Prefeitura de São Paulo informou que "repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil (ICB) seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade". (Leia a íntegra abaixo.). Já o prefeito Ricardo Nunes falou em perseguição política.
Ao todo, a Polícia Civil apreendeu cinco celulares, nove notebooks, 14 pendrives e documentos diversos, além do HD encontrado na Secretaria.
A defesa de Karina Ferreira não foi localizada. A reportagem pediu manifestação da empresária via WhatsApp, mas não obteve retorno. O espaço está aberto.
Integrantes da Operação WI-FI realizaram buscas na sede do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da Go UP Entertainment Ltd - responsável pelo filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro -, com endereço na Avenida Paulista. No local, os agentes não fizeram apreensões.
O prefeito foi perguntado nesta manhã sobre uma das hipóteses apuradas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), de que parte dos recursos do contrato investigado possa ter sido destinada à Go UP durante a produção do filme.
"Eu tenho empresa de embalagem, eu tenho empresa de aterro sanitário, eu tenho fazenda, eu tenho várias atividades, eu sou prefeito, qual o problema da pessoa ter várias atividades? Então, se é essa a motivação, aí eu acho grave. Aí muda o meu discurso. Se a motivação é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave. Aí é perseguição política", disse o prefeito.
Aditivos sob suspeita
O Instituto Conhecer Brasil (ICB) firmou com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia um contrato para implantar, operar e manter cinco mil pontos públicos de Wi-Fi em comunidades da periferia de São Paulo, dentro do programa WiFi Livre SP.
A Polícia Civil pediu acesso às análises do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações do ICB, da Go UP Entertainment Ltd e de Karina Ferreira. Uma das hipóteses investigadas é a de que parte dos recursos do contrato tenha sido desviada para a produtora durante o período de produção do filme "Dark Horse".
Os investigadores suspeitam de fraudes no processo de seleção da ONG, na execução do contrato e possível desvio de recursos públicos. Segundo eles, o chamamento público contou apenas com a participação do ICB, entidade sem experiência prévia na área de telecomunicações e que atuava principalmente com feiras e eventos literários e religiosos.
O Tribunal de Contas do Município (TCM) identificou 20 irregularidades no edital e recomendou a suspensão do contrato, mas a Prefeitura manteve a contratação. A Polícia também apontou indícios de sobrepreço ao comparar os valores pagos anteriormente à Prodam (empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município) com os cobrados pelo ICB.
Enquanto a implantação de cada ponto de Wi-Fi custava R$ 230 e a manutenção R$ 306 nos contratos antigos, a ONG passou a cobrar R$ 1,8 mil mensais por ponto instalado, sem apresentar justificativa técnica considerada plausível pelos investigadores
Ao longo da execução do contrato, a Prefeitura assinou aditivos que elevaram os repasses ao ICB de R$ 108 milhões para R$ 157,1 milhões. Segundo a investigação, apenas 3,2 mil dos 5 mil pontos previstos teriam sido efetivamente instalados, mesmo após sucessivas prorrogações contratuais. Relatório da Promotoria aponta ainda pagamentos antecipados de R$ 26 milhões sem comprovação da prestação dos serviços e suspeita de que parte dos pontos informados sequer exista.
Até dezembro de 2025, a Prefeitura já havia pago R$ 83 milhões ao instituto e reservado outros R$ 53 milhões no orçamento deste ano.
Leia a íntegra da nota da Prefeitura de São Paulo
A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp.
Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade.
A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade.
Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês.
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