Pedro Duarte afirma que, com a recente revisão do Plano Diretor, o foco agora é garantir que suas diretrizes saiam do papelFoto Divulgação
Ao exercer minhas responsabilidades como vereador do Rio, uma experiência que contribuiu para meu entendimento sobre políticas públicas foi o contato que mantive com projetos e ações de outros países, tais como Estados Unidos, Japão, Colômbia, Portugal e, mais recentemente, Índia. Essas visitas, sempre custeadas com recursos próprios, vêm me ensinando que, apesar das distâncias culturais e econômicas, há algo que une cidades de todos os continentes: o desejo de oferecer soluções criativas para problemas complexos.
Desta última vez, fui à Índia para participar do Congresso Global World Summit Awards (WSA), um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo, e, de quebra, conheci políticas públicas por lá. Trata-se de um país com 1,5 bilhão de habitantes que enfrenta desafios imensos, pobreza, desigualdade e caos urbano. Ainda assim, é um país que floresce por meio da ousadia de seus empreendedores. Sua população carrega a marca da resiliência, na medida em que vive suas contradições, mas encontra espaço para inovação.
Estamos falando da Índia, mas poderíamos estar citando o Rio, afinal também temos inúmeros casos de resiliência para mostrar ao mundo. Aliás, uma dessas iniciativas foi justamente premiada no Congresso WSA: o projeto, criado por uma startup carioca (naPorta), que vem possibilitando a criação, desde 2021, de endereços digitais, a fim de viabilizar entregas em locais onde os Correios não chegam, tais como comunidades em áreas deflagradas, regiões rurais e ribeirinhas. É uma solução logística simples, nascida da escassez, que chegou ao Vidigal na semana passada com o lançamento do primeiro CEP digital da comunidade.
Essas experiências, lá e aqui, reforçam uma certeza que carrego comigo no decorrer da minha atuação pública: a cidade que queremos ainda não existe, mas temos a capacidade de criá-la. E essa construção não poderá ser alcançada apenas com grandes obras de infraestrutura ou com promessas vazias. Será com a garantia de liberdade para inovar, com incentivo ativo ao empreendedorismo, com troca de experiências e diálogo com quem conhece de perto os problemas do dia a dia — e que muitas vezes já está propondo soluções.
Mumbai, Delhi, Rio de Janeiro. A diferença entre esses locais e as grandes potências não está no tamanho dos seus problemas, mas no quanto somos capazes de transformar escassez em oportunidade. Precisamos valorizar as soluções que saem do pequeno negócio familiar, da startup de base comunitária, da periferia — e garantir que o poder público não atrapalhe quem quer empreender, inovar, gerar renda e fazer a cidade funcionar.
Por isso, é importante termos um Rio mais aberto à inovação, mais justo com quem empreende e mais eficiente na gestão de desafios. Um Rio onde o talento e a criatividade tenham vez. Onde a prefeitura seja parceira de quem quer resolver e não entrave. Um Rio com liberdade para criar, com segurança para trabalhar e com respeito a quem tenta mudar a própria realidade — e, no processo, ajuda a mudar a realidade de toda a cidade.
Seguimos aprendendo com o que há de melhor aqui e lá fora. Seguimos acreditando que, com coragem, troca e boas ideias, o Rio tem jeito — e o caminho para isso passa, necessariamente, pela liberdade de inovar e de empreender.

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