Pedro DuarteFoto Divulgação

Câmeras de vigilância, reconhecimento facial, drones, sensores, inteligência artificial. Se antes esses dispositivos pareciam realidade distante, hoje já fazem parte da nossa rotina — da portaria do prédio a uma simples pesquisa na internet. O mesmo deveria acontecer, com frequência e amplitude maior, na área da segurança pública, a exemplo do que vimos no show da Lady Gaga.
Construir cidades mais seguras exige planejamento, investimento e capacidade de adaptação. Em tempos de debate, na Câmara do Rio, sobre o armamento da Guarda Municipal, é essencial lembrar que segurança também se faz com inteligência, e não apenas com força. O uso da tecnologia, inclusive por prefeituras, pode transformar o trabalho das forças de segurança e ampliar a proteção da população.
Por entender que segurança pública está ligada a planejamento urbano, a Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio vem estudando exemplos de cidades como Nova York e Tóquio, que já utilizam tecnologias de detecção de disparos, rastreamento de veículos e policiamento preditivo. Também tem olhado para cases do país. São Paulo é referência com o programa Smart Sampa, que integra câmeras, sensores e inteligência artificial para antecipar ocorrências.
Aqui, na Câmara do Rio, saímos do campo das ideias e apresentamos soluções concretas. Um exemplo é o projeto, de nossa autoria, que trata da integração dos sistemas de monitoramento das concessões públicas ao Centro de Operações Rio. O objetivo é garantir que imagens e informações captadas em praças de pedágio, como Linha Amarela, estejam à disposição da prefeitura.
No Rio, a Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia de Apoio à Segurança Pública (Civitas), lançada recentemente, segue essa linha e mostra que o problema também deve ser encarado de frente pela esfera municipal. Com uso de câmeras e leitura de placas em tempo real, o sistema já apoia monitoramento de áreas críticas. Outro avanço é a “Cora”, inteligência artificial em testes no Centro de Operações Rio (COR) que auxilia no acompanhamento de túneis.
Por outro lado, o uso de câmeras corporais por agentes de segurança, a exemplo de SP, tem reduzido denúncias de abuso. Drones já são empregados em 63% das forças estaduais no Brasil, enquanto o reconhecimento facial está presente em um terço delas. Ferramentas como o Family Faces, que usa IA para localizar pessoas desaparecidas, mostram o potencial da tecnologia para proteger e salvar.
O desafio maior, no entanto, está na implementação. Tecnologia requer treinamento, banco de dados, investimento e transparência. Precisamos de regras claras, respeito à privacidade e divulgação pública de resultados. A confiança da população é essencial para que o uso desses recursos seja efetivo. E mais: a tecnologia não deve substituir a presença do poder público, mas tornar sua atuação mais eficiente.
Como se vê, o debate sobre segurança não pode ser dominado por extremos: de um lado, a ideia de
que basta armar a Guarda Municipal; de outro, o discurso de que toda ação do Estado é opressiva.
Até porque o mundo avança com sensores, algoritmos e dados. O futuro exige integração e
inteligência. E o Rio — com sua capacidade criativa — não pode ficar para trás.