Pedro DuarteFoto Divulgação
Nós, entusiastas do Parque Jardim de Alah, temos a expectativa de que o espaço se transforme num novo cartão postal do Rio de Janeiro daqui para a frente. O anseio se justifica diante das mudanças significativas previstas para essa área, que conecta a belíssima Lagoa Rodrigo de Freitas com as praias de Ipanema e Leblon. A lista é promissora: retirada de grades, novo paisagismo, parque inclusivo, quadras de esporte, ginásio coberto, anfiteatro, lojas, restaurantes, museu, creche e escola. E tudo isso a cargo da iniciativa privada, ou seja, sem gastar um tostão do contribuinte.
O modelo segue o formato de “concessão”, pelo qual um ente público faz uma licitação aberta. O vencedor investe no projeto e, como contrapartida, recebe o direito de operar serviços durante um prazo. No caso do Jardim Alah, o parceiro exercerá o direito sobre áreas comerciais locáveis e estacionamento ao longo dos próximos 35 anos. Como se pode ver, trata-se de uma relação ganha-ganha. Enquanto o Poder Público não precisa utilizar recursos do seu caixa, o cidadão ganha um parque novo, com investimentos de R$ 115 milhões, e a garantia da manutenção do serviço gratuito.
É possível perceber que, muito além dos números frios e das caraterísticas contratuais, o projeto do Parque Jardim de Alah é a viabilização de um novo espaço público, caminhável, seguro e com equipamentos que vão atrair cariocas e turistas. Nesse contexto, não pode faltar o lado humano: histórias individuais serão construídas, transformadas e ressignificadas. Incluindo aí, é claro, o entorno do parque, na medida em que haverá uma contrapartida social para a Cruzada São Sebastião, conjunto habitacional localizado no “coração” do Leblon.
Mas, se todos ganham, por que foram então colocados tantos obstáculos à concessão do parque? A resposta é quase óbvia: não estamos diante de um projeto polêmico, como se pode pensar, mas sim de um projeto que foi polemizado à exaustão de forma proposital. Felizmente, o Tribunal de Justiça do Rio revogou, no último dia 16, a liminar que suspendia o projeto, considerando improcedente ação do MP Estadual que se escorava em dois pontos: suposta descaracterização da área e impacto ambiental. O entendimento do TJ, após idas e vindas judiciais, é que não há qualquer indício de lesão contra o patrimônio histórico-cultural ou ambiental. Melhor assim!
Agora, espera-se que a experiência a ser realizada no Parque Jardim de Alah sirva de exemplo para outras iniciativas pela cidade do Rio, inclusive em espaços de dimensões menores. Como já falamos em outro artigo por aqui, parcerias privadas podem dar nova vida a locais até então abandonados ou subutilizados. Veja o exemplo dos viadutos espalhados pelos bairros do nosso município! Eles poderiam ser revitalizados, a exemplo do que já acontece em Buenos Aires, Toronto e até mesmo São Paulo, tornando a cidade mais humana e mais segura.
Desde já, estamos atentos!! Para que o projeto do Jardim de Alah não fique refém novamente do proselitismo ou de lances jurídicos; que vá adiante e se transforme num novo marco para a cidade. É preciso que surjam novas parcerias como essa, com empreendedores que queiram contribuir para uma cidade mais viva, sustentável e com a cara do Rio.



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