Vereador Pedro DuarteDivulgação

A orla do Rio já é um dos principais espaços de lazer da cidade aos domingos. O fechamento de pistas para os carros é um acerto, e o programa “Área de Lazer” tem se consolidado como oportunidade de convivência, prática de esportes e uso democrático do espaço público. Mas, como todo bom projeto, precisa de revisões constantes — especialmente quando há conflitos entre usuários.
Nos últimos anos, o crescimento do número de bicicletas, patinetes e outros modais sobre rodas tem chamado atenção. Eles disputam espaço com pedestres, muitas vezes idosos ou crianças, que caminham por vias antes exclusivas ao lazer. A ciclovia existente, estreita e sobrecarregada, já não dá conta da demanda. E os problemas são inevitáveis.
O caso mais recente e simbólico aconteceu em Ipanema: uma senhora de 63 anos foi atropelada por uma bicicleta elétrica enquanto caminhava pela pista de lazer da orla, durante o horário em que a via no local está fechada para veículos. A circulação de bicicletas elétricas é proibida ali, mas a ausência de regras mais claras e de fiscalização efetiva cria um ambiente confuso e, às vezes, perigoso.
Isso mostra como é urgente reorganizar a convivência nesse espaço. A atual configuração, que empurra todos os modais de rodas para uma ciclovia de apenas 1,5 metro de largura — dividida ainda com pedestres, turistas e moradores — não oferece a segurança necessária para a demanda atual. Enquanto isso, o calçadão e as pistas fechadas somam cerca de 10 metros, mas seguem sendo ocupadas de maneira desordenada.
Existem boas referências a seguir. Em cidades como São Paulo e Fortaleza, programas como o “Ciclofaixa de Lazer” oferecem, aos domingos, rotas específicas para bicicletas, com apoio de agentes de trânsito e pontos de apoio com atividades educativas. Nesses locais, o lazer e a segurança caminham juntos, e os conflitos entre pedestres e ciclistas são minimizados por uma simples decisão: dar a cada grupo um espaço claro e bem delimitado.
É esse tipo de solução que precisa entrar no radar do Rio. Dedicar uma das três faixas da pista de lazer exclusivamente para bicicletas, patins, patinetes e similares ajudaria a reduzir acidentes e daria mais fluidez para quem pedala — sem prejudicar o passeio dos que preferem caminhar ou correr. Mais do que isso: ajudaria a fortalecer o respeito às regras e a harmonia entre todos que aproveitam a cidade aos domingos.
É preciso também pensar na ampliação do programa “Área de Lazer". Aos sábados, especialmente na alta temporada, a cidade continua cheia e as famílias continuam em busca de lazer ao ar livre. Expandir a área de lazer para esses dias e levar a ideia para regiões como as Zona Norte e Oeste, além da Praia
de Botafogo, podem ser passos importantes para democratizar ainda mais o espaço urbano.
A cidade precisa de regras claras, planejamento e fiscalização. Mas também precisa de sensibilidade para entender que espaços públicos são feitos para as pessoas — e que a boa convivência é construída com equilíbrio. Reordenar a área de lazer da orla com mais segurança para quem pedala e mais tranquilidade para quem caminha não é uma ruptura, mas uma evolução natural.