Pedro DuarteDivulgação
Quem frequenta praças, parques e áreas de lazer do Rio constata um padrão: crianças pequenas brincando, adultos caminhando, grupos de rapazes jogando bola. Raramente, no entanto, flagramos jovens ocupando esses espaços — e isso diz muito sobre como a cidade se relaciona com essa faixa etária.
A ausência de jovens em espaços públicos não é apenas questão de comportamento. É consequência de um planejamento urbano que não os abrange de forma satisfatória. Há espaços de lazer voltados para os
pequenos e quadras para os meninos. Mas onde estão as áreas pensadas para convivência, autonomia e segurança das meninas entre 11 e 17 anos? Onde elas podem existir sem medo, sem vigilância excessiva e sem julgamento?
Esse vazio urbano contribui para outro problema: a ociosidade perigosa. Em bairros mais vulneráveis, é comum encontrar jovens que crescem cercados por violência, sem ter para onde ir quando não estão na escola. Faz sentido perguntar a esses jovens por que estão na rua — ou mesmo no tráfico — se não lhes foi dada outra alternativa? Não se combate aliciamento para o crime apenas com polícia: é preciso oferecer espaço, vínculo e projeto de vida.
pequenos e quadras para os meninos. Mas onde estão as áreas pensadas para convivência, autonomia e segurança das meninas entre 11 e 17 anos? Onde elas podem existir sem medo, sem vigilância excessiva e sem julgamento?
Esse vazio urbano contribui para outro problema: a ociosidade perigosa. Em bairros mais vulneráveis, é comum encontrar jovens que crescem cercados por violência, sem ter para onde ir quando não estão na escola. Faz sentido perguntar a esses jovens por que estão na rua — ou mesmo no tráfico — se não lhes foi dada outra alternativa? Não se combate aliciamento para o crime apenas com polícia: é preciso oferecer espaço, vínculo e projeto de vida.
Já em áreas de classe média e alta, a exclusão tem outro formato: enclausuramento. Crianças crescem indo de casa para escola, da escola para o shopping, do shopping para o Uber. O contato com o espaço público — com o diferente, com o inesperado — praticamente não existe. O medo e a busca por segurança transformaram a cidade em uma sucessão de “caixinhas” fechadas, que pouco oferecem de convívio comunitário. E isso também cobra preço alto: autonomia limitada, pouca empatia e uma geração que
chega à vida adulta sem saber se relacionar com a própria cidade.
O espaço continua sendo pensado por adultos, para adultos — muitas vezes homens — e quase nunca escutando quem mais precisa ser incluído. Mas há soluções. Em Viena e Bath, cidades da Áustria e Inglaterra respectivamente,parques foram reformulados com a participação de jovens, incluindo mobiliário mais acolhedor, áreas de descanso, iluminação segura e espaços neutros de convivência. No Brasil, o Parque Madureira é exemplo de espaço público que mistura lazer, esporte e cultura — e consegue atrair diferentes gerações.
Agora, com a promessa de concessão de seis parques cariocas à iniciativa privada — incluindo o próprio Parque Madureira —, surge uma oportunidade concreta de repensar esses espaços com mais inclusão, segurança e escuta da juventude. Os contratos, que prometem investimentos e melhorias na estrutura, deveriam incorporar a visão de jovens sobre como usar e viver esses parques.
O conceito de Design Ativo reforça que o planejamento urbano pode incentivar o movimento, a saúde e o bem-estar. Calçadas bem-cuidadas, praças acessíveis, rotas seguras para escolas, bancos à sombra, além de estrutura para brincar, caminhar e pedalar com segurança, são ações simples, mas transformadoras.
chega à vida adulta sem saber se relacionar com a própria cidade.
O espaço continua sendo pensado por adultos, para adultos — muitas vezes homens — e quase nunca escutando quem mais precisa ser incluído. Mas há soluções. Em Viena e Bath, cidades da Áustria e Inglaterra respectivamente,parques foram reformulados com a participação de jovens, incluindo mobiliário mais acolhedor, áreas de descanso, iluminação segura e espaços neutros de convivência. No Brasil, o Parque Madureira é exemplo de espaço público que mistura lazer, esporte e cultura — e consegue atrair diferentes gerações.
Agora, com a promessa de concessão de seis parques cariocas à iniciativa privada — incluindo o próprio Parque Madureira —, surge uma oportunidade concreta de repensar esses espaços com mais inclusão, segurança e escuta da juventude. Os contratos, que prometem investimentos e melhorias na estrutura, deveriam incorporar a visão de jovens sobre como usar e viver esses parques.
O conceito de Design Ativo reforça que o planejamento urbano pode incentivar o movimento, a saúde e o bem-estar. Calçadas bem-cuidadas, praças acessíveis, rotas seguras para escolas, bancos à sombra, além de estrutura para brincar, caminhar e pedalar com segurança, são ações simples, mas transformadoras.
Mais do que reformar praças, precisamos transformar o olhar sobre quem tem direito à cidade. Garantir que jovens — especialmente os mais invisibilizados — possam ocupar os espaços urbanos é investir em saúde, segurança e cidadania. E, para isso, é fundamental ouvir o que eles têm a dizer.
.
.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.