Pedro DuarteFoto Divulgação

O Carnaval de 2026 confirmou algo que o carioca já vinha percebendo nas ruas: o Rio voltou com força total ao mapa do turismo internacional. Foram 300 mil turistas estrangeiros no Brasil durante a folia, um recorde, e cerca de 110 mil deles escolheram o Estado do Rio como destino, o equivalente a 36% de todo o fluxo internacional do período. Na prática, isso significa ruas mais movimentadas, comércio aquecido e milhares de oportunidades de renda espalhadas pela cidade.

Esses 300 mil visitantes representam cerca de 30% de toda a movimentação internacional de um mês inteiro concentrada em apenas sete dias. É um crescimento de 17% em relação ao Carnaval de 2025, um salto que não acontece por acaso. Segundo o Ministério do Turismo, o Rio recebeu no total cerca de 8 milhões de foliões, somando turistas estrangeiros e brasileiros de outras regiões do país, gerando um impacto estimado em R$ 5,7 bilhões na economia por aqui.

O resultado combina a potência cultural do carnaval carioca com uma infraestrutura turística que vem se adaptando a um novo perfil de viajante. Nesse cenário, as plataformas de hospedagem de curta temporada tiveram papel decisivo. As buscas por estadias no Rio cresceram quase 50% em relação ao ano passado, e mais da metade das reservas foi feita por grupos de três ou mais pessoas, um indicativo claro de viagens coletivas que movimentam bairros inteiros e espalham consumo por toda a cidade.

E o avanço desse modelo não enfraqueceu a hotelaria tradicional. Pelo contrário. O Carnaval de 2026 também bateu recorde de ocupação hoteleira: 99,02%, acima dos 98,62% registrados no ano anterior, segundo o HotéisRio. Regiões como Glória/Botafogo atingiram 99,89% de ocupação, superando áreas historicamente mais disputadas como Leme/Copacabana. O Centro também operou praticamente lotado, com 99,47% de ocupação.

O volume de visitantes no Rio superou o de outros grandes destinos do Carnaval. A capital fluminense recebeu mais turistas do que São Paulo, com 4,7 milhões; Bahia, com 3,7 milhões; e Pernambuco, que registrou 2,8 milhões. A preferência pelo Rio também aparece no movimento aéreo. Entre os dias 13 e 22 de fevereiro, o Aeroporto Internacional do Galeão contabilizou 599 mil passageiros em embarques e desembarques, sendo 238,8 mil em voos internacionais e 361 mil em operações domésticas. Já o Santos Dumont projetou a circulação de 110,9 mil viajantes em 906 voos, um crescimento de 27% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Celebrar o aumento de turistas estrangeiros é reconhecer que o Rio de Janeiro está conseguindo transformar sua vocação cultural em desenvolvimento econômico. O crescimento da hospedagem de curta temporada mostra que é possível expandir a oferta turística sem conflito, integrando modelos e atendendo a uma demanda que só cresce.

Quanto mais estruturada for essa cadeia, com regras claras, segurança jurídica e estímulo à atividade, maior será a capacidade de gerar emprego, renda e vitalidade urbana. O Carnaval mostrou que o Rio tem apetite, capacidade e vocação para receber o mundo. Cabe agora consolidar esse ciclo virtuoso.
Pedro Duarte é vereador e presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio