Exposição conta com apresentação teatral, música e oficina interativaEdson Paes

Você lembra da época em que as fotos precisavam ser reveladas? Lembra qual foi a última vez que reuniu a família depois do almoço para ver retratos antigos? Hoje, com o mundo digital, essas atividades foram extintas quase que por completo, mas uma exposição chega ao Rio de Janeiro para reviver a época em que a tecnologia não era tão avançada.
Para relembrar a história da fotografia analógica, o projeto ‘Rio+200 - Fotografia itinerante: Rio Janeiro - Vitrine da Nação’ convida o público para uma exposição ao ar livre com mais de 100 fotografias escolhidas do acervo do Instituto Moreira Salles e do Theatro Municipal, que contam alguns acontecimentos do Rio de Janeiro no decorrer do Bicentenário da Independência. O evento acontece entre 25 e 27 de maio, das 10h30 às 12h, no Museu da República, localizado no Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro.
A exposição foi criada para reviver a história da cidade do Rio de Janeiro, contando o processo de modernização e as transformações que aconteceram durante o período, sendo registradas pelas lentes de Marc Ferrez, Guilherme Santos e Augusto Malta, este último considerado o principal fotógrafo do período.

Além da fotografia, o evento oferece ao público o contato com o teatro mambembe ¬— grupo com artistas amadores —, com o objetivo de valorizar a história de artistas que se realizam em plena praça pública ou nos jardins, como é o caso dos fotógrafos Lambe-lambe, que retratavam em espaços públicos, e são grandes responsáveis pela popularização da fotografia. As pessoas presentes ainda têm a oportunidade de ver, através de monóculos e slides garimpados na feira de antiguidades da Praça XV, imagens que mostram o Rio antigo, seus moradores e visitantes.
Com apresentação de teatro de bonecos, circo, mágica, música e exposição, o evento vai contar a trajetória de personagens que fizeram parte da história da fotografia brasileira, como a alemã Hildegard Rosenthal, que veio ao Brasil após a Segunda Guerra Mundial e se tornou a primeira mulher do fotojornalismo nacional; Gioconda Rizzo, a primeira fotógrafa brasileira a ter seu próprio estúdio; Hercule Florence, francês que chegou no Brasil, aos 20 anos, e inventou um dos primeiros métodos de fotografia do mundo, e D. Pedro II, que trouxe para o Brasil a primeira máquina fotográfica, o Daguerreótipo – ele começou a fotografar aos 15 anos de idade, e é considerado o primeiro e mais jovem fotógrafo brasileiro.
A exposição nasce para celebrar o Bicentenário da Independência, e tem como patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.
"Na era digital, dos celulares e smartphones, basta olhar a tela para ver as imagens. Ao mesmo tempo em que ganhamos praticidade, perdemos muito da magia do universo analógico. Queremos mostrar para o público essa magia”, conta a idealizadora e diretora do projeto, Sandra Calaça. “Vamos apresentar a câmera escura, a caixa preta, o daguerreótipo, a revelação com papel fotográfico, e a imagem revelada no papel que passa pelos químicos e a água. Vamos trazer novamente para as praças e jardins o fotógrafo com sua máquina laboratório, conhecida como ‘Lambe-lambe’, que era figura frequente em espaços como a Praça Saens Peña e o Largo do Machado”, acrescenta.
O projeto ‘Rio+200, fotografia itinerante: Rio de Janeiro – vitrine da nação’, uma parceria com a Quero Bem Produções e a Arte Andarilha, também vai contar com oficinas e lives sobre fotografia. A oficina ‘A Luz quer Brincar’, que vai ocorrer para os alunos do CIEP Presidente Agostinho Neto, no Theatro Municipal e Museu da República (para crianças a partir de 10 anos com responsável), Pais & Filhos, juntos fazem um passeio pela história da fotografia e constroem uma câmara escura. Nas lives da série ‘Rio+200 – a Fotografia e o Brasil’, convidados vão falar sobre pesquisa e história fotográfica, empreendedorismo e o ofício do Lambe-lambe, passado entre as gerações, e, desde 2005, Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial.
Comemorando este momento histórico, este evento oferece aos amantes da fotografia uma oportunidade única de explorar a cidade do Rio de Janeiro de uma forma que só a fotografia analógica pode proporcionar.
*Reportagem do estagiário Lucas Tavares, sob supervisão de Paulo Ricardo Moreira