Xande de Pilares e Caetano VelosoDivulgação

Rio -  O cantor Xande de Pilares fez uma homenagem a um de seus maiores ídolos com o álbum "Xande Canta Caetano", lançado no início deste mês. O projeto, que traz canções que marcaram a trajetória de um dos maiores nomes da música brasileira, tem arranjos de Pretinho da Serrinha e supervisão do próprio Caetano e de sua mulher, Paula Lavigne. Feliz da vida com o resultado, Xande de Pilares conta como surgiu a ideia do álbum.
“Tudo partiu do Caetano, que me fez uma proposta de fazer um show no teatro depois de eu mostrar algumas canções para ele, cantando com voz e cavaquinho. Foi assim que surgiu essa ideia de um disco cantando as suas músicas. Começamos a selecionar algumas canções e a primeira foi 'Muito Romântico', uma das músicas dele que eu ouvia com 7 anos de idade e já gostava. E durante o processo, sempre que a gente acabava de gravar uma base, ele descia até o estúdio, ouvia para acertar algo que não estivesse do agrado dele”, detalha Xande.
Pretinho da Serrinha, responsável pelos arranjos, reconhece a genialidade do Xande e diz que o trabalho é uma oportunidade do sambista mostrar outro lado de seu talento, que ainda não foi visto pelo público. Xande concorda e diz que Pretinho conseguiu tirá-lo da zona de conforto.
“O Pretinho tem 150% de importância nesse trabalho, porque se me deixasse (sozinho), eu ia levar para a minha zona de conforto. Muita gente acha que eu por ser sambista, eu só escuto samba. É uma característica diferente e uma possibilidade maior de mostrar o sentimento que tenho pela música. Fui praticamente conduzido pelos arranjos. São ritmos diferentes, faixas com dois violões, um cavaquinho e atabaque, outras com gaita e sanfona, tudo com muito cuidado para não agredir a obra do autor. Talvez hoje eu me sinta mais cantor, por conta desses desafios que aparecem na minha caminhada”, explica Xande de Pilares.
Sonho
Ao relembrar a infância em uma comunidade do Rio, Xande de Pilares destaca que encontrou na música uma forma de não seguir outros caminhos. Ele também revela que quis mostrar mais de si no projeto "Xande Canta Caetano".
“Esse é o lado do Alexandre Silva de Assis, o filho da Dona Maura, que ganhava os discos de presente, pois eram mais baratos que os brinquedos. Isso me beneficiou para caramba! Queria trazer esse Alexandre de 1977 para o ano de 2023. E a oportunidade que tenho é cantando Caetano Veloso, revivendo aquela coisa que meu ouvido absorvia e colocar para fora. Eu não podia brincar, pois morava num lugar em que se tinha uma superproteção para que eu não vivesse uma vida errada. Então, eu passei a escutar música e assim fui até hoje”, relembra.
Com dez faixas, o álbum começou a ser desenhando ainda no período de pandemia. “De coração, é uma grande satisfação ser produzido e dirigido pelo próprio Caetano, que é dono da obra, e interpretar canções que já ouvia e me fizeram gostar de música. Nunca imaginei ter essa proximidade, poder falar de música com um dos meus ídolos. O Pretinho me leva para a casa de Paula Lavigne, a gente começa a se reunir e no meio das cantorias surge essa minha relação com Caetano. E quando surgiu essa oportunidade, confesso que fiquei meio ‘será que vai rolar?’, ‘como é que vai rolar?’”, afirma.
Resultado
Toda a equipe teve uma série de cuidados para manter viva a essência de Caetano no álbum. “Nós tivemos o máximo de atenção, uma atenção redobrada nesse trabalho... Uma delas foi em relação a tonalidade das faixas, todas elas eu canto no tom original. Poderia cantar num tom mais alto, mas se eu fizer isso, o Xande de Pilares fica na sua zona de conforto. Então, o maior desafio foi preservar a tonalidade, a região que o Caetano canta. E alguns elementos que eu coloco do samba, a divisão nas frases, tudo mediante autorização dele. É mudar, mas não mudando totalmente”, analisa.
Xande promete que em breve fará shows pelo Brasil com direção e supervisão do próprio Caetano Veloso e Paula Lavigne. O artista também destaca que se emocionou ao ver uma de suas principais referências chorar enquanto uma das canções foi apresentada aos envolvidos na produção. “No momento em que eu saio do aquário, na gravação, para ver se tem algo para consertar, já emocionado, estavam Pretinho e Caetano aos prantos e também a Paula, que eu nunca vi chorar. Aí realmente não deu para segurar. Ali eu vi que o objetivo foi alcançado. Um verdadeiro exemplo de que esse trabalho vai emocionar muita gente”, finaliza.