Gigante LeoDivulgação
Leo, que tem nanismo e já se destacou no cenário humorístico nacional com apresentações marcadas por autodeboche e crítica social, coescreveu o livro ao lado de Sergio Nardini, Manoel Ivo, Marcelo Correia e Renato Oliveira. "Escrever 'A Arte de Ser Diferente' foi uma alegria imensa, especialmente por ser meu primeiro livro infantil e por fazer parte da Coleção MaM (Meninos Anti-Machistas)", afirma Leo. "É um projeto que usa a arte para falar de temas essenciais como inclusão e respeito. Queremos que essa história chegue às escolas e se torne uma ferramenta poderosa para mostrar às crianças que a diferença é uma riqueza."
A motivação para escrever para o público infantil veio da convivência com a filha, Luísa, de 8 anos. Segundo Leo, foi o amor pela leitura compartilhado com ela que o levou a buscar uma nova forma de expressão. A personagem Le Cão foi inspirada em Juju, uma buldogue que fez parte da família e nasceu com uma condição renal grave. "Ela só viveu quatro anos, mas nos ensinou muito. Homenageá-la foi especial", diz.
O processo de criação foi coletivo e contou com a colaboração de famílias de crianças neurodivergentes e o apoio formal do Instituto Nacional de Nanismo (INN), que garantiu representações mais próximas da realidade. A personagem Larissa, por exemplo, foi desenvolvida em diálogo com essas famílias para refletir de forma sensível os desafios e potencialidades das crianças neurodivergentes.
Apesar de tratar de temas densos, o livro mantém um tom leve e acessível. "A linguagem infantil não traz tanto o universo cômico em si, mas há muita brincadeira com os nomes dos personagens, como 'Marília Mãe da Onça'", explica Leo. "O humor desarma resistências. Quando falamos desses assuntos de forma militante, às vezes a mensagem não toca as pessoas. O humor consegue isso."
Com referências que vão de Monteiro Lobato a Maurício de Sousa, Leo destaca que sua infância foi marcada por personagens como o Cebolinha, com quem se identificava por também enfrentar dificuldades na fala. Já na fase adulta, vê na literatura um novo caminho de atuação artística: "Pretendo escrever mais livros infantojuvenis. A literatura virou, sim, uma nova paixão", revela.





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