Histórias de duas famílias se cruzam, embaladas por dezenas de canções de Chico Buarque Divulgação
Nossa história com Chico Buarque é um musical 'Com açúcar e com afeto'
Espetáculo com canções do compositor fica em cartaz no João Caetano até 29 de junho
Não há como negar, Chico Buarque é meu compositor preferido. Para mim, ele é incomparável. É uma admiração indelével, feito Tatuagem. Essa idolatria vem do início da minha adolescência, no fim da década de 80, fruto das manhãs de domingo nas quais meu pai fazia da vitrola protagonista, tocando canções do Chico durante horas naquele apartamento modesto de dois quartos, na Rua Dois de Dezembro, no Flamengo. Anos Dourados...
O velho Moreira, uma das pessoas mais cultas que conheci na vida, fazia questão de explicar a história das músicas e o contexto político e social em que foram concebidas, assim como o que Chico quis dizer com versos tipo "quero cheirar fumaça de óleo diesel"; "mesmo calado o peito esta a cuca, dos bêbados do Centro da cidade"; "erguendo estranhas catedrais" ou "avoando de edifícios".
Daí o fato de eu saber cantar, do início ao fim, ao menos duas dezenas de composições buarqueanas. Desde aquela época, consumo tudo que vem direta ou indiretamente desse gênio sagrado da MPB: toadas, samba de enredo, livros, documentários, shows, programas de tv, notícias, etc. Ah, sim, também não perco uma peça de teatro que entre em cartaz aqui no Rio de Janeiro.
No último domingo, eu estava à toa na vida e meu amor me chamou. Então, atravessei a rua com meu passo tímido, rompi com o mundo, queimei meus navios e fui conferir o encantador musical 'Nossa História com Chico Buarque'. Desde o descerrar das cortinas, com o Olho nos Olhos de cada espectador, pude notar uma Roda Viva de sentimentos, que só as profundas letras e melodias da mimese de Chico são capazes de proporcionar Paratodos.
São quase três horas agradabilíssimas de um espetáculo, que une comédia e drama na medida exata. Entornando poesia sobre a plateia, os atores/cantores - com auxilio luxuoso de uma orquestra - encantam Futuros (e antigos) Amantes, com um repertório tão vasto que não senti falta de Umas e Outras, nem da Geni, nem de Ana de Amsterdam.
E pensando nO Que Será que será que mais gostei, destaco a interpretação emocionante de João e Maria. Que afago na alma, Meu Caro Amigo! Trocando em Miúdos, deixou meu peito dilacerado, com Todo Sentimento, como se faltasse um Pedaço de Mim, Apesar de Você. Não contive as lágrimas. Só a Construção desse trecho deveria valer dois ingressos. É o que eu sempre aconselho, contra fel, moléstia, crime use Chico Buarque...
Mas se afobe sim para contemplar o espetáculo 'Nossa História com Chico Buarque', pois qualquer desatenção, faça não, pode ser a Gota D'água para perdê-lo, Meu Guri. A temporada termina no dia 29 de junho. Viva Chico!
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