Publicado 01/08/2022 11:10 | Atualizado 01/08/2022 11:17
Rio - Durante sua participação no programa "Encontro com Patrícia Poeta", da Rede Globo, exibido na manhã desta segunda-feira, Astrid Fontenelle comentou sobre o caso de ataque racista contra os filhos de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, e também, relembrou o episódio de racismo sofrido por seu filho, Gabriel, de 14 anos. Segundo a apresentadora, após reagir contra os racistas, acabou sendo "taxada por maluca" pelos demais.
"O racismo é tão maléfico, da última vez fui taxada de 'mimizenta', está dando 'showzinho' porque é famosa, coisa da sua cabeça, está maluca. Isso tudo ouvi, cara a cara. Tive uma reação parecida com a da Giovanna, parti para cima. Adoraria ser uma líder pacifista, mas o racismo me impede, é o que me faz sair do sério, me desequilibra completamente porque é inaceitável", desabafou. "Agiria como a Giovanna e gostaria de ter um companheiro que reagisse como o Bruno porque eles fizeram a dupla perfeita: a Giovanna foi a leoa e Bruno o racional chamando a polícia", comentou, acrescentando que se Giovanna fosse uma mulher negra, provavelmente, teria sofrido alguma penalização da justiça. "No mínimo ela seria presa junto", afirmou.
Durante a conversa, Manoel Soares, um dos apresentadores do programa, relatou como faz para explicar o assunto para os filhos, que são crianças negras, e ratificou que a luta contra o racismo deve ser um comprometimento de todos. "A luta racial não é dos negros, não é nossa, é de toda a sociedade. É complicado quando você é obrigado ao seu filho a fazer o cálculo do racismo, a ensinar ao meu filho como ele deve reagir se for abordado pela polícia, se for perseguido no shopping. Dizendo para eles que se eles forem vítimas para não reagir. A sua indignação vai ser lida pelo contexto como violência. O corpo negro é um objeto de presunção de culpa", pontuou.
Astrid comentou também sobre os olhares de preconceito destinados a seu filho, Gabriel, em um simples passeio pelo shopping. "Se meu filho entrar numa loja para ver um celular, um tênis, ele vai ser seguido. Acontece que meu filho já carrega um sobrenome, uma carinha, um tom de pele mais claro que Titi e Bless. Tem gente que diz que meu filho é 'moreninho', mas meu filho é preto. Só que ele está num patamar social que deixa ele menos preto, isso é muito cruel", disse.
"Já fui aquela pessoa que falou: 'tenho um amigo preto', mas desde o nascimento do Gabriel, estudei, me aproximei para que aprenda a lidar. Meu lugar na sociedade, vou ser raivosa com o Gabriel, com seus filhos, sou aquela que vai estar ao lado na mesa do restaurante para dar tapa na cara junto, no mínimo ligar para a polícia, vou reagir. Esse é meu lugar na sociedade não deixar passar", concluiu sobre seu papel, como uma mulher branca, na luta racial.
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