Famosos lamentam morte de Luis Fernando Verissimo: ’Suas histórias são eternas’Reprodução / Instagram

Rio - Famosos utilizaram as redes sociais para lamentar a morte do escritor Luis Fernando Verissimo, neste sábado (30). O autor, que faleceu aos 88 anos, estava internado desde o início do mês no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com quadro de pneumonia.
O poeta Fabrício Carpinejar homenageou o Verissimo com um longo texto, exaltando a importância do veterano para a literatura. "Antes de Luis Fernando Verissimo, a crônica se centrava na primeira pessoa, no tom confessional, nas nuances biográficas, envolvida no gênero do 'eu'. Depois dele, nada mais foi igual. Surgiram os tipos universais: o amigo, a vizinha, o professor, o policial, o viajante. Virou o território ficcional da terceira pessoa, capaz de retratar qualquer um, inclusive secretamente o próprio Verissimo", iniciou ele.
"Verissimo é inimitável, o maior cronista brasileiro pós-Rubem Braga, com cerca de 80 obras e mais de 5 milhões de exemplares vendidos. Começou com o horóscopo e o copidesque no jornal Zero Hora, em 1966, e arrebatou colunas nas principais publicações do país [...] Com sua fama estrondosa, o mítico Erico Verissimo passou a ser lembrado por ter sido o pai de Luis Fernando. Em poucas linhas, ele desvendava dilemas comportamentais. Escrevia como quem desenhava: rápido, certeiro, irônico. O poder de síntese se aproximava de uma epifania", continuou.
"Quem nunca se sentiu parte da Família Brasil, seus esquetes humorísticos satirizando a classe média nos anos 1970 e 1980? Quem não se politizou com as tirinhas das Cobras, protagonizadas por animais rastejantes que conversavam entre si sobre os destinos do país? Quem não se compadeceu da Velhinha de Taubaté, que foi concebida durante a ditadura militar e ficou famosa por ser 'a última no Brasil que ainda acreditava no governo'? Quem não riu com o 'Analista de Bagé', mais ortodoxo que pomada minancora, um psicanalista freudiano que resolvia 'mimimi' com o 'joelhaço'?"
"Quem não viu alguma tia representada na Dorinha e seu cortejo de socialites, buscando a eterna juventude por incansáveis intervenções estéticas? Quem não desistiu de recorrer à espionagem acompanhando as peripécias de Ed Mort, um detetive particular pobre e trapalhão? Quem não se valeu dos exemplos das Comédias da Vida Privada para não levar a sério os desentendimentos de casal? Os dados oficiais professam que Verissimo faleceu aos 88 anos, neste sábado (30), em Porto Alegre. Mas ele não morreu. É impossível que morra. Se Luis Fernando nos fez esquecer que a morte existe, que ela seja educada e faça o mesmo", finalizou Carpinejar.
Thalita Rebouças deu o último adeus ao escritor, ressaltando a importância das obras dele para a sua carreira. "Acordei com essa notícia, Verissimo morreu. Luis Fernando Verissimo, o cara que tanto me inspirou, que tanto me fez rir, que tanto me fez gostar de ler… morreu. Lembro de ser apresentada, lá pelos meus 11 anos, num livro didático, olha só, a uma crônica genial e chegar em casa falando do texto que me fez gargalhar pela primeira vez na vida. Era dele. Claro".
"Nascia ali o meu amor por aquela escrita gaiata, simples e genial ao mesmo tempo, inteligente e maravilhosamente sacana, cheia de gente de verdade e situações de verdade que me matavam de rir já aos 11 anos. Desde então, não parei mais. Mais tarde me tornei escritora e sempre disse: 'quero ser igual a ele quando crescer'. Que dia triste. Que sacanagem. Obrigada por tudo, Verissimo. Segue em paz, suas histórias são eternas. Meus mais profundos sentimentos a toda a família, aos fãs e aos amigos", concluiu ela, autora de livros como "Pai em Dobro", "Tudo por um pop star" e "Fala sério, mãe!".
A atriz e poetisa Elisa Lucinda compartilhou um post, homenageando o ícone da crônica e do humo: "Perdemos hoje um dos grandes nomes da literatura brasileira. Um escritor, que, além da genialidade, nunca deixou de se posicionar no campo da esquerda."
Autor do romance "Torto Arado", Itamar Vieira Junior lamentou. "Uma lágrima e muitas salvas, mestre Luis Fernando Verissimo", declarou ele, assim como a apresentadora Tata Werneck, que escreveu: "Verissimo. Bravo".
A atriz Patricia Pillar também homenageou o autor. "Tão difícil falar de Luis Fernando Verissimo...
O homem mais doce, divertido e genial que conheci. Meu 'muso', minha inspiração. Com sua leveza e olhar perspicaz, transformava o cotidiano em poesia e elevava o banal à teoria filosófica, sempre cheio de graça e bom humor. E seu jeito sucinto com as palavras não escondia suas grandes ideias humanistas. Conviver com ele e sua família foi um privilégio que guardo no coração. Sua ausência deixa um vazio imenso".
Já a escritora Martha Medeiros se disse "órfã" após a morte de Luis Fernando Verissimo. A autora porto-alegrense esteve no velório do escritor, realizado no Salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul neste sábado (30).

Tal qual Verissimo, a autora seguiu a carreira de cronista e se tornou uma referência nesse tipo de texto. "É muito difícil a gente se sentir em um mundo onde o Luis Fernando não está mais. Ele que me fez me apaixonar por crônica, e acho que, de certa maneira, ele fez com que todo o Brasil se tornasse apaixonado por crônica."

Para a escritora, o autor que a fez se apaixonar pelo texto curto das crônicas conseguiu ser o melhor em uma área na qual a literatura brasileira se confunde com o futebol. "A gente sabe que, no Brasil, chuta uma árvore e caem dez cronistas maravilhosos. Então, somos todos filhos de Luis Fernando Verissimo", disse.

Jornalista e escritor dedicado à história, Eduardo Bueno, o Peninha, concorda com Martha Medeiros ao falar sobre a identidade ímpar de Verissimo na literatura brasileira. "Ele sempre ocupou um lugar na crônica que era único, mesmo o Brasil tendo alguns dos maiores cronistas do mundo."
 
*Com informações do Estadão Conteúdo