Oruam afirmou que 'favelado é um reflexo da sociedade'Reprodução / Instagram
Publicado 30/10/2025 08:12
Rio – O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, classificou a megaoperação nos complexos da Penha e Alemão da última terça-feira (28), que deixaram 121 mortos, como a "maior chacina da história do Rio". Em postagem nas redes sociais nesta quarta-feira (29), ele afirmou que é "reflexo da sociedade" e falou do seu pai, Marcinho VP.
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"28 de outubro de 2025 aconteceu a maior chacina da história do Rio. Meu nome é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, mais conhecido como Oruam. Eu sou filho do Márcio dos Santos Nepomuceno, mais conhecido como Marcinho VP. Eu sou reflexo da sociedade, meu pai é reflexo da sociedade e o bandido que está apontando pistola e fuzil também é reflexo da sociedade", declarou.
Apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, Marcinho VP foi preso em 1996. Atualmente, ele cumpre pena em regime fechado na penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso, por associação criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e homicídio.
Oruam, de 25 anos, também disse que "a mídia descobriu que matar vende muito" e que a "política de matar bandido" é a que "mais vende no Brasil". "A sociedade gosta do banho de sangue e ela usa o bandido como maior vilão para esconder os verdadeiros bandidos, que estão dentro de mansões, que pagam o governo todo para não serem vistos. O crime não está só na favela. O crime está no governo, nas câmeras. E o favelado é só um reflexo da sociedade."
Moradores resgataram corpos da mata
Segundo o balanço das forças de segurança, 58 pessoas morreram nesta terça-feira (28), dia da operação. Entre elas estavam 54 suspeitos e quatro policiais.
Nesta quarta, 63 corpos já foram encontrados em uma área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde aconteceram os principais confrontos entre as forças de segurança e traficantes. Moradores levaram todos os cadáveres até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha.
O número de óbitos oficiais ainda pode crescer, pois as buscas continuam na região.
Além dos mortos, o governo divulgou que 113 pessoas foram presas, sendo 33 de outros estados, e 10 adolescentes apreendidos. As equipes apreenderam 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver, 14 artefatos explosivos, centenas de cartuchos e toneladas de drogas.
Polêmicas do rapper
Oruam acumula controvérsias ao longo de sua trajetória. No último mês de julho, ele foi flagrado por policiais em sua casa junto com um adolescente conhecido como "Menor Piu", considerado braço direito do traficante Doca, uma das lideranças do Comando Vermelho. Durante a abordagem, o rapper e outras oito pessoas xingaram os agentes e os atacaram com pedras.
Ele se entregou em 22 de julho, mas deixou a cadeia após 69 dias, em 29 de setembro, depois da sua prisão ser revogada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na decisão, o ministro Joel Ilan Paciornik observou que o decreto de prisão preventiva teve fundamentação insuficiente, em princípio, para a imposição da segregação antecipada.
Já em fevereiro, Oruam também foi preso quando as autoridades encontraram Yuri Pereira Gonçalves, procurado por organização criminosa, dentro da sua casa, uma mansão no Joá, Zona Oeste do Rio. Apesar disso, o artista acabou liberado ao assinar um termo circunstanciado, se comprometendo a comparecer ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).
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