Publicado 02/08/2026 05:00
Rio - Seis décadas após estrear nos palcos com a peça "A Cegonha se Diverte" (1959), Arlete Salles prova que nunca é tarde para se reinventar. Aos 88 anos, a artista - que começou a trajetória profissional como locutora de rádio nos anos 1950 e estreou na TV Tupi em 1960 - assume um novo desafio na carreira: estrelar o primeiro monólogo. No espetáculo "Mande Notícias do Mundo de Lá", que entra em cartaz a partir desta sexta-feira (7), no Teatro dos 4, na Gávea, a atriz interpreta Eulália Eugênia.
PublicidadeExuberante e com pavor da morte, a personagem precisará enfrentar o medo para ir ao velório da amiga de longa data, Rosimere, em um cemitério. Ao ver o local vazio, Eulália se aproxima do caixão e revisita memórias marcantes da história das duas. "A peça fala muito sobre a importância dos encontros. No fim das contas, o que fica são as pessoas que caminharam ao nosso lado, as conversas, o carinho, os gestos. A amizade é um dos grandes presentes da vida, e lembrar de quem amamos é uma forma de manter essas pessoas vivas dentro da gente", diz a atriz.
Com texto e direção de Carlos Jardim, a produção também promove uma reflexão sobre o etarismo. Arlete diz que se identifica com a personagem nestas questões ligadas à idade, e revela em quais momentos do espetáculo Eulália mais se aproxima dela fora dos palcos.
"Acho que na maneira como ela olha para a vida. A idade faz a gente entender que nem tudo precisa ser resolvido na hora e que algumas respostas chegam com o tempo. Ela tem saudade, tem humor, tem fragilidade, mas também tem uma força muito bonita. Eu me reconheço nessa capacidade de seguir em frente, valorizando as pessoas e as histórias que construí ao longo da vida", declara.
A estreia de Arlete em monólogos acontece depois do sucesso da atriz como Dona Josefa, na novela "Três Graças". "Foi uma alegria enorme. O carinho do público é sempre o maior reconhecimento que um ator pode receber. Acho que a Josefa conquistou as pessoas porque era muito verdadeira. Ela tinha defeitos, qualidades, humor, emoção… Era uma mulher que poderia existir em qualquer família. Quando o público se reconhece na personagem, essa conexão acontece de forma muito natural", analisa.
A relação entre a artista e a TV Globo, inclusive, já dura quase seis décadas. Ela iniciou a carreira na emissora em 1967, em "Sangue e Areia", de Janete Clair, e acumulou trabalhos em outros folhetins como "A Sucessora" (1978), "Tieta" (1989), "Pedra Sobre Pedra" (1992), "Fera Ferida" (1993), "Porto dos Milagres" (2001), "Cara e Coragem" (2023) e "Família é Tudo" (2024). Ela também conquistou o público como a divertida Copélia, na série "Toma Lá, Dá Cá" (2007-2009).
"A gente nunca imagina uma caminhada tão longa. Eu só queria trabalhar e fazer o melhor possível em cada personagem. Quando olho para trás, sinto uma enorme gratidão por tudo o que vivi, pelas pessoas que encontrei e pelas histórias que tive a oportunidade de contar ao longo de todos esses anos", comenta.
Com uma trajetória que se entrelaça com a história da televisão e do teatro, Arlete segue aberta a "bons convites profissionais". "Sempre digo que o mais importante é encontrar histórias que me emocionem e personagens que tenham alguma coisa para dizer. Neste momento, meu foco está totalmente na peça, mas, se aparecer um projeto bonito, que faça sentido, vou receber com muito entusiasmo", diz ela, que entrega o segredo para se manter empolgada com o ofício mesmo com o passar dos anos.
"A gente nunca imagina uma caminhada tão longa. Eu só queria trabalhar e fazer o melhor possível em cada personagem. Quando olho para trás, sinto uma enorme gratidão por tudo o que vivi, pelas pessoas que encontrei e pelas histórias que tive a oportunidade de contar ao longo de todos esses anos", comenta.
Com uma trajetória que se entrelaça com a história da televisão e do teatro, Arlete segue aberta a "bons convites profissionais". "Sempre digo que o mais importante é encontrar histórias que me emocionem e personagens que tenham alguma coisa para dizer. Neste momento, meu foco está totalmente na peça, mas, se aparecer um projeto bonito, que faça sentido, vou receber com muito entusiasmo", diz ela, que entrega o segredo para se manter empolgada com o ofício mesmo com o passar dos anos.
"A curiosidade nunca acaba. Enquanto houver uma história interessante para contar, vou querer conhecer aquela personagem. Acho que o segredo é justamente não perder a vontade de aprender. Todo trabalho ensina alguma coisa, independentemente da idade. Quando você continua curioso, continua vivo como artista", acredita.
Consagrada, a veterana reconhece avanços no espaço concedido aos atores mais velhos na arte, mas acredita que ainda há muito a evoluir. "Existem tantas histórias bonitas para serem contadas por personagens mais velhos. O envelhecimento faz parte da vida de todo mundo, então é importante que ele apareça na arte de maneira rica, diversa e verdadeira. Experiência também é um valor."
A artista também expõe o maior ganho que a maturidade lhe trouxe: "A tranquilidade. Hoje eu não preciso provar nada para ninguém. Trabalho com mais liberdade, escuto mais, observo mais e valorizo as pequenas alegrias. Como atriz, isso também faz diferença, porque a maturidade amplia nosso olhar sobre as pessoas e sobre a vida", acredita.
Fora dos holofotes, Arlete recarrega as energias ao lado da família. Nas redes sociais, ela compartilha com os mais de 180 mil seguidores momentos especiais ao lado dos netos e bisnetos, por exemplo. "A família é uma fonte constante de amor e de aprendizado. Conviver com filhos, netos e bisnetos me aproxima de diferentes gerações, de outras formas de pensar e de enxergar o mundo. Isso renova a gente. O carinho da família me dá equilíbrio e energia para continuar trabalhando e fazendo o que eu amo."
Fora dos holofotes, Arlete recarrega as energias ao lado da família. Nas redes sociais, ela compartilha com os mais de 180 mil seguidores momentos especiais ao lado dos netos e bisnetos, por exemplo. "A família é uma fonte constante de amor e de aprendizado. Conviver com filhos, netos e bisnetos me aproxima de diferentes gerações, de outras formas de pensar e de enxergar o mundo. Isso renova a gente. O carinho da família me dá equilíbrio e energia para continuar trabalhando e fazendo o que eu amo."
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