Por tabata.uchoa

Rio - Seu vocabulário nunca mais será o mesmo depois de ‘Amor à Vida’. Que os personagens gays das novelas têm roubado as cenas não é nenhuma novidade. Mas a sensação do momento é o malvado Félix Khoury, interpretado por Mateus Solano, que é munido de jargões que divertem.

Félix não faz o tipo espalhafatoso como Niko (Thiago Fragoso) e nem sempre usa gírias do universo gay, mas sua forma de falar não disfarça sua preferência sexual. Ele dá muita pinta e os espectadores, até mesmo os mais conservadores, amam. Expressões como “adoro meu nome, lembra felicidade”, “demônia”, “mãe maravilha”, “criatura”, “genética não tem nada a ver com cabelo tingido” e “salguei a Santa Ceia, só pode ser”, entre outras, já estão na boca do povo.

A exemplo do que aconteceu com outros gays em novelas%2C as tiradas do vilão Félix fazem sucessoDivulgação


“Não me inspirei em ninguém especificamente, mas em vários tipos que conheci ao longo da vida. Quando um personagem surge, ele acaba tendo as características de uma pessoa. Félix surgiu falando assim. O processo de criação é mágico. Não são só as expressões que indicam que ele é gay, mas o tom em que ele fala. É um conjunto que leva ao tom de maldade e ironia”, comenta o autor da trama, Walcyr Carrasco.

Mateus Solano respira aliviado com a repercussão de seu mais novo personagem. “Ele dá pinta, é extravagante, mas também é muito poderoso e se garante nisso. Félix tem humor e é um sedutor. Mas eu não esperava que o público fosse gostar tanto dele. Estou feliz”, acrescenta o ator.

E, mesmo sem adiantar os próximos jargões que Félix vai lançar por aí, Walcyr garante que o público vai se apaixonar ainda mais por sua ‘criatura’. “Acho que o público está cansado da visão politicamente correta do mundo, onde tudo é muito certinho. Félix tem uma franqueza absoluta, até dolorosa. Mas quem nunca riu quando se debocha da plástica de alguém?”, diverte-se.

“Meu doce”

“A gravidade é um crime contra a mulher”

“Criatura”

Se popularidade é o segredo para o sucesso, Félix está trilhando o caminho certo. No Facebook, a página ‘Félix Bicha Má’ já coleciona quase 200 mil assinaturas e suas imagens, cheias de ironia, já ultrapassam 100 mil compartilhamentos. Félix também está no Twitter. O perfil fake @FelixMalefica, criado para homenagear as frases de humor negro do vilão, tem mais de 15 mil seguidores. No microblog, ele aparece numa versão mais afetada e não poupa nos comentários sobre diversos acontecimentos. Até a Rede Globo pegou carona na divulgação involuntária do personagem nas redes sociais e criou, no site oficial da novela, a hashtag #AmorAoFélix, para reproduzir as pérolas do malvado. Sucesso.

GÍRIAS GAYS

Ele não é o primeiro nem será o último gay em novela a cair na boca do povo. O mesmo aconteceu com Crô (Marcelo Serrado) em ‘Fina Estampa’ (2011), Áureo (André Gonçalves) em ‘Morde e Assopra’ (2011), Cássio (Marcos Pigossi) em ‘Caras e Bocas’ (2009) e Roni (Leonardo Miggiorin) em ‘Insensato Coração’ (2011).

Mas não é a orientação sexual que faz com que eles se tornem os queridinhos do público: o povo gosta mesmo é dos bordões lançados a todo vapor pelas tais figuras irônicas nas tramas. As frases de Félix são tão boas que já transformaram o vilão no muso dos ‘memes’ (manias) nas redes sociais, poucos dias após a novela estrear.

Gays da vida real aprovam a figura e dizem que Félix representa bem a classe. “Ele tem um humor ácido. E eu conheço muitos gays assim também. Pode perguntar para qualquer pessoa que ela vai dizer que morre de rir com os homossexuais. Somos divertidos, assim como ele. Só a maldade que não faz parte do pacote”, diz o comerciante Sidney Ferreira, de 24 anos.

Já o bancário Fabrício Nogueira, de 37, diz que muitas gírias do universo gay acabam sendo copiadas pelos héteros por serem engraçadas. “Tem muito bordão que os gays criam que depois viram sucesso na boca do povo. Me lembro que, muito antes de ‘só que não’ virar febre, eu e meus amigos falávamos. O mesmo aconteceu com ‘a louca’, ‘babado’, ‘cafuçu’, ‘boy magia’, ‘fazer a egípcia’, ‘tô passé composé’ e ‘umidifiquei’. Nosso linguajar é referência”.

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