Rio - Crise dos 40? Nem pensar. A voz suave continua a mesma, mas o charme de Letícia Sabatella, 42 anos, está cada vez mais irresistível. O tempo, ao contrário do vilão que costuma castigar as mulheres, tornou-se seu maior aliado. A beleza brejeira, admirada pelo público nos anos 90, está mais sofisticada. E Letícia, a Verônica/Palmira de ‘Sangue Bom’, admite essa transformação.
“Com 20 anos, eu tinha muita vergonha de mostrar o corpo, tinha pudor de explorar isso. Hoje é tão bem resolvido que não tenho mais esse tipo de problema. Uso saias mais curtas do que usava aos 20, por exemplo. De forma elegante, nada ‘over’. Não sei se é o tipo de vida no Rio, se fiquei um pouco mais carioca (ela é mineira). Fato é que precisei fazer 40 anos para me sentir mais segura”, confessa.
Ela também garante que não tem medo de envelhecer. Sua preocupação, com o passar dos anos, não é com a vaidade. “De vez em quando, eu penso nos trabalhos que vou fazer, onde poderei me encaixar para não virar aquela pessoa que vai envelhecendo e querendo fazer personagens mais novas. Ao mesmo tempo que estou ganhando idade, tem algo ainda muito menina em mim, no jeito de ser, de falar. Penso em tirar proveito e estudar para que eu possa fazer personagens densos e que exijam conhecimento de vida”, avalia a atriz.
Cirurgia plástica não é uma prática, nem um tabu. “Quando chegar a hora, vou estudar bem o assunto com pessoas nas quais confio, mas vou evitar ao máximo. Às vezes, vejo resultados muito bons, só não concordo com paralisações e preenchimentos que dão uma deformada. Tenho um pouco de medo disso”, pondera.
Sabatella aproveita para desmistificar a ideia de que não se sente à vontade em explorar seu lado sexy. “Não tenho essa resistência. Eu nunca quis ser um símbolo sexual antes de ser uma atriz. Mas gosto de ter disponibilidade para o que meu trabalho me oferecer. Gosto de usar minha sensualidade para personagens que peçam isso. Acho cênica a sensualidade, ela dá pano para manga para um bom trabalho”, acredita.
Modesta, nunca encarou a beleza como uma maldição: “Não me acho uma pessoa tão bonita a ponto de ter problemas com isso”. Desencanada, Letícia não descarta a possibilidade de fazer um ensaio mais ousado: “Tudo bem, desde que seja uma coisa bem feita”. E ‘Playboy’? “Aí, eu não sei”.
Um dos segredos de seu corpo invejável é a ioga. Ela também anda de bicicleta e caminha. “Não sou de puxar ferro. Gosto de cuidar da alimentação, faço detox (desintoxicação e limpeza do organismo), tomo suco verde, mas também gosto de vinho. Tem uns períodos em que como menos, mas sou bem gulosa. Me sinto bem quando estou me cuidando. Fico ágil mais magra”, define.
O namorado dela, o ator Fernando Alves Pinto, além de parceiro nas artes, faz também o estilo ‘natureba’ da atriz. Ele prepara um suco de semente germinada que ajuda na dieta. “Sou muito fã do Nando. A gente se conhece há uns 20 anos, já trabalhamos juntos e sempre tivemos uma afinidade de alma, um diálogo fácil, aberto, franco. A relação veio muito com a música, com a sintonia, a gente tem uma humanidade parecida, de pessoas do bem”, descreve Sabatella. Mãe de Clara, 20 anos, com o ator Ângelo Antônio, ela cogita ser mãe novamente: “Às vezes, penso em ter outro filho, sim”.
Se na vida real tudo está em ordem, na ficção Letícia vive um dilema. Sua personagem na novela das 19h acaba de ser desmascarada pelo ex-marido, Natan (Bruno Garcia). Ele, seu atual namorado, Érico (Armando Babaioff), e a melhor amiga dela, Renata (Regiane Alves), descobriram que a cantora ruiva Palmira Valente é, na verdade, Verônica.
“Ela tinha uma vida construída, um caráter confiável, uma empresa sólida. Só que, com a ruptura do casamento, naquela tristeza, precisava de outro ânimo. Então, lembrou que o que dava mais prazer era cantar. Ela se disfarçou para poder se reencontrar. Usou esse subterfúgio para se testar numa outra pele, sem a opinião dos outros”, justifica.
Sobre a traição que a personagem sofreu, a atriz diz que não tem como comparar com nada que ela viveu. “Verônica pegou o marido na cama, transando com a sogra do filho. Uma situação bem pesada. O que ela experimentou foi algo muito incomum ao que eu já tenha experimentado. Ali foi realmente grave, interrompeu imediatamente o casamento”, diz.
Érico, de cara, ficou confuso, mas não resistiu à paixão que sente pela empresária e a perdoou. Sabatella acredita na relação de uma mulher experiente com um homem mais jovem, como na trama: “Em muitos momentos, a idade desaparece, em outros, aparece. Tem prós e contras. Mas pode dar certo, sim. Pode haver trocas bem interessantes. Eu conheço pessoas que são mais velhas do que eu, mas que são mais novas em muitos aspectos, e vice-versa. Depende de cada combinação”.
Na história, o alter ego de Verônica faz o maior sucesso no palco. Fora de cena, Letícia, que canta há 30 anos, quer sair do amadorismo e se profissionalizar. “Penso em gravar um CD. Sou muito atriz e, mesmo quando estou cantando, lanço mão desse recurso, porque preciso de uma personagem para me expressar melhor. Minha formação é de atriz, cantora, bailarina, e eu só me realizo artisticamente podendo exercer tudo isso”. Ela também compõe. “Sou de improvisar e muitas ideias melódicas vêm à minha cabeça quando estou passando por situações de muito estresse. De algum modo é um escape”.
