Por helio.almeida

Rio - Os fãs da série britânica ‘Sherlock’ terão que esperar bastante pela quarta temporada da atração, que terminou seu terceiro ciclo em janeiro. Para aliviar a ansiedade, o criador e roteirista Mark Gatiss, que também interpreta Mycroft, o irmão de Sherlock (Benedict Cumberbatch), esteve no Brasil e falou sobre o sucesso da atração, que traz a história do detetive mais famoso do mundo, criado no século 19 por Sir Arthur Conan Doyle, para a Londres atual.

“Quando começamos a fazer o programa, a dúvida era: será que Sherlock ainda funciona nos dias de hoje, com todos os avanços nas técnicas de investigação, exames de DNA e tudo o mais que está disponível?”, questiona Gatiss.

Sobre a infinita polêmica da relação dúbia entre Sherlock e seu fiel companheiro Watson%2C o roteirista acha que as especulações são normaisDivulgação

A resposta veio rápido: a primeira temporada foi um sucesso e rendeu indicações a inúmeros prêmios, como Grammy, Emmy e BAFTA. “O trunfo da série são as deduções de Sherlock. Ele chega aos resultados por meio de uma cadeia de deduções que não se incomoda em explicar. Tem as respostas como que por mágica, mas sem nenhum tipo de poder especial, só pela observação. Isso é o fator intrigante e nunca fica velho, independentemente da época”, diz Gatiss.

O roteirista adiantou uma novidade: a próxima temporada de ‘Sherlock’ pode ter quatro episódios, um a mais que as três primeiras.

“É cada vez mais difícil reunir todo o elenco. São todos grandes atores, envolvidos em outros projetos. Pode ser que tenhamos quatro episódios, mas qualquer coisa além disso é completamente inviável”, afirma.

Sobre a infinita polêmica da relação dúbia entre Sherlock e seu fiel companheiro Watson, o roteirista acha que as especulações são normais. “Bom, se você tem dois homens solteiros dividindo um flat, as pessoas tendem a questionar. Não teria nenhum problema se eles fossem gays, mas Watson é claramente heterossexual. Sherlock realmente tem uma atitude ambígua, que é o que o torna interessante. E a capacidade que os fãs têm de somar 2 mais 2 e achar 17 é incrível!”, brinca.

Gatiss observa um padrão entre aqueles que acompanham filmes e séries de maneira geral. “Kirk e Spock, de ‘Jornada nas Estrelas’; Sam e Dean, de ‘Supernatural’; Mulder e Scully, de ‘Arquivo X’: sempre que há dois personagens protagonistas, hétero ou homossexuais, acontece a mesma coisa: o público deseja vê-los juntos, cria um casal”, acredita.

Se na telinha ele é antagonista do irmão e os dois vivem uma briga de egos, na vida real a história é bem diferente. “Meu irmão mais velho é um membro do serviço secreto britânico e... Brincadeira, nos damos bem, nada como o Sherlock e o Mycroft”, garante.

Questionado sobre a influência da opinião dos fãs em seus roteiros para a série, o inglês não pensa duas vezes para responder. “Nenhuma!”, afirma, categórico. “É a primeira regra: fãs vão reclamar e palpitar. Gostam do programa e querem que ele ande nessa ou naquela direção, mas você precisa seguir o que acredita, não pode jamais se perder na tentativa de agradar. Deve fazer o que acha melhor e esperar que o público embarque com você. Até agora tem funcionado”, diz.

Mas o roteirista se incomoda com algumas cobranças que a série sofre. “Sempre que um programa estoura e se torna um grande sucesso, há essa ideia de que ele deve levantar bandeiras, representar causas. Há quem cobre que a atração seja um representante das relações homossexuais ou algo assim. Não é, é apenas uma atração na qual os personagens, por acaso, são assim”, reclama ele, assumidamente gay, que está hospedado em Copacabana, conhecendo o Rio de Janeiro, esta semana.

E, para os fãs de Sherlock: alguma pista sobre o futuro dos personagens na série? Não muitas. Questionado sobre o futuro de Moriarty (Andrew Scott), o arquivilão intelectual de Sherlock, que reaparece depois de se suicidar no fim da última temporada, Mark Gaitiss provoca: “Não é óbvio o que vai acontecer?” E encerra, sem mais palavra sobre o assunto. Elementar, caro leitor...

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