Por helio.almeida

Rio - Entre a razão e a emoção, Nando optou pelo distanciamento a ter que lidar com a perturbação da mulher, Juliana (Vanessa Gerbelli), na novela ‘Em Família’. Para Leonardo Medeiros, intérprete do advogado, o personagem tornou-se o chato da vez. “No sentido de trazer as pessoas para a realidade. A Juliana quer adotar a criança, mas não pode juridicamente, porque a menina tem família. Daí ela tenta comprá-la. Além de não ser ético, é um crime. O Nando fica o tempo todo tirando as pessoas do sonho e colocando na real. Ele é advogado, tem o calo do ofício. Só que o conflito no casamento aumentou tanto, a Juliana está tão obcecada pela Bia (Bruna Faria), que eles se tornaram incompatíveis. É a realidade de um lado e o sonho do outro”, explica o ator.

Lá na TPM (tensão pré-menstrual)%2C eu já saio fora%2C diz atorPedro Monteiro / Agência O Dia

Apesar de Juliana ser capaz de cometer as maiores atrocidades em nome da sonhada maternidade, o ator tem sentido no público uma torcida maior por ela. “O espectador está muito mais ligado ao drama dessa mulher, mesmo sabendo que ela é doente. Há mais identificação com o afeto que ela tem pela menina do que pela realidade que o Nando apresenta”, acredita.

O ator compreende a opção deles pela separação. Por muito menos, diz que abriria mão de um relacionamento: “Atualmente, com a experiência que tenho de casamentos (ele está no terceiro), se a pessoa começa a demonstrar o primeiro sinal de desequilíbrio, lá na TPM (tensão pré-menstrual), eu já saio fora. O Nando é muito pé no chão. Tem uma hora nesses casamentos de longos anos que a realidade faz mais sentido do que você levar adiante uma situação infeliz.”

Se a obsessão de Juliana — a ponto de roubar, ameaçar de morte e até de seduzir Jairo (Marcello Melo Jr.), o pai de Bia, para conseguir a guarda da garota — virar o ponto alto da trama de Manoel Carlos, para Leonardo essa carga emocional é o tempero do sucesso. “As cenas que têm grito e emoção são as melhores, mais gostosas e vibrantes, as que trazem satisfação de dever cumprido. No meu caso e da Vanessa, é muito gostoso, porque a gente faz cenas combinadas e de improviso. No início da novela, eles saíram na mão, ele jogou ela na cama, trocaram uns tapas e tal, aí a gente marcou rapidamente, mas eu insisti com o Jayme (Monjardim, diretor) para que a gente não ensaiasse e gravasse de primeira. Uma cena de violência com essa passionalidade, para mim, se for muito repetida, perde o frescor e corre o risco de se machucar. A Vanessa é uma atriz experiente, eu também sou, a gente sabe se pegar, se bater, sem se machucar.”

Outro ponto que para ele é instigante, mas que incomoda muitos colegas, a ponto de se queixarem, é o atrasado dos capítulos: “Eu adoro, porque acho que o gostoso da televisão, o que a torna prazerosa e diferente do teatro e do cinema é que ela é feita muito rapidamente, e, quanto mais instantâneo, mais legal. Decoro fácil. Se eu receber os capítulos de um dia para o outro, não tem o menor problema.”

Da polêmica de Nando e Juliana entre adotar ou não a criança ao romance lésbico da trama, entre Marina (Tainá Müller) e Clara (Giovanna Antonelli), Leonardo dispara: “A TV quer vender, não está tão preocupada assim com o lado social da coisa. É uma questão comercial. E, se o público quer ver, ela mostra. Se o beijo entre duas mulheres servir para um casal homossexual não apanhar mais nas ruas, que seja feito.”

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